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Solidariedade09/04/2016 | 11h01

Instituições de Caxias do Sul que ajudam deficientes visuais precisam de auxílio

Apadev e Inav atendem a mais de 300 pessoas

Instituições de Caxias do Sul que ajudam deficientes visuais precisam de auxílio Jonas Ramos/Agencia RBS
Samuel Luz Stumpf tem apenas 10% da visão, mas aprendeu a morar sozinho com o auxílio do Inav Foto: Jonas Ramos / Agencia RBS

Samuel Luz Stumpf, 22 anos, é portador de retinose pigmentar, doença que causa a degeneração da retina. Isso significa que ele tem apenas 10% da visão, não enxerga à noite e a visão lateral inexiste. A condição dele poderia ser uma imensa barreira em Caxias do Sul. Poderia.

— Não importam as dificuldades: você só não consegue algo se você não quiser — define o jovem.

Stumpf mora sozinho há três meses, trabalha na área de recursos humanos de uma empresa e, nos finais de semana, faz trilhas de bicicleta com amigos. No final do ano passado, foi de Caxias ao litoral sobre duas rodas. Tamanha autonomia é reflexo do estímulo de familiares e da equipe do Instituto da Audiovisão (Inav).

Nos últimos meses, o mesmo Inav que apoiou Stumpf a superar adversidades agora enfrenta dificuldades para manter o atendimento por falta de recursos. É a mesma situação enfrentada pela Associação dos Pais e Amigos dos Deficientes Visuais (Apadev).

O Inav, por exemplo, oferece gratuitamente aulas de ioga, dança, artesanato, informática, música, além de orientação para adaptação de ambientes e mobilidade, e atendimento com assistente social e psicóloga. Mas como é uma instituição sem fins lucrativos, depende de parcerias para manter as portas abertas. Atualmente, ajuda 148 cegos e pessoas com baixa visão a vencer a limitações. A verba repassada pelos convênios, na maioria das vezes, não cobre as despesas mensais.

Pelo menos 75% do dinheiro do Inav vem do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica) e da Fundação de Assistência Social (FAS). O município também custeia o trabalho de dois funcionários. Mas não dá para pagar tudo.

— Nos viramos como podemos e esperamos que as pessoas se solidarizem com a causa — apela Anderson Rauber, deficiente visual que atua como voluntário na direção do instituto.

Assim como o Inav, as equipes da Apadev se desdobram para garantir a atenção a 160 pessoas. Claudio Biasio, presidente da entidade fundada em 1983, diz que é preciso cerca de R$ 80 mil por mês para custear as despesas.

— Recebemos recursos públicos provenientes de convênios, de empresas e voluntários que nos ajudam, mas ainda é preciso matar três leões por dia para conseguir manter esse serviço de qualidade que temos aqui. Fechamos o mês passado com todas as contas pagas e isso é motivo de muita comemoração para nós — conta Biasio.

No ano passado, a Apadev organizou almoço para arrecadar verba e já programou outro para a metade deste ano. Nem sempre é fácil.

— Hoje temos um dos laboratórios de informática mais bem equipados do Brasil, mas é preciso dinheiro para mantê-lo — revela.

Biasio lamenta que a falta de verba faz com que deficientes visuais de outras cidades, que gostariam de frequentar a entidade caxiense, deixem de ser atendidos. Os municípios de Farroupilha, Carlos Barbosa, Ivoti, Dois Irmãos, Bom Princípio e Jaquirana firmaram parceria destinando verbas para a associação mensalmente, mas o presidente gostaria de ampliar o atendimento.

— Eles nos repassam somente o custo para manter os cursos que são oferecidos aos moradores de suas regiões. Temos atividades incríveis aqui dentro, que ajudam a vida de quem precisa. Seria perfeito se pudéssemos oferecer isso a todos que necessitam — sonha.

Dias busca a autonomia

Cego há quase dois anos, Luiz Dias, 55 anos (foto acima), teve que reaprender a viver depois de perder a visão em função de problemas com a diabetes.

Morando sozinho, passou a ter dificuldades para se locomover pelas ruas e para fazer atividades básicas como cozinhar e lavar roupa. Soube do trabalho da Apadev por amigos. Nos primeiros dias, o aposentado recebeu orientações para se localizar melhor dentro de casa. Recentemente, se inscreveu em aulas para aprender a andar de bengala.

Com supervisão da professora Daniela Giacomelli Spader, ele tem mais equilíbrio e está feliz em poder andar sozinho pelas ruas:

— Sem piso tátil nas calçadas, é muito difícil ter noção. Na rua, ia caindo sempre para os lados, e é perigoso. Estou treinando bastante aqui na entidade e me viro bem melhor agora. Tenho uma sensação de liberdade — descreve Dias.

Natural de Cambará do Sul e há 30 anos em Caxias, ele trabalhou como marceneiro quando era mais jovem. Agora que está convivendo melhor com a cegueira, não descarta voltar ao mercado de trabalho e aumentar a renda.

Orgulhosa, a professora Daniela se mostra realizada em poder ajudar:

— Muitos chegam aqui achando que não conseguirão fazer muitas coisas e quando conseguem é uma emoção.

COMO AJUDAR

Inav: É possível colaborar pagando um carnê mensal ou anual, documento pode ser retirado na sede da entidade na Rua Alfredo Chaves, 373, Centro. A instituição também aceita depósitos bancários. Informações: (54) 3226.6262.

Apadev: É possível pagar um carnê mensal ou fazer depósitos bancários. Doações também são aceitas na sede da Rua Luiz Antunes, 899, bairro Panazzolo. Informações: (54) 3213.2323.

 
 
 

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