Marcos Kirst: Grato por não ser Neymar - Cotidiano - Pioneiro

Opinião03/10/2016 | 15h03Atualizada em 03/10/2016 | 15h03

Marcos Kirst: Grato por não ser Neymar

Gostaria muito de ter a conta bancária do Neymar sem ter de ser o Neymar

Não deve ser fácil ser o Neymar. Eu não queria ser ele e não sou. Ainda bem. Obrigado, Universo, por eu não ser o Neymar. Particularmente, admiro pouco o Neymar enquanto jogador de futebol e menos ainda enquanto exemplo de figura pública. Mas tem uma ou duas coisas nele que eu admiro. A conta bancária do Neymar, por exemplo, é uma delas. Talvez a única delas. Gostaria muito de ter a conta bancária do Neymar sem ter de ser o Neymar, mas é preciso ser o Neymar para ter a conta bancária do Neymar e isso, decididamente, eu passo.

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Não quero ser o Neymar porque fico aqui pensando, ao observar as minhas pantufas repousadas sobre o pufe da sala: não deve ser fácil ser uma celebridade. O problema de ser celebridade é que a imprensa transforma em notícia todo ato que a pessoa célebre pratica, por mais banal e prosaica que essa ação seja. Daí fica difícil segurar a onda. O Neymar, dia desses, por exemplo, inventou de postar na internet um vídeo em que está sentado a um piano, cantando. Bastou para que a notícia viralizasse e as pessoas se digladiassem discutindo as qualidades canoras dele. Há quem diga que Neymar, enquanto cantor, é um ótimo jogador. Há quem diga o contrário: Neymar, enquanto jogador, é um ótimo cantor. E há quem diga que é sofrível em ambas as atividades. Eu não digo nada porque não me dignei a abrir o vídeo. Se não assisto a partidas em que ele joga, também não vou ficar ouvindo-o cantar, mesmo que eventualmente esteja perdendo de escutar um novo Pavarotti. Azar o meu. Ou não.

O fato é que Neymar não está almejando se lançar em uma temerária carreira artística. Nada disso. Ele apenas gravou um vídeo de brincadeira em casa, com amigos. Como você faz ou faria. Como eu faria, fiz ou farei. Só que você e eu não somos Neymar (de minha parte, um alívio, reitero) e as brincadeiras que gravamos em vídeo pouco interessam às massas e à imprensa. Não somos celebridades. Nossos divórcios não enlouquecem a mídia como no caso de William Bonner e Fátima Bernardes, Brad

Pitt e Angelina Jolie. Nossas desafinadas ao piano em casa não geram manchetes (eu sequer tenho piano, no máximo, um violão emudecido há anos a um canto da sala).

Como não somos Neymar e nem celebridades, vivemos em nosso dia a dia o privilégio inerente às pessoas comuns: o de jamais esquecermos o que significa viver sendo gente normal, sem que nossas banalidades invadam a privacidade dos outros. Ops, verdade madama, bem lembrado... Estou esquecendo das redes sociais... Retiro tudo o que escrevi...

 
 

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