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Pandemia26/05/2020 | 15h00Atualizada em 26/05/2020 | 15h16

Na Inglaterra, biomédica caxiense ajuda a desenvolver novo teste para enfrentar covid-19

Paula Boeira, estudante de doutorado em Plymouth, destaca que profissionais da saúde são tratados como super-heróis no Reino Unido

Na Inglaterra, biomédica caxiense ajuda a desenvolver novo teste para enfrentar covid-19 University of Plymouth/Divulgação
Paula Boeira, 31, reside há três anos na Inglaterra, onde faz doutorado na universidade de Plymouth Foto: University of Plymouth / Divulgação

Na cidade portuária de Plymouth, na Inglaterra, um grupo de pesquisadores da universidade local atua num projeto que pode oferecer respostas importantes no combate a covid-19. O estudo consiste na coleta de amostras de sangue de pessoas infectadas pelo coronavírus para, com o acompanhamento da evolução da doença, verificar possíveis padrões de alteração no sangue que permitam prever, em estágio inicial, quem provavelmente terá sintomas respiratórios graves associados ao vírus. Na linha de frente da pesquisa, analisando as amostras que chegam ao laboratório, estão um norte-americano e uma brasileira. Esta, uma biomédica nascida e criada em Caxias do Sul.

Paula Boeira, 31 anos, é formada em Biomedicina pela Universidade Feevale e deu sequência à vida acadêmica na Europa, vivendo na Holanda e, desde 2017, na Inglaterra. Estudante de doutorado da University of Plymouth com foco em doenças de fígado, entrar numa pesquisa sobre o coronavírus foi um desafio tão inesperado quanto gratificante. 

— Nunca tinha imaginado passar por isso, até pelo fato de doenças respiratórias não serem a minha área, mas é muito bom saber que estou usando minha experiência em prática laboratorial para ajudar o mundo nesta situação horrível. É arriscado, porque temos que pegar ônibus, frequentar hospital, lidar com sangue contaminado, mas ao mesmo tempo é recompensador —  conta Paula, que morou em Caxias até os 19 anos.

Biomédica caxiense Paula Boeira, pesquisadora da University of Plymouth, participa de pesquisa que busca desenvolver teste para detectar propensão a sintomas graves em pacientes com Covid-19.<!-- NICAID(14507556) -->
Foto: University of Plymouth / Divulgação

Intitulada Marcadores Imunológicos no Prognóstico de Covid (tradução livre para Immune Biomarkers of Outcome from Covid), a pesquisa já foi aplicada em pouco mais de 30 pacientes que deram entrada no hospital universitário. Num prazo de três meses, dos quais já transcorreram duas semanas, é preciso chegar a 200 amostras, que irão permitir um resultado confiável. 

—  A gente está vendo diferenças nos marcadores imunológicos mas não posso falar nada mais do que isso, porque ainda é muito cedo — comenta.

Sobre morar no segundo país mais afetado na Europa pela pandemia, que iniciou a semana com mais de 130 mil casos e mais de 27 mil mortes (só na Inglaterra, pois todo o Reino Unido soma mais de 32 mil), Paula diz que os sentimentos são contrastantes. De um lado, destaca o reconhecimento e apoio aos trabalhadores, em especial os profissionais da saúde, vistos e tratados como super-heróis.

— O país está apoiando muito os trabalhadores da área da saúde, que estão se arriscando todos os dias. Toda quinta-feira, às 20h, todos saem até a porta de suas casas para bater palmas, as crianças penduraram arco-íris nas janelas para agradecer. É comum as pessoas deixarem presentes na porta do apartamento, como agradecimento. Temos ônibus de graça, descontos em supermercado, é uma ajuda muito grande. 

Por outro lado, negativo, Paula faz uma crítica à flexibilização precoce da quarentena pelo governo e o consequente relaxamento da população quanto ao isolamento. 

—  As pessoas estavam seguindo a quarentena super bem, mas, infelizmente, há duas semanas o primeiro-ministro (Boris Johnson) flexibilizou as regras e agora está todo mundo saindo para a rua, se vendo sem distanciamento...isso é muito triste, porque claramente era muito cedo pra fazer isso. 

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