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Bandeira vermelha13/06/2020 | 22h45Atualizada em 13/06/2020 | 22h45

Comércio e indústria projetam cenário dramático a partir das novas restrições na Serra

Lideranças empresariais temem demissões e ainda mais dificuldades para sair da crise

Comércio e indústria projetam cenário dramático a partir das novas restrições na Serra Porthus Junior/Agencia RBS
Lojas do comércio voltarão a ficar fechadas a partir de segunda-feira, como estavam em 18 de abril Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

A migração da macrorregião de Caxias do Sul para a bandeira vermelha aumentou consideravelmente o desânimo na indústria, no comércio e nos serviços. Para lideranças, os setores vinham num momento de dificuldade, mas vislumbrando recuperação ainda para este ano. Agora, surge o mesmo suspense e indefinição que pairaram sobre os empresários durante o primeiro decreto de distanciamento social, quando houve o fechamento de fábricas e lojas no final de março. A diferença é que o novo movimento traz consigo a grave crise econômica que não havia antes da pandemia.

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Para o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simecs), Paulo Spanholi, a medida é válida e necessária para estancar o avanço do coronavírus e impedir o colapso na saúde, mas também representa um retrocesso e vai resultar em demissões. 

— Os micros, pequenos e médios estão numa situação difícil. As grandes empresas também têm seus problemas. É ruim para a indústria, mas por outro lado, devemos respeitar a questão da saúde. Tínhamos expectativa de recuperação para o próximo trimestre e acredito agora que não será mais possível — lamenta.

O presidente do Simecs também cita a complicada logística para se adaptar às novas regras. Conforme Spanholi, a maioria das empresas operava com até 50% do quadro funcional e algumas com 75%.

— A gente vinha com redução de pessoal e ter que voltar para trás não é muito fácil, é mais difícil fazer, tem que organizar tudo para acontecer. Tem toda uma estruturação com transporte público, alimentação, de desmontar ou remontar estrutura. Isso demanda tempo, dinheiro, valores, e as empresas têm um limite também para os gastos.

Embora considere a situação bem delicada, Spanholi frisa que as entidades serão parceiras para equipar hospitais e apoiar o poder público. Ele se mostra preocupado com a pandemia, pois, no seu entendimento, o cenário indica que estamos longe do pico.

— Tem muitas pessoas nas ruas, muitos sem máscaras. Todos os setores precisam tomar cuidados, algo que a indústria fez. Se todos o tivessem feito, as consequências seria diferentes. 

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A presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Caxias do Sul (Sindilojas) também reforça a preocupação com o freio na retomada dos negócios.

— Era previsto meio que politicamente (a bandeira vermelha), mas não acredito que seria necessário, mas decreto é decreto e o governo do Estado tem a palavra final. Preservar a vida é importante. Só que será difícil preservar negócios. Agora que tinha engrenado, estava dando a volta, ninguém acreditava que viria a bandeira vermelha — diz Idalice Manchini.

Em nota, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Caxias diz lamentar a decisão do governo do Estado. A entidade destaca que 60% dos 4,3 mil associados da CDL Caxias do Sul são micro e pequenos empreendimentos e que deverão ser os mais afetados com a alteração de bandeira. Segundo o comunicado, a entidade diz que "tem trabalhado em conjunto com outras associações representativas dos segmentos econômicos e com o poder público municipal no sentido de minimizar o impacto do fechamento do comércio e serviços. Também reforça a continuidade deste trabalho de defesa dos setores de comércio e serviços e os efeitos negativos que esta decisão trará."

Conversa com prefeito

Ivanir Gasparin, presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias buscará uma conversa com o prefeito Flávio Cassina. A ideia é ver como o Executivo caxiense pode impedir o que os empresários enxergam como catástrofe.

— Sabemos que a saúde vem em primeiro lugar, isso não se discute, mas realmente a nossa economia está numa situação muito complicada, não sei nem o que dizer. Já recebi diversas ligações, quase que diria todos estão num desespero, e não tenho resposta. Pior que vejo pessoas nas redes sociais comemorando. Ninguém aqui está querendo tirar vidas, pelo amor de Deus, mas quem vai pagar a conta, como se faz para pagar a conta. É preciso ficar em casa, mas como ficar sem recursos financeiros — questiona Gasparin. 

Orientações

Os sindicatos patronais já repassaram orientações sobre como será o funcionamento do comércio e da indústria a partir de segunda-feira. No caso do Sindilojas, o comunicado deixa claro que não é possível prever por quantos dias a bandeira vermelha vai permanecer porque a definição dependerá do comportamento do contágio e da capacidade de atendimento da rede hospitalar. A entidade pede que os comerciantes que tenham dúvidas sobre as novas regras que entrem em contato pelos telefones (54) 4009.5517, (54) 99700.2555 ou pelo e-mail juridico@sindilojascaxias.com.br.


 
 
 

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