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Educação12/03/2020 | 11h14Atualizada em 12/03/2020 | 11h14

Sem repasse de verba, escolas têm dificuldade de oferecer merenda aos alunos em Caxias 

Falta de professores e alimentação adequada motivou protesto na manhã desta quinta na Escola Apolinário

Sem repasse de verba, escolas têm dificuldade de oferecer merenda aos alunos em Caxias  Alana Fernandes / agência RBS/agência RBS
Alunos da Escola Estadual Ensino Médio Prof° Apolinário Alves dos Santos protestaram nesta quinta-feira Foto: Alana Fernandes / agência RBS / agência RBS

Um grupo de cerca de 20 alunos protestam em frente à Escola Professor Apolinário Alves dos Santos, no bairro Sagrada Família, em Caxias do Sul, na manhã desta quinta-feira (12). Eles pedem a regularização da grade de professores e a oferta adequada de merenda. Eles utilizam cartazes com escritas como "a educação vale a pena". Não há obstrução ao trânsito no local. 

Conforme a direção da escola, há falta de seis profissionais para as disciplinas de educação física, física, espanhol e química. Diante do déficit de profissionais, os estudantes são liberados mais cedo. Nesta quinta, por exemplo, houve aula até as 10h. 

— A nossa situação está precária, não estamos mais aguentando. Hoje (quinta) só tivemos dois períodos. No restante ficamos sem aula. E precisamos ter essas aulas completas porque pretendemos fazer o Enem — diz a estudante Estela Barth. 

Em relação à merenda, a escola conseguiu oferecer alimentação completa nos primeiros dias do ano letivo. Desde o dia 2, no entanto, os estudantes foram orientados a levar lanche de casa, porque a instituição está conseguindo fornecer apenas banana e maçã.

— É muito complicado. É uma situação caótica. Mas não temos o que fazer, temos que esperar que a verba (do Estado) seja depositada — explica a vice- diretora da tarde Carine Gheno.

— A gente espera que a situação (da merenda) se normalize em duas ou três semanas. Mas o mais grave é a situação dos professores, porque os alunos estão sem aula e saem mais cedo. Outro problema que tivemos foram os profissionais que aderiram à greve no ano passado. Eles tiveram que cumprir as férias. Temos professores de inglês, por exemplo, voltando somente essa semana — completa a diretora Marili Rigon Zandoná. 

Conforme a titular da 4ª CRE,  Viviani Devalle, algumas contratações de professores para a escola já estão encaminhadas. 

— Para algumas disciplinas, como espanhol, está difícil pela falta de profissionais inscritos. Estamos fazendo uma força tarefa para agilizar. Porém, o fluxo de atendimento é muito grande. Até ontem (terça-feira) havíamos liberado 47 contratações. Acredito que até o final de semana vamos aumentar esse número. Importante ressaltar que, neste ano, do primeiro ao quinto ano, não faltou nenhum professor na rede estadual — argumenta Viviani.

Na São Caetano, verba do CPM auxiliou na compra da merenda

Situação semelhante ocorre na Escola Estadual de Ensino Médio São Caetano. A instituição está utilizando recursos do Círculo de Pais e Mestres (CPM) para oferecer merenda aos estudantes desde o início do ano letivo, no dia 19 de fevereiro. O estoque de alimentos que sobrou do ano passado também está sendo usado para alimentar os quase 800 alunos que estudam na escola do bairro Bom Pastor. 

Na segunda-feira (9), um bilhete, que seria encaminhado pela direção da escola aos pais solicitando que aos alunos que levassem seus próprios lanches ganhou repercussão nas redes sociais. O material explicava que "a verba para aquisição de gêneros alimentícios para a merenda escolar de 2020 não foi enviada pela mantenedora". O recado pedia também que o envio da alimentação pela família ocorresse a partir desta quarta-feira.

A diretora da escola, Roberta Moares, explica que o bilhete não chegou a ser encaminhado aos alunos. A orientação havia sido publicada, de acordo com a diretora, em um grupo de conversas do CPM. Diante da repercussão e por recomendação da 4ª CRE, o bilhete não foi encaminhado aos pais.

— É uma coisa que as escolas fazem no início do ano (solicitar o lanche de casa), porque a primeira parcela para a compra (verba do Estado) demora para vir — justifica Roberta.

Ainda segundo ela, o recurso do CPM foi utilizado para a compra de itens para complementar o cardápio, como leite.

— Compramos o que precisava para fazer o lanche. Temos bastante coisa que sobrou do ano passado, como feijão e arroz — explica a diretora.

A titular da 4ª CRE explica que não foi procurada pela direção da Escola São Caetano para tratar sobre o problema de falta de recursos para a merenda. Ela disse que soube por meio das redes sociais. Sobre a situação do Apolinário, Viviani diz que se reuniu com a diretora na tarde de quarta-feira (11), e que "faltam apenas alguns itens da merenda".

— Eu conversei com a diretora (do São Caetano) e ela me disse que era um hábito, que sempre nessa época enviava um bilhetinho para que os pais colaborassem. Porém isso tomou uma proporção muito grande. Pedi que ela recolhesse os bilhetes, pois não há falta de merenda — diz Viviani.

A titular da 4ª CRE afirma que o processo de compra de merenda da rede estadual está empenhado e deve ser pago até o final da semana, resolvendo o problema das duas escolas:

— São questões pontuais, não é um problema em toda a rede.

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