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Coronavírus06/04/2020 | 17h23Atualizada em 06/04/2020 | 18h41

Com poemas declamados por meio de carro de som, estudantes quebram a rotina do isolamento social em Veranópolis

Atividade à distância envolveu cerca de 150 famílias

Com poemas declamados por meio de carro de som, estudantes quebram a rotina do isolamento social em Veranópolis Escola Avaec/Divulgação
Alunos gravaram áudios separados, que foram editados e unidos numa só gravação difundida por meio de alto-falantes Foto: Escola Avaec / Divulgação

Os estudantes da Escola Avaec até podem estar confinados em casa, mas suas vozes estão sendo ouvidas com frequência nos bairros de Veranópolis. O projeto Poemas na Rua consiste em transmitir a declamação de obras de autores brasileiros por meio de um carro de som. A ação surgiu das aulas de Literatura da professora Maura Coradin Pandolfo e faz parte dos esforços da escola para reduzir o impacto da pandemia de coronavírus na comunidade. 

As mensagens foram gravadas pelos alunos e seus familiares há cerca de 10 dias e ganharam as ruas a partir de quinta-feira, dia 2. A ideia foi desenvolvida a partir de conceitos do programa Escola da Inteligência, que consiste em trabalhar a gestão emocional dos alunos. Entre as atividades à distância, as turmas do 5º a 9º ano do Ensino Fundamental receberam cinco poemas clássicos. Cada estudante tinha a incumbência de gravar uma estrofe e remeter o áudio para a escola por meio do WhatsApp. A gravação podia ter a participação de familiares. 

Confirma momento em que carro de som passa por rua de Veranópolis:

A atividade mobilizou 150 famílias, mas ninguém sabia o propósito final. Na quinta-feira, veio a surpresa. Cada estrofe foi editada e unida para formar os poemas completos. Desde então, o  carro de som percorreu diversas ruas sempre das 17h às 19h para irradiar arte e as vozes de crianças, adolescentes e adultos.

- Teve avó, teve pai ou mãe que gravou. A ideia era fazer com que o aluno mantivesse o contato com a literatura e envolvesse a família. Foi para trazer coisas boas, pois o que se ouve é sempre negativo - conta a diretora-geral da Avaec, Cleciane Moro.

 A demonstração de carinho ajudou a aliviar a tensão psicológica provocada pelo isolamento da população.

- Inicialmente só dividiram os poemas para que cada aluno ou familiar gravasse um pedacinho. Não sabíamos o que ia ser feito. Foi uma grata surpresa. Além de ser uma forma de eles se sentirem mais próximos, em uma só voz, rendeu os frutos para esse Poemas na Rua, que está sendo muito bonito, muito aguardado pelas crianças. Meu filho fica na porta esperando passar o carro de som - conta Alessandra Borghetti Cardoso, 44 anos, mãe de Gabriel, 10, aluno do 5º ano da Avaec. 

Professor Jony Piovesan, da Escola Avaec, de Veranópolis, está confeccionando protetores faciais para profissionais da saúde e de outros serviços essenciais.<!-- NICAID(14470244) -->
Professor Jony Piovesan coordenada produção de protetores faciaisFoto: Arquivo pessoal / Divulgação

Impressora da escola virou linha de produção de protetores

Em outra frente, a comunidade da Avaec lidera a fabricação de protetores faciais para a área da saúde e outros serviços essenciais. A escola redirecionou uma impressora 3D antes reservada para os trabalhos dos estudantes e montou uma linha de produção com a ajuda de doações e voluntários. O material é confeccionado por um grupo sob a coordenação do professor de Física Jony Piovesan. São três equipes atuando em diferentes moradias. Jony e sua esposa Alexandra são responsáveis por parte da produção. A Procut Design e a Line Impressão 3D atuam em outras frentes. Juntos, os grupos conseguem produzir quase 30 protetores todos os dias. 

- Transferi a impressora da escola, que usávamos no laboratório Maker, para a minha casa. Minha esposa me ajuda em casa e outros duas pessoas fazem o mesmo à distância com suas impressoras - explica o professor.

Os protetores são doados para a rede municipal de saúde da cidade e o grupo já recebeu pedidos de municípios vizinhos e de funerárias. Cada equipamento tem um custo aproximado de R$ 9, por isso o maior desafio é arranjar o papel de acetato e o plástico PLA, que são a matéria-prima. A comunidade de Veranópolis já fez doações, mas como a expectativa é fabricar mais de 350 unidades, ainda será preciso mais apoio.

- Estamos pedindo para quem puder nos ajudar - apela Piovesan.

Interessados podem contatar pelo e-mail: jpiovesan@live.com

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