Tensão em Damasco10/05/2012 | 18h21

"Estamos cientes da ameaça terrorista que há aqui", diz militar brasileiro que presenciou ataque na Síria

Capitão de Mar e Guerra da Marinha, Alexandre Feitosa, integra missão de observadores da ONU

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"Estamos cientes da ameaça terrorista que há aqui", diz militar brasileiro que presenciou ataque na Síria SANA/AFP
Bombeiros tentam apagar chamas após explosões em Damasco Foto: SANA / AFP
Capitão de Mar e Guerra da Marinha, o brasileiro Alexandre Mariano Feitosa presenciou o socorro às vítimas do ataque suicida que matou pelo menos 55 pessoas em Damasco, nesta quinta-feira. Ele está há mais de 20 dias na Síria e integra parte da missão de observadores das Nações Unidas, mobilizados para vigiar o cumprimento do cessar-fogo no país. A medida entrou em vigor no dia 12 de abril.

Praticado a 1h desta quinta-feira (horário local), o duplo ataque espalhou o caos e a desolação no bairro de Qazzaz, no sul de Damasco, suscitando uma onda de condenação internacional. A explosão dos dois carros-bomba já é considerada o atentado mais mortífero em quase 14 meses de revolta na Síria.

Por telefone, o capitão brasileiro concedeu entrevista a Zero Hora. Confira:

Zero Hora — O senhor estava no local das explosões?

Feitosa — O quartel general da missão fica a cerca de cinco quilômetros do local. Assim que escutamos as duas explosões, fomos ao lugar para observar. Foi um atentado de grandes proporções. Ficamos muito impressionados com a destruição causada. As agências estão dizendo que cerca de uma tonelada de explosivos foi utilizada. Foi uma destruição grande. Estamos cientes da ameaça terrorista que há aqui. É algo que, na nossa análise, já sabíamos que poderia e pode ocorrer.

ZH — Na quarta-feira, houve um atentado também a um comboio da ONU, em Daraa. Isso abalou o trabalho?

Feitosa — Eu não estava junto naquele episódio. Soldados que faziam a segurança dos observadores foram atingidos. O explosivo foi colocado na beira da estrada e o carro de segurança passou, acionando o dispositivo. Essas ameaças já foram visualizadas por nós. Sabemos que existem e que podem ocorrer. Temos de implementar medidas de segurança efetivas. Claro que geram maior preocupação, mas fazem parte do contexto do ambiente que a gente opera.

ZH — Quem são os responsáveis pelos ataques?

Feitosa — Não sabemos. Acompanhamos as investigações das autoridades, mas não temos certeza da autoria deles. É prematuro chegar a qualquer conclusão.

ZH — Qual o tamanho da missão neste momento?

Feitosa — Amanhã (sexta-feira), estaremos em 150 observadores e 300 até o final de maio. Além de Damasco, estamos com times em várias cidades: Daraa, Homs, Hama, Idlib e Aleppo. Hoje à noite, estão chegando mais sete brasileiros da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, e na semana que vem, mais quatro.

ZH — Esta semana, o ex-secretário-geral da ONU se mostrou bastante assustado com o aumento da violência na Síria e disse que o plano de paz é a última chance do país. Há chances desse plano funcionar?

Feitosa — Como observador militar, penso que sempre há esperança. Temos de acreditar que seja possível chegar a uma solução que proporcione paz.

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