Região com mais casos e 77% das UTIs ocupadas: o que colocou a Serra em bandeira vermelha - Cidades - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

Aumento do risco13/06/2020 | 19h05Atualizada em 13/06/2020 | 19h05

Região com mais casos e 77% das UTIs ocupadas: o que colocou a Serra em bandeira vermelha

Mudança na avaliação feita pelo governo estadual busca evitar o esgotamento de leitos

Região com mais casos e 77% das UTIs ocupadas: o que colocou a Serra em bandeira vermelha Governo do Estado / Divulgação/Divulgação
Foto: Governo do Estado / Divulgação / Divulgação

A Serra é a região que mais tem casos de coronavírus no Rio Grande do Sul, com 2.762 confirmados, segundo o levantamento da Secretaria Estadual de Saúde (SES). O cenário é mais favorável quando a comparação é feita por população, onde a região aparece em quarto no Estado, com uma taxa de 225 casos para cada 100 mil habitantes. 

Com 53 mortes por covid-19, a Serra fica atrás das regiões de Porto Alegre (78) e Passo Fundo (53). O que mais preocupa, contudo, são os leitos hospitalares. A região está com uma ocupação de 77,2% das Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) — são 149 pacientes nos 193 disponíveis pelo SUS ou setor privado. Esse indicador é importante para a classificação de bandeiras, que define as restrições no comércio e indústria.

Leia mais
Coronavírus: acompanhe os casos confirmados na Serra

No anúncio deste sábado (13), que colocou a Serra em situação de bandeira vermelha, junto com as regiões de Santo Ângelo, Santa Maria e Uruguaiana, o governo estadual alertou para o elevado crescimento das hospitalizações confirmadas para covid-19 na Serra. Em duas semanas, os registros passaram de 23 para 63 internações. Este aumento de 173,9% é um indicador de nível de bandeira preta — mesmo sem considerar a alteração na faixa de corte feita nesta semana.

Com relação ao número de pacientes covid-19 em leitos de UTI, a bandeira do indicador passou de laranja para preta. Essa elevação se deve tanto à redução na faixa de corte do indicador quanto ao aumento de 31 para 44 internados entre as duas últimas sextas-feiras.

O indicador de leitos de UTI livres dividido pelos leitos de UTI ocupados por pacientes covid-19, mensurado para a macrorregião, foi o pior apresentado no Estado. A Serra foi a única a apresentar bandeira preta nesse indicador — na sexta-feira (12) havia 0,75 leito de UTI adulto livre para cada leito de UTI adulto ocupado por Covid na região.

Como esse indicador reflete a capacidade de atendimento, o alerta é bastante expressivo, apontando para uma possível necessidade de transferência de pacientes para outras macrorregiões.

Na divisão estabelecida pelo governo estadual, 49 municípios compõem a região que tem Caxias do Sul como referência. Desses, 37 confirmaram casos de coravírus e 12 cidades já registraram mortes pela covid-19. O dado estadual é diferente daquele anunciado pelas prefeituras. 

O levantamento dos números municipais feito pela reportagem do Pioneiro aponta que haviam 3.179 casos de coronavírus confirmados até as 17h30min deste sábado (13) nessas 49 cidades.

Mudança nos critérios levou a bandeira vermelha

Dos 11 indicadores levados em conta para classificar regiões, o Palácio Piratini alterou quatro (veja a seguir) e apertou o ponto de corte em sete. A decisão desta semana levou a Serra a ser classificada pela primeira vez com a bandeira vermelha, o que foi anunciado neste sábado.

A partir de agora, o Estado também irá projetar o números de mortes nas semanas seguintes em vez de olhar para estatísticas de dias anteriores – a ideia é se antecipar a um possível esgotamento de leitos e evitar um olhar atrasado da pandemia, uma vez que normalmente uma pessoa leva semanas entre se infectar e falecer.

Segundo Leany Lemos, coordenadora do Comitê de Dados, análises do governo indicavam que, em alguns cenários, o modelo aplicaria bandeira vermelha somente 15 dias antes de todos os leitos de UTI estarem ocupados na região – e somente dois dias antes de identificar uma zona de bandeira preta. 

— O objetivo de fazer a revisão é reduzir o risco de esgotamento e promover segurança — disse Leany.

Outra variação importante é que as regiões que atingirem as bandeiras vermelha ou preta seguirão duas semanas, em vez de uma, na classificação, sofrendo as respectivas sanções. Assim, o sistema de saúde local terá mais tempo para se recuperar antes de voltar a tratar pacientes.

A partir da revisão de indicadores e de gatilhos de segurança, as regiões que atingiram a bandeira vermelha precisam de duas semanas consecutivas em bandeiras menos elevadas — amarela ou laranja — para efetivamente obter a redução na classificação.

Segundo o governo estadual, as regiões com situação de bandeira vermelha não poderão ter regras mais brandas que as estipuladas nos decretos estaduais, portarias da saúde e protocolos segmentados. A flexibilização disposta no Distanciamento Controlado aos municípios é permitida apenas em situações de bandeiras amarela e laranja. No caso de medidas mais restritivas, os municípios podem adotar.

Mudanças em quatro indicadores

Óbitos por covid-19
Antes:
mortes dos últimos sete dias/100 mil habitantes
Agora: projeção de mortes nos próximos 14 dias com base nos últimos sete dias e na variação de pacientes covid-19 em UTIs 

Indicador de leitos de UTI por macrorregião
Antes:
leitos livres na sexta-feira/100 mil idosos
Agora: leitos livres na sexta-feira/leitos ocupados por covid-19

Indicador de leitos de UTI no Estado
Antes:
leitos livres na sexta-feira
Agora: leitos livres/leitos ocupados por covid-19

Doentes ativos com coronavírus
Antes:
casos ativos na sexta-feira/recuperados nos últimos 50 dias
Agora: casos ativos na última semana/recuperados nos últimos 50 dias antes do início da semana

Gatilhos de segurança

1) Trava para baixar risco de bandeira
Antes:
registrar até cinco novas internações por covid-19 nos últimos 14 dias
Agora: registrar até três novas internações por covid-19 nos últimos 14 dias

2) Permanência em bandeiras
Antes:
região permanecia uma semana em bandeiras vermelha ou preta antes de reclassificação
Agora: região permanece duas semanas em bandeiras vermelha ou preta antes de reclassificação

Leia Também
"Eu pediria um voto de confiança", diz Carlos Eduardo sobre desafio no Juventude
Chuva dos últimos dias favorece recuperação de nascentes e beneficia agricultura
Feriado é o melhor momento para o setor de hotéis e restaurantes da Serra desde que começou a pandemia 

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros