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Greve na educação30/05/2016 | 09h58Atualizada em 30/05/2016 | 10h25

Alunos denunciam que escola ocupada em Caxias tinha alimentos vencidos

A acusação é usada pelos adolescentes para motivar ainda mais o movimento de ocupação, que já dura 12 dias

Alunos denunciam que escola ocupada em Caxias tinha alimentos vencidos Reprodução/Facebook
Foto: Reprodução / Facebook

Um grupo de estudantes que ocupa o Instituto Cristóvão de Mendoza, em Caxias do Sul, diz ter achado pacotes de massa e maçãs vencidos no refeitório da escola. O local estava lacrado e foi arrombado no último domingo pelos alunos. De acordo com os jovens, o objetivo era recolher os alimentos para que eles não estragassem.

— Tinham soldado a porta e decidimos entrar para pegar a comida que estava apodrecendo. Quando olhamos, já estavam vencidos. Vamos ligar para a Vigilância Sanitária — diz Leonardo Cechin, 17 anos, que lidera a ocupação no colégio.

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A denúncia é usada pelos adolescentes para motivar ainda mais o movimento de ocupação, que já dura 12 dias. Cerca de 30 estudantes impedem permanentemente a entrada de professores no Cristóvão de Mendoza.

"A direção, por irresponsabilidade, durante três meses de aula estava nos dando comida ESTRAGADA, VENCIDA. Isso prova o descaso da educação por parte do Estado e da direção que nós mesmos 'elegemos'. Se vocês acham que comer comida vencida e estragada tá de boas... ok. Se você acha isso um absurdo, vem com a gente e #OcupaCristóvão", publicaram eles em uma página do Facebook.

Foto: Reprodução / Facebook

Direção fala em má-fé

Fabiana Simonaggio, diretora do colégio, considera a acusação grave e fará dois registros na Polícia Civil nesta segunda-feira. Um pelo arrombamento do refeitório, e outro por calúnia. Segundo ela, os alimentos são comprados por licitação e há um controle por parte da 4ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE). Fabiana alega que o refeitório foi lacrado por estar estar próximo ao portão de acesso da escola, o que o torna um ponto vulnerável para assaltos:

— As merendeiras guardam hortifrutigranjeiros no depósito e é lógico que eles vão estragar se ficarem muito tempo. Desde o dia 20 de maio não podemos entrar lá. Sobre a massa, não é nossa. A que compramos é da agricultura familiar, não industrializada. Acredito que foi um ato de má-fé.

A 4ª CRE afirma que a denúncia é uma novidade, pois a responsável pelas merendas segue à risca as orientações da nutricionista do Estado. Janice Zambarda Moraes, coordenadora do órgão, analisou os relatórios do controle de estoques e não localizou a compra de pacotes de massa para o Cristóvão de Mendoza.

— Vamos ouvir a diretora. Na lei da gestão, é tudo responsabilidade dela. Mas, diante dessa situação (impedimento de entrar no colégio), não sabemos o que pode acontecer. De qualquer forma, os relatórios (fotos abaixo) não apontam estoque de massa. A menos que tenham sido fraudados — diz Janice.

Na manhã desta segunda-feira, uma equipe da 4ª CRE tentará conversar com os estudantes para mostrar os relatórios, e vai pedir para fiscalizar o depósito.

Foto: Divulgação / 4ª CRE
Foto: Divulgação / 4ª CRE
Foto: Divulgação / 4ª CRE
 
 
 

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