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Patrimônio histórico07/11/2015 | 09h02Atualizada em 07/11/2015 | 10h36

Capitel da Mariana ganha solenidade especial neste sábado, em Caxias

Datado de 1881, símbolo de devoção religiosa foi recuperado na Rua Matteo Gianella

Capitel da Mariana ganha solenidade especial neste sábado, em Caxias Felipe Nyland/Agencia RBS
O processo de recuperação teve início no ano passado, por meio de um projeto do arquiteto Luiz Pedro Sambaquy Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS
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Um dos símbolos religiosos mais conhecidos dos bairros Santa Catarina e Pio X ganha inauguração digna de sua relevância histórica. Datado de 1881, o Capital da Mariana, na Rua Matteo Gianella, 499, será entregue totalmente recuperado à população neste sábado,  às 16h. A cerimônia inclui bênção do padre Renato Ariotti, duo de violino com os músicos Zilá e Ítalo Nichele, além de homenagens preparadas por moradores próximos.

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Entre eles a professora aposentada Edit Maria Corso, 75 anos. Devota “desde sempre”, ela lembra de acompanhar a mãe e as vizinhas nas rezas do terço junto ao capitel desde a infância, na década de  1940.  

— Era um ponto de referência religiosa e de quem buscava o balneário próximo do campo do Caxias — recorda.

Uma frase dela também destaca a importância da recuperação e o vínculo da comunidade com o espaço:

— Nós pertencemos ao capitel, não é ele que nos pertence.

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O processo de recuperação teve início no ano passado, por meio de um projeto do arquiteto Luiz Pedro Sambaquy, com acompanhamento da Divisão de Proteção ao Patrimônio Histórico e Cultural da Secretaria da Cultura.

O interior do capitel abriga atualmente uma estampa emoldurada de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, uma referência à original trazida da Itália pela família de Giovanni Michele. A original –  e as de São Francisco e de Santo Antônio, agregadas tempos depois – sumiram ao longo dos anos em que o capitel ficou a mercê de vândalos e da falta de proteção.

Conforme Liliana Henrichs, diretora do Departamento de Memória e Patrimônio Cultural, o espaço, atualmente cercado e protegido, deverá futuramente se integrar ao jardim do que vier a ser construído no terreno. Com a recuperação, uma tradição também promete voltar.

— Em referência ao 7 de Outubro, Dia de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, todo dia 7 de cada mês as pessoas da comunidade vão se reunir para rezar o terço junto ao capitel — anuncia Liliana.

A reconstrução do capitel, bancada pela empresa Senador Empreendimentos Imobiliários, teve um custo de R$ 80 mil.

A HISTÓRIA

* O Capitel da Mariana foi construído pelo imigrante Giovanni Michele em 1881. Foi uma homenagem à Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, em retribuição a uma graça alcançada -  no caso, a cura de uma grave enfermidade. Em um nicho construído em sua propriedade, Giovanni colocou um quadro com a figura da Madona. O adorno fora trazido do Tirol, região italiana de onde a família Michele emigrara.
* Com a morte e dispersão dos descendentes da família Michele, os antigos compadres e vizinhos Antão e Mariana Bascú passaram a cuidar do capitel onde, todos os dias, reuniam-se várias pessoas para recitar o rosário. Foi quando o local passou a ser conhecido como o "Capitel da Mariana". Com o passar dos anos, o terreno onde estava o capitel foi vendido e coube à neta dos antigos vizinhos, a professora Suely Bascú (1914-1999), cuidar daquele bem, conforme prometera à avó Mariana, já falecida.
* A ameaça de demolição fez surgir uma alternativa: remover o capitel para a sua propriedade, não muito distante dali. Dona Suely submeteu seu projeto à avaliação do padre Eugênio Giordani, vigário da paróquia, que imediatamente aprovou a ideia. Na época, dona Suely lançou um desafio à padroeira Nossa Senhora do Rosário de Pompeia: "se ela (a santa) quiser continuar no capitel, faça com que ele (o capitel) seja transferido uns metros sem precisar ser demolido!".
* Assim foi feito: a edificação resistiu e foi instalada em um local de destaque no jardim de entrada da centenária casa de dona Suely, em meio a dálias, margaridas e árvores frutíferas. A tradição da reza do terço e dos encontros com a comunidade de vizinhança persistiram até o falecimento de dona Suely, em 1999.
* Após um período de indefinições, o forte envolvimento católico da comunidade moveu a destinação da propriedade à paróquia de São Pelegrino, que a transferiu, por venda, ao empresário Lóris Pasqual (in memoriam), em 2003. O capitel, solitário após a demolição da casa, resistiu. Ainda em 2002, ele foi considerado bem cultural, sendo inscrito no Livro de Tombo do Município como "patrimônio histórico".

Fonte: Divisão de Proteção ao Patrimônio Histórico e Cultural da Secretaria da Cultura

 
 
 

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