Avenida Rio Branco e a Sociedade Brasileira de Vinhos - Cidades - Pioneiro

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Memória14/03/2020 | 07h00Atualizada em 14/03/2020 | 07h00

Avenida Rio Branco e a Sociedade Brasileira de Vinhos

Empresa surgida na década de 1930 e extinta em 1984 ocupava toda a área onde hoje se localiza o shopping Bourbon San Pellegrino

Avenida Rio Branco e a Sociedade Brasileira de Vinhos Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação/Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
O complexo da Sociedade Brasileira de Vinhos no final dos anos 1940, na Avenida Rio Branco, onde hoje situa-se o Bourbon San Pellegrino Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O terreno hoje abriga o shopping Bourbon San Pellegrino, mas, para os moradores mais antigos do bairro São Pelegrino e arredores, as referências históricas do trecho da Avenida Rio Branco entre a Rua Machado de Assis e a linha férrea são outras. Foi ali que, entre os anos 1930 e 1980, funcionou a Sociedade Brasileira de Vinhos Ltda, uma das mais antigas cantinas da região.

São Pelegrino: a Brasileira de Vinhos S.A em 1971

Toda essa história mescla-se à trajetória da família Scalzilli, procedente do Norte da Itália – onde, desde 1810, seus integrantes fabricavam licor e vinhos compostos. Estabelecidos em Porto Alegre no final do século 19, eles inauguraram, em 1889, a Scalzilli e Cia Ltda, dando prosseguimento às atividades desenvolvidas na Europa. 

Conforme matéria publicada pelo Pioneiro em 19 de maio de 1984, quando a empresa já havia sido desativada, o descendente Fernando Scalzilli estendeu o ramo de comercialização e produção dos derivados da uva a Caxias do Sul, juntando-se ao sócio Romeu Baldisserotto. 

Surgia aí, em 1933, a Sociedade Brasileira de Vinhos Ltda, que, até 1937, dedicou-se à comercialização de vinhos, constituindo-se numa atividade pioneira na região.  Segundo o texto de 1984, produzido pela equipe do então Museu e Arquivo Histórico Municipal, Scalzilli e Baldisserotto foram grandes incentivadores na criação de cooperativas na região. 

"Segundo o senhor Ernesto Bernardi, que durante 50 anos atuou como químico da empresa, o cooperativismo tinha por finalidade escapar do imposto de exportação, naquela época estipulado em dez mil réis por hectolitro. Assim, surgiram, por iniciativa de Scalzilli, cooperativas em Bento Gonçalves, Garibaldi, Farroupilha, Encantado e Antônio Prado, que se constituíram em filiais da Sociedade Brasileira de Vinhos, além de postos de vinificação no interior, sendo o vinho industrializado nas sedes e transportado a Caxias do Sul para comercialização. Em 1937 esta sociedade torna-se civil, e a industrialização passa a ser feita também em Caxias". 

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Na imagem acima, de finais dos anos 1940, o complexo da empresa na Av. Rio Branco, exatamente onde localiza-se o Bourbon San Pellegrino, e a linha férrea. Ao fundo, à esquerda, parte da antiga Vinícola Santo Antônio. Abaixo, as funcionárias trabalhando no setor de embalagem de vinhos.

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Funcionárias atuando no setor de embalagem de vinhos, em meados da década de 1950Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A estrutura

Contando com uma capacidade de estocagem de 42 mil hectolitros, a estrutura da Sociedade Brasileira de Vinhos permitia que todas as etapas da produção, inclusive a rotulagem, ocorressem ali mesmo. Instalada próxima à via férrea, o que facilitava o embarque do vinho para distribuição no centro e norte do país – e contando com o terminal rodoviário para a chegada da matéria-prima –, a empresa adquiria toda a uva de produtores da região, que, em dornas, chegavam para a transformação. 

Todas as instalações, aliás, foram projetadas visando facilitar esses processos: 

"No pátio interno, que dava acesso ao último prédio, estava o terminal rodoviário, onde a uva era recebida e esmagada. A topografia do terreno permitiu a construção desse pavimento de forma mais rebaixada. Assim, após o recebimento e esmagamento da uva, através de bombas especiais para transportar o mosto com o bagaço, a bomba apanhava e lançava nas piletas, onde permanecia por quatro ou cinco dias, período chamado de fermentação tumultuosa". 

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Registro do trabalho no interior da fábrica, na década de 1950Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Próximas colunas

Nas colunas de segunda e terça da próxima semana iremos abordar as outras dependências da vinícola e os antigos rótulos e bebidas que fizeram a fama da Sociedade Brasileira de Vinhos.

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