Em tempos de distanciamento, Os Serranos se reinventam para levar as tradições na casa de todos gaúchos - Cidades - Pioneiro

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Tradição18/09/2020 | 08h30Atualizada em 18/09/2020 | 08h30

Em tempos de distanciamento, Os Serranos se reinventam para levar as tradições na casa de todos gaúchos

Sem salões lotados,  mas com baile

Em tempos de distanciamento, Os Serranos se reinventam para levar as tradições na casa de todos gaúchos Arquivo pessoal/Divulgação
Em tempos de distanciamento, Os Serranos se reinventam para levar as tradições na casa de todos gaúchos Foto: Arquivo pessoal / Divulgação

Misturar tradição com tecnologia não é fácil, mas a gauchada parece estar tirando de letra. Desde o surgimento dos eventos da Semana Farroupilha, em 1947, esta será a primeira vez que os Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) do Rio Grande do Sul não ficarão com os salões lotados para os tradicionais bailes e fandangos. Mas nem por isso os entusiastas da cultura local deixarão de comemorar a data embalados pelos ritmos gaudérios. Grupos musicais, que nesta época estariam rodando o Estado para fazer uma verdadeira maratona de shows, estão se virando de outras formas para levar a música gaúcha a todos os cantos do Rio Grande do Sul. O Pioneiro conversou com Edson Becker Dutra, gaiteiro fundador e vocalista do conjunto Os Serranos, para saber um pouco sobre como o grupo está se virando para manter as tradições em tempos de pandemia.

Pioneiro: Como vocês estão enfrentando esse período de isolamento e quais estratégias para manter a chama da tradição acesa nos gaúchos?
Edson Becker Dutra: Não está sendo fácil, nesta época já estaríamos na estrada há muito tempo. Em anos anteriores, chegamos a fazer 27 shows só no mês de setembro. Eram muitas viagens, muitas festas e sempre sendo muito bem recebidos pelo público. Sempre recebemos muito carinho e atenção das pessoas. Mas Os Serranos são pioneiros em muitas coisas, e se adaptar às novidades já faz parte de nós. Desde março, quando começou a pandemia e fizemos nosso último show presencial, passamos a nos organizar para fazer lives. A primeira já foi dia 10 de maio e de lá pra cá aprendemos muito. Já fizemos várias outras apresentações e tem sido uma experiência muito interessante. Essa é a forma que encontramos de manter essa chama acesa.

Esse momento é também de oportunidades?
Sim, é de muito aprendizado. Tivemos um grande sucesso na primeira live e desde lá aprendemos muitas coisas técnicas sobre esse tipo de transmissão. Eu, por exemplo, tive pela primeira vez a oportunidade de cantar junto ao meu filho para o público, mesmo que tenha sido um público virtual. Além disso, nos demos conta que a internet proporciona uma visibilidade muito grande à música gaúcha. Até então, tínhamos poucas oportunidades fora daqui, mesmo a nossa música sendo tão brasileira quanto as demais. Com a internet, o alcance é muito maior e as canções e a cultura regional chegam a todo o país.

Como fica a relação do artista com o público sem a proximidade física?
É muito difícil, mas estamos aprendendo. Tu tens que usar a imaginação, fazer de conta que estás sendo prestigiado ao vivo. Às vezes, nossos assessores, que cuidam as transmissões, dão um retorno dizendo quantos estão nos assistindo, de onde são. Sinto carência do publico. As pessoas também, elas perguntam quando os eventos voltarão. Mas nesse período temos que estar unidos, mesmo que distantes. Eu encontro motivação de seguir pelo profissionalismo. Já estou acostumado com adversidades, nosso grupo está acostumado, e é preciso ter muito gosto pelo que se faz para ultrapassar esses momentos. Tocar sem público é um baita desafio, mas imaginando que eles estão ali, relembrando as plateias, fica mais fácil.

Piquetes virtuais viram alternativa para manter a tradição gaúcha

Tradição combina com tecnologia?
Com certeza. E aqui não falo só da internet, mas de toda tecnologia que vamos agregando ao tradicionalismo há décadas. Desde a iluminação do palco dos shows, passando pelos equipamentos mais modernos, telões, entre outros. Os Serranos são pioneiros em muitas dessas coisas. Mas tudo isso só funciona se mantermos intactos os alicerces da nossa tradição, das nossas raízes. Desde a saudação ao público, passando pelas vestimentas e escolha das músicas, tudo isso precisa estar conectado com os costumes, com a história do Rio Grande do Sul. As evoluções precisam acontecer porque o próprio nome é Movimento Tradicionalista Gaúcho. Se fosse algo estático, não evoluiria junto com a sociedade. A cultura não tem limites, mas ela precisa ser norteada por alguns alicerces. Neste caso, os da tradição gaúcha.

O MTG vem promovendo uma série de eventos digitais. Essa novidade veio para ficar ou passa junto com a pandemia?
Essa mídia é importantíssima, e agora entendemos isso mais do que nunca. Mesmo quando a pandemia passar, temos que cuidar para manter todos esses canais de divulgação. Se a tradição quiser se manter viva, ela tem que caminhar de mãos dadas com a evolução. Quem disse isso foi Paixão Cortes há muitas décadas. Ele queria que os valores fossem cultivados de qualquer forma. E é neste sentido que estamos construindo nossa trajetória.

 
 
 

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