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Memória16/03/2020 | 07h00Atualizada em 16/03/2020 | 07h00

O paraíso do vinho no bairro São Pelegrino

Complexo da Sociedade Brasileira de Vinhos abrangia área da Avenida Rio Branco e da Rua Machado de Assis, onde hoje situa-se o shopping Bourbon San Pellegrino 

O paraíso do vinho no bairro São Pelegrino Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação/Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
A Sociedade Brasileira de Vinhos captada a partir da Rua Machado de Assis. À esquerda, a Avenida Rio Branco Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Dando sequência à trajetória da Sociedade Brasileira de Vinhos, destacamos detalhes da estrutura fabril junto à Avenida Rio Branco – onde hoje situa-se o Bourbon San Pelegrino. Ocupando uma área de 7.500 m², o conjunto era formado por quatro pavilhões em alvenaria e um enorme barracão em madeira, onde funcionava a tanoaria. Porém, conforme destacado pelo antigo diretor Amélio Baldisserotto na reportagem do Pioneiro de 19 de maio de 1984, a empresa não surgiu exatamente ali.

"O primeiro local de instalação da Sociedade Brasileira de Vinhos foi na antiga residência de sua família, localizada na Rua Os Dezoito do Forte, em frente à Praça da Bandeira. Posteriormente, mudou-se para a Avenida Rio Branco, adquirindo um dos prédios do Banco Porto-Alegrense, que faliu na década de 30. As outras dependências foram adquiridas no decorrer das atividades, sendo que o último pavilhão é do início do século (passado)".

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O texto de 1984 trazia outros detalhes interessantes desse antigo pavilhão:

"(Ele) contém, no seu interior, corredores e escadarias em pedra, além das primeiras piletas do Rio Grande do Sul, construídas pelo técnico italiano Steffano Paterno, que veio da Itália especialmente para trabalhar na formação de cooperativas. Segundo (Enesto) Bernardi, estas piletas (tanques) foram feitas para fermentação e conservação do vinho. Entretanto, nunca chegaram a vir da Itália os vidros especiais para o revestimento das mesmas. Por isso, foram parafinadas, ficando o seu uso restrito à fermentação". 

Outra parte da área foi adquirida de uma antiga fábrica de móveis de Galleano Zuardo. Em 1984, ano do encerramento das atividades, as instalações incluíam ainda um laboratório, uma tanoaria, dotada de equipamentos de valor histórico, e um terceiro pavilhão,"bastante antigo, onde se encontram as câmaras frias utilizadas na época em que a produção da champanha era significativa". 

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A Rua Machado de Assis

Na imagem acima, uma rara imagem do enorme complexo da Sociedade Brasileira de Vinhos, por volta de 1950. Captada a partir da Rua Machado de Assis, a foto permite visualizar a tanoaria e vários dos pavilhões que compreendiam a empresa, além da chaminé e parte da Vinícola Santo Antônio (ao fundo, à direita). 

À esquerda, a Avenida Rio Branco, em direção à Vinícola Mosele, outro ícone do entorno que sucumbiu para dar lugar ao prédio da Receita Federal. Mais ao fundo, parte do telhado de mais um símbolo desaparecido do trecho: o casarão de madeira da família Casara, na esquina com a Olavo Bilac, destruído por um incêndio em maio de 2018.

Abaixo, outros registros do interior da fábrica.

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Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

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Ocaso em 1984

Nas reproduções abaixo, a antiga página semanal de Memória do Pioneiro, destacando, a história, o auge e o abandono dos prédios da Sociedade Brasileira de Vinhos. O material foi publicado na edição de 19 de maio de 1984.

Foto: Jornal Pioneiro / reprodução
Foto: Jornal Pioneiro / reprodução

Alerta no Colégio La Salle

Em 1987, três anos após o fechamento da empresa, alunos da turma 102, primeira série do Segundo Grau, do Colégio La Salle realizaram um trabalho visando chamar a atenção para a preservação da vinícola, a uma quadra da escola. A iniciativa, coordenada pelo professor da disciplina Educação Moral e Cívica Vitor Zandomeneghi, foi tema de uma reportagem no Pioneiro de 2 de dezembro de 1987 (reproduções abaixo).

Intitulada "Alunos do La Salle não querem uma nova Antunes", a matéria destacava:

"O resultado desta iniciativa está exposta no Cursão até o próximo sábado A equipe realizou um levantamento sobre as atuais condições da Sociedade Brasileira de Vinhos. Além de trabalho fotográfico, os alunos fizeram, com o apoio do Museu Municipal, uma pesquisa histórica sobre a empresa. Vitor Zandomeneghi, o professor que coordenou a atividade, diz que nem tudo está perdido e ainda dá para fazer alguma coisa. Além disso, os alunos realizaram um vídeo que será exibido no Cine Vídeo Cursão. 'Se houvesse interesse do poder público e uma pressão por parte da comunidade, o local poderia ser transformado num centro cultural ou numa área de lazer. Somente a mobilização dos caxienses poderá transformar o prédio da Avenida Rio Branco num espaço útil. Caso contrário, corremos o risco de ver aquilo lá transformado num supermercado ou num shopping', atenta a professor". 

Foi profético...

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Foto: Jornal Pioneiro / reprodução
Foto: Jornal Pioneiro / reprodução

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