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Memória20/07/2016 | 09h43Atualizada em 20/07/2016 | 14h00

A trajetória de Giovanni Battista Serafini

Fotógrafo nascido na Itália eternizou os primórdios da colonização na região a partir da década de 1880, mantendo estúdio na Rua Sinimbu, quase esquina com a Dr. Montaury

A trajetória de Giovanni Battista Serafini Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami/divulgação
O casarão da família Serafini, com a moradia no andar superior, a loja no térreo e o estúdio de fotografia ao lado, na esquina das ruas Sinimbu e Dr. Montaury, por volta de 1915. Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

Primeiro fotógrafo perfilado no livro "O Instante e o Tempo", lançado recentemente pelo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, Giovanni Battista Serafini notabilizou-se por registrar os primórdios da colonização italiana na Serra, a partir de 1885 – é bem provável que boa parte das fotos contidas no raro álbum "Recordação das Colonias Conde D´Eu, Dona Isabel, Alfredo Chaves, Antonio Prado e Caxias" seja de sua autoria.

Livro O Instante e o Tempo: uma cidade, múltiplos olhares
Giovanni Serafini e Francesco Moscani: para recordar das antigas colônias 


Imigrante italiano nascido em Treviso, em 1869, Serafini instalou seu primeiro ateliê na residência onde morava com a família, na esquina das ruas Sinimbu e Dr. Montaury. Além de captar a paisagem urbana e o cotidiano da vila, o jovem também esmerava-se nos retratos que conferiam distinção e status a emergente sociedade caxiense do final da década de 1880.

Já em 1892, com o surgimento da casa de comércio Serafini & Irmãos, estruturada em primeiro pavimento para a família e térreo para a loja, o estúdio de poses migrou para um prédio próprio, construído ao lado do sobrado. Em um cenário concebido pelo próprio "Baptistim", como ele era conhecido, destacava-se uma paisagem bucólica pintada ao fundo, além de complementos cenográficos como vasos de begônias e avencas e alguns móveis – cadeiras, aparadores e colunas de madeira.

O local ainda oferecia a indumentária e os famosos retoques, que suprimiam as rugas e marcas pessoais dos clientes.Por vezes, essa representação também esbarrava em algumas "excentricidades". Serafini costumava introduzir detalhes como bigodes, joias, gravatas e broches, fazendo com que, muitas vezes, o próprio fotografado não se reconhecesse.

Ao que "Baptistim" justificava: "Mas rapaz, tu fica melhor de bigode"...

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A Loja Serafini e o estúdio de Giovanni Battista Serafini captados pelo fotógrafo Domningos Mancuso por volta de 1912. Foto: Domingos Mancuso / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação

Giovanni Serafini por Domingos Mancuso

Na imagem acima, a residência e a loja da família Serafini com o lendário estúdio de "photographia" na parte anexa, por volta de 1912. O local é a esquina das ruas Sinimbu e Dr. Montaury.

A clássica imagem feita pelo colega de profissão Domingos Mancuso traz ainda um grupo de crianças brincando no meio da Sinimbu, com o futuro bairro São Pelegrino ao fundo. Entre os meninos está José Ariodante Mattana, que viria a atuar como diretor de obras da prefeitura na gestão de Dante Marcucci (1935-1947). 

Giovanni Battista Serafini: instantes e tempos eternizados

Candida Guerra Serafini e Giovanni Battista Serafini com os filhos Josephina (E), Hugo (C) e Flora em 1900. Foto: Giovanni Battista Serafini / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação

Em família

Em 1892, Giovanni Battista Serafini casou com Cândida Guerra, nascendo dessa união os filhos Hugo e Flora. Já em 1919, a caçula Flora casaria com o "vizinho" Raymundo Magnabosco, fundador da loja homônima.

O fotógrafo faleceu em fevereiro de 1954, aos 85 anos.

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Giovanni Serafini (ao centro, de paletó branco) foi um dos primeiros a dirigir um automóvel nas ruas empoeiradas da pequena Vila de Santa Teresa de Caxias Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação
Giovanni Battista Serafini em 1904. Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação
Torres, 1920: Giovanni Serafini (sentado à direita) e um grupo de amigos Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação
Anos 1920: o casal Giovanni Battista Serafini e Cândida Guerra Serafini com a primeira neta Zila Magnabosco, filha de Raymundo Magnabosco e Flora Serafini Magnabosco. Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação
Giovanni Serafini, a esposa Cândida Guerra e a primeira neta, Zila Magnabosco, no início dos anos 1920. Foto: C. Gatti / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação
A primeira neta de Giovanni: Zila Magnabosco Repullo, primeira filha de Flora Serafini Magnabosco e Raymundo Magnabosco, em 1920. Foto: Julio Calegari / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação

Atuação

Giovanni Battista Serafini também eternizou festas religiosas, solenidades políticas e até defuntos em urnas mortuárias. 

O velório de Dante Morganti em 1898. Foto: Giovanni Batista Serafini / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação

Família promove doação

Parte do acervo particular do fotógrafo Giovanni Battista Serafini também foi doada ao Arquivo Histórico Municipal pelas netas Lucy Magnabosco de Paula Moreira, Thereza Luiza Magnabosco Cosner e Zila Magnabosco Repullo. As três são filhas de Raymundo Magnabosco e Flora Serafini, filha de Giovanni.

Entre os registros doados, momentos em família e diversas fotos de estúdio, como os reproduzidos ao longo desta matéria. Na imagem abaixo, as irmãs Thereza Luiza (à esquerda) e Lucy (C) com a servidora municipal Susana Storchi no momento da doação. Todo esse processo de salvaguarda das imagens também teve a colaboração de Silvana Magnabosco Moreira, bisneta de Giovanni.

Thereza Luiza Magnabosco Cosner, Lucy Magnabosco Moreira e Susana Storchi durante o processo de doação das imagens de Giovanni Battista Serafini Foto: Silvana Moreira

Como doar

Com a doação ao Arquivo Histórico, antigas fotos de famílias são identificadas, digitalizadas e devidamente acondicionadas, ficando disponíveis ao acesso de pesquisadores e do público. As doações podem ser feitas na sede da instituição, na Av. Júlio de Castilhos, 318, bairro Lourdes. Mais informações pelos fones 3218.6114 e 3901.1318 ou pelo e-mail arquivohistorico@caxias.rs.gov.br.

Parceria

Parte das informações desta coluna foi retirada do livro "O Instante e o Tempo", lançado pelo Arquivo Histórico Histórico Municipal João Spadari Adami. 

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Leia antigos conteúdos do blog Memória

Giovanni Battista Serafini e Candida Guerra Serafini no quintal de sua residência, na rua Dr. Montaury, atual edifício Guadalupe, por volta de 1940 Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

 
 
 

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