Da Serra para o mundo: confira alguns impactos do coronavírus para quem está fora do Brasil - Cidades - Pioneiro

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Exterior14/03/2020 | 14h26

Da Serra para o mundo: confira alguns impactos do coronavírus para quem está fora do Brasil

Depoimentos demonstram como outras partes do mundo agem diante da pandemia mundial

Ainda antes do coronavírus chegar ao Brasil, outros países já sentiam os impactos — em diversos âmbitos — causados pelo avanço global da doença.

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Pessoas da Serra que estão retidas, viajando ou moram em cidades do Exterior relatam como está a situação nos locais em que se encontram.

ESPANHA

Foto: Divulgação / Arquivo pessoal

"Acabaram de decretar o fechamento de todas as instalações turísticas e todos os eventos onde tenha uma aglomeração de pessoas foram cancelados. Aqui é uma zona mais turística, perto do mar, Madri foi mais ou menos sitiada, há um êxodo muito grande de pessoas vindo de lá para 'descansar'aqui porque universidades e escolas estão fechadas. Muitos madrilenhos vindo pra cá achando que é férias, mas isso é uma certa falta de responsabilidade deles. Tem muita gente indignada aqui por isso. Vamos esperar agora pra ver o que vai acontecer. Eu mesmo fechei a academia para colaborar, em um ato de civismo, mas não sei o que vai acontecer daqui pra frente. Achamos que o governo demorou um pouco pra tomar certas atitudes, porque o mesmo ocorreu na Itália. Aqui parece cenário de filme mesmo, supermercados vazios, não tem nada pra comprar. Está todo mundo em casa, essa é a orientação para as próximas duas semanas."

Rafael Humberto Velho Dos Santos, 45 anos
Professor de Educação Física caxiense, proprietário de um centro de treinamento físico, morador de Murcia

ESTADOS UNIDOS

Foto: Divulgação / Arquivo pessoal

"Saindo de São Paulo, ainda no dia 24 de fevereiro, algumas pessoas já estavam usando máscaras. No início da viagem fomos para Los Angeles e São Francisco, onde não havia ainda nenhuma medida e raras pessoas com máscara. Chegamos em Nova York no último sábado e vimos que aqui os jornais estão falando mais, mas nenhuma medida governamental tinha sido tomada. Há uns dois dias notamos que começaram a aparecer avisos  em espaços públicos orientando sobre formas de prevenção. Conhecidos nossos daqui estão tendo aulas canceladas nesta semana. As pessoas começaram a estocar álcool gel, alguns medicamentos e materiais de higiene, que agora estão em falta no mercado. Visitamos o Museu de Arte Moderna de Nova York na quarta-feira e nesta quinta-feira ele fechou para visitação. Voos de alguns lugares da Europa não estão ocorrendo aos Estados Unidos mas, até onde sabemos, conseguiremos voltar normalmente para o Brasil."

Alexandra Ungaratto, 27 anos
Publicitária de Garibaldi em viagem com o namorado, também garibaldense, Júlio André Bossle Moro, 28 anos

ALEMANHA

Foto: Divulgação / Arquivo pessoal

"Desde quinta-feira estão cancelando eventos em locais públicos, escolas não estão tendo aula até as férias de Páscoa; a partir de agora estão sendo tomadas medidas. Aqui na minha cidade as ruas não estão vazias, mas tem menos pessoas circulando, todos estão ficando mais em casa. Poucas pessoas usam máscara, mas não sei se é porque não querem, acredito que seja porque realmente acabou, assim como o álcool gel. Moro em uma cidade de bastante idosos, o meu Estado é mais populoso e também o que tem mais casos confirmados de coronavírus. Meu marido que está em Joanesburgo, na África do Sul, a trabalho, ficou impossibilitado de sair para seguir viagem para Istambul, na Turquia, onde faria conexão pra Alemanha. A princípio por questões burocráticas, relacionadas a outros voos que estão cancelados."

Nicole Vanin, 30 anos
Relações Públicas de Caxias do Sul que mora em Gelsenkirchen

ITÁLIA

Foto: Divulgação / Arquivo pessoal

"Aqui no Vêneto _ em toda região Norte _ desde o Carnaval, quando começou a ter um surto, o governo decretou fechamento das escolas, museus e universidades por 15 das. Depois o vírus começou a contaminar mais gente, até que, agora, no último final de semana, o governo decretou toda a Itália como 'zona vermelha'. Só se pode sair de uma cidade a outra para trabalho ou por extrema necessidade. Uma patrulha policial, na saída das cidades, verifica os documentos de quem está circulando. Desde quarta-feira, a Itália está literalmente fechada até o dia 25 de março (a princípio), ficando abertos somente bancos, agências de correios, supermercados e farmácias. Muitas empresas decidiram parar a produção mesmo que governo ainda não tenha decretado. Quem consegue, está sendo orientado a trabalhar em casa. Estamos vivendo um dia de cada vez, preocupados com a situação, mas também conscientes de que se a gente não ficar em casa, esse vírus não vai parar. O governo orienta as pessoas a se cuidarem e chamarem o atendimento disponibilizado a domicílio caso apresentem os sintomas. Hospitais estão montando UTIs em setores que eram destinados a outras patologias e até em um pavilhão em Milão, ou seja, a Itália ainda está se preparando para o pior que está por vir nos próximos dias. Na minha opinião, o governo deveria ter sido mais restritivo desde o início. O mundo inteiro levou o coronavírus como sendo algo leve e a gente vê que está chegando no Brasil também."

Gabriela Melissa Dani, 45 anos
Tradutora/intérprete caxiense que mora em Rovigo, no Vêneto, Itália.

MARROCOS

"Ia fazer uma viagem de 30 dias pela Espanha e a França a partir desta sexta-feira. O que ocorreu foi que, depois de determinada a Pandemia, os governos começaram a tomar providências mais drásticas para conter o vírus. O Marrocos, nesta quinta-feira, fechou o espaço aéreo para a Espanha e na sexta fechou o espaço aéreo para a França. Tive, então, que encontrar outros meios para voltar ao Brasil (via Portugal, comprando um novo bilhete). Espero poder embarcar neste sábado para Lisboa e depois seguir para o Brasil. As companhias aéreas estão isentando, em parte, as alterações de/para Europa mas os valores das hospedagens que eu havia comprado com antecedência em tarifas não-reembolsáveis não serão estornados para mim. Aqui no Marrocos a vida segue normal. Tudo está aberto e funcionando normalmente. Justamente por isso acredito que decidiram fechar o espaço aéreo para estes países (Itália, Espanha e agora a França). Acredito que precisamos manter a calma e a serenidade em situações como estas. É uma situação nova para todos, no mundo inteiro. Não tenho medo da gripe, mas sim da histeria e da falta de bom senso coletivo. Amanhã espero estar embarcando."

Leidy Indicatti, 33 anos
Consultora de viagens de Caxias do Sul em viagem passando por Marrocos. Ela também teria como destino a Espanha e a França.

 
 
 

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