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Coronavírus13/06/2020 | 20h21Atualizada em 13/06/2020 | 20h51

Como prefeituras da Serra reagiram ao anúncio da bandeira vermelha

Classificação determina o fechamento do varejo não essencial e diversos serviços

Como prefeituras da Serra reagiram ao anúncio da bandeira vermelha Governo do Estado/
Foto: Governo do Estado

A situação de bandeira vermelha na macrorregião da Serra, anunciada pelo Governo do Estado no início da noite deste sábado (13), exige movimentações das prefeituras. As medidas mais rígidas de distanciamento social, que incluem o fechamento do comércio não essencial e de diversos serviços, já valem a partir de segunda-feira (15) para os 49 municípios que compõe a divisão estadual.

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Por meio da assessoria de imprensa, a prefeitura de Caxias do Sul respondeu que irá acatar o regramento estadual e que uma reunião do Gabinete de Crise na segunda-feira (15) deve avaliar as medidas necessárias. O comunicado aponta que "o que muda, já a partir de segunda-feira, está no Protocolo Estadual - Todos os Setores".

O prefeito de Bento Gonçalves, Guilherme Pasin (PP), irá  reunir a equipe no domingo (14) para analisar a situação. Em pronunciamento, afirmou que "os critérios podem ser questionáveis, mas o mérito, que é a defesa da vida, é soberano".

A secretária de Saúde de Farroupilha, Vanessa Zardo, admitiu que a bandeira vermelha já era esperada e que um novo decreto municipal deverá ser publicado na segunda-feira (15), seguindo as determinações do governo do Estado.

— Temos acompanhado os decretos do Estado e tínhamos conversado que poderia acontecer em virtude do aumento do número de casos e da ocupação dos leitos de UTI. Não temos como ficar fora da região. É uma pena porque estávamos tentando manter o controle em relação à pandemia. A fiscalização estava a todo vapor. Já conversei com o procurador para alinhar nosso decreto ao estadual — aponta.

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O prefeito Lidio Scortegagna (MDB), de Flores da Cunha, admitiu ficar sabendo da nova classificação pelo noticiário. Ele afirmou que iria entrar em contato com os secretários municipais para, ainda neste domingo (14), elaborar um plano de ação.

— Ficamos sabendo agora, pelo noticiário. São várias restrições, com fechamento de comércio e serviços, e iremos seguir a normativa do Estado. Faremos as adaptações para não correr mais riscos. Percebemos que nos últimos 15 dias tivemos um acréscimo considerável (em Flores), apesar de ainda termos poucos casos. Era uma preocupação o número crescente, e se confirmou com a troca da cor da bandeira. Temos que amenizar os problemas na região — afirma.

Já o prefeito de Vacaria, Amadeu Boeira (PSDB), questionou a determinação de bandeira vermelha para toda a região e opina que ela irá piorar a situação econômica das cidades. Ele afirma que sua assessoria jurídica está analisando uma liminar do STF para ver quais ações o município pode tomar.

— Temos três casos no hospital e nenhuma na UTI. Iremos fechar tudo e prejudicar a economia? Vamos ter que fazer, mas irá desempregar mais pessoas. Já está difícil a situação. Estamos estudando com o nosso jurídico para tomar as medidas na segunda-feira. E estamos em contato com o governo do Estado. Mandei mensagem, mas não me responderam — disse Boeira.

O prefeito de Gramado,  João Alfredo de Castilhos Bertolucci (PDT), o Fedoca, também não considerou justa a bandeira vermelha em sua cidade. Ele afirma que irá acatar as medidas, porque com saúde pública não se brinca, mas que a medida atinge violentamente a cidade. Ele salienta que hotelaria a 40% é praticamente inviável.

— Com todo respeito, mas Gramado não fez nada para merecer isso. É uma das cidades mais bem apetrechadas na questão de vigilância sanitária e protocolos. Daí, se vê blindado com isso. A resposta dos empresários é terrível, meu telefone não para de tocar. Eles me perguntam onde estão errando, e só posso dizer que não estão errando. Não houve mau comportamento na cidade. Não fizemos nada para merecer, mas não temos o que fazer. Os decretos de Gramado estão revogados pelo estadual, só nos resta cumprir o regramento hierárquico. Não vejo saída a priori — analisa Fedoca.

Presidente da Amesne questiona falta de parceria do Estado com municípios

A classificação em bandeira vermelha não foi bem recebida pelo prefeito de Cotiporã e presidente da Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste (Amesne), José Carlos Breda (PP). Ele afirma que faltou parceria do Governo do Estado com os municípios e um melhor compartilhamento das questões de combate ao coronavírus:

— Recebemos de forma desagradável. Quais foram as medidas orientando as regiões e quais as alternativas possíveis? Esperar o sábado para ver o que aconteceu e aplicar a bandeira não é legal. Até porque a maioria dos leitos não tem a ver com o coronavírus, pois há outras moléstias. Questiono a falta de diálogo e parceria com os municípios.

Breda também argumenta que em todos os anos as UTIs costumam ficar ocupadas nesta época de frio. Ele salienta que os principais municípios da região estavam buscando mais leitos hospitalares, entre outras diversas medidas adotadas contra pandemia, o que deveria ser uma resposta "mais que satisfatória diante do crescimento de todas as doenças". 

O prefeito de Cotiporã ainda aponta que, em razão da avaliação da macrorregião, sua cidade terá que fechar o comércio sem ter nenhum caso confirmado de coronavírus.

— Basicamente, (o problema) é em Bento e Caxias, mas toda região entra em colapso pela bandeira vermelha. Sempre acatamos (as decisões estaduais contra a pandemia), até porque estava existindo uma conciliação. Mas, não será passivamente. Poderá até ser um consenso aceitar, mas não digo que será de forma tranquila esta adesão. Não descarto avaliar um questionamento deste critério que levou a classificação — afirma o presidente da Amesne.

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