A trajetória do fotógrafo Umberto Zanella (1878-1957) - Cidades - Pioneiro

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Memória07/03/2020 | 07h00Atualizada em 07/03/2020 | 07h00

A trajetória do fotógrafo Umberto Zanella (1878-1957)

Nascido em Roma, imigrante italiano eternizou Caxias e Flores da Cunha nas três primeiras décadas do século 20

A trajetória do fotógrafo Umberto Zanella (1878-1957) Umberto Zanella / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação/Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Praça Dante em 1922: a Estátua da Liberdade, com a balaustrada original, e o antigo quiosque de José Dal Prá Foto: Umberto Zanella / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Um dos perfilados no livro O Instante e o Tempo – A Fotografia em Caxias do Sul (1885-1960), Umberto Corinto Zanella é nome nem sempre lembrado entre os profissionais que atuaram em Caxias do Sul nos primórdios do século 20 – época em que se destacaram os "colegas" Giovanni Battista Serafini, Francesco Moscani, Domingos Mancuso e Primo Postali. Talvez por ter se dividido entre Caxias e Nova Trento (Flores da Cunha), onde também manteve estúdio.

Jacob Kappes: entre agulhas e fotografias

Nascido em Roma em 1878, Umberto migrou para o Brasil com os pais, Victoria e Lucinda Fortis Zanella, mas não se enquadrava no perfil camponês de grande parte dos imigrantes que aportaram por aqui a partir de 1875. Conforme destacado pela pesquisadora e servidora municipal Sonia Storchi Fries no livro, a família Zanella desfrutava de uma privilegiada condição econômica e social. "Umberto era um jovem culto, gostava de óperas, tocava vários instrumentos musicais e portava um diploma de químico", escreve Sônia.

Acompanhado dos pais e da esposa Maria Rosa Sguinzani, com quem casou pouco antes de embarcar, o jovem chegou à antiga Vila de Caxias em 1897. Após um breve período na região, retornou à Itália, onde aprendeu o ofício de fotógrafo. De volta a Caxias, em 1904, abriu a sua "casa de tirar retratos", na então Rua Júlio de Castilhos, 63. 

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Um passeio pelo Veraneio Germani, no bairro Santa Catarina, em 1913Foto: Umberto Zanella / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Paisagens e campos

Corria o ano de 1905, e um meticuloso Umberto Zanella importava equipamentos da Alemanha para realizar seu trabalho. Embora focado em retratos de família e personalidades ilustres, Zanella registrava também fatos do cotidiano, vistas da cidade e cenários do interior. A cavalo, percorria os Campos de Cima da Serra, eternizando famílias e jovens casais. Já no estúdio contava com o auxílio da esposa, Maria Rosa, responsável pelos retoques nas chapas de vidro, eliminando, assim, manchas, rugas e imperfeições.

Na seleção desta página, algumas imagens de Umberto Zanella, reproduzidas do livro O Instante e o Tempo - A Fotografia em Caxias do Sul (1885-1960), lançado em 2015 pelo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

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Bairro Lusitano em 1930: Antonio Mano (à esquerda, sentado), Alfredo Neves (terceiro sentado), Leonardo Lourosa (sentado à direita) e um grupo de amigosFoto: Umberto Zanella / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Cinema, banda e saraus

Conforme destacado pela pesquisadora Sonia Storchi Fries no livro, Umberto Corinto Zanella era um assíduo frequentador de cinema, participava de saraus e chegou a integrar a lendária Banda Santa Cecília. 

Com a mudança para a antiga localidade de Nova Trento (Flores da Cunha), em 1911, abriu um cinema, fundou um jornal e, logicamente, montou um novo estúdio – inicialmente em parceria com o fotógrafo Tamagnone; depois, sozinho.

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Flores da Cunha, 1918: a família de Remídio e Maria BordinFoto: Umberto Zanella / Museu e Arquivo Histórico Municipal Pedro Rossi de Flores da Cunha, divulgação
Vitório (no cavalo), Renata, Mercedes e Matilde, filhos de Umberto e Maria Rosa Zanella, em 1910Foto: Umberto Zanella / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A família

Por volta de 1920, Umberto e a família retornaram a Caxias. A concorrência e o crescente número de fotógrafos, porém, comprometeram o trabalho e o sustento dos seis filhos – Vitório, Leonides, Mercedes, Matilde, Renata e Vitória – e da esposa. que complementava a renda trabalhando em uma pensão no antigo bairro Lusitano. 

Ao final dos anos 1920, os Zanella transferiram-se para São Leopoldo, onde Umberto seguiu fotografando até a gradual perda da visão. Ele faleceu em 1957, aos 79 anos. 

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O fotógrafo Umberto Corinto ZanellaFoto: Umberto Zanella / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

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