Crônicas de Natal #6: "Quando uma criança escreve para o Papai Noel, ela deposita um sonho" - Cidades - Pioneiro

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Especial07/12/2019 | 08h45Atualizada em 17/02/2020 | 15h44

Crônicas de Natal #6: "Quando uma criança escreve para o Papai Noel, ela deposita um sonho"

Guilherme da Silva Camello conta como passageiros podem realizar desejos de crianças.

Crônicas de Natal #6: "Quando uma criança escreve para o Papai Noel, ela deposita um sonho" Arte: Luan Zuchi/Arte: Luan Zuchi
"Uma carona, muitos sonhos" Foto: Arte: Luan Zuchi / Arte: Luan Zuchi
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O motorista Guilherme Camello, é um dos convidados do Crônicas de Natal, projeto do Pioneiro que traz histórias reais carregadas de sonhos, alegrias e até mesmo decepções, deste período tão marcante no ano. A série será publicada até o dia 25 de dezembro. 

Confira:

Sempre tive vontade de trabalhar com o público, de estar em contato com pessoas e encontrei no ramo de transporte de aplicativo uma maneira de unir o útil ao agradável. Entre essas idas e vindas pela cidade, reparei como existem pessoas querendo ajudar umas às outras. Mas por motivos pessoais e de rotina, falta tempo para que os solidários consigam chegar mais perto de quem realmente precisa de ajuda. Foi assim que tive a ideia de tentar fazer algo neste Natal.

Meu carro tem vários diferenciais que chamam a atenção de longe. Cada mês, escolho um tema sempre com a intenção de ajudar alguém, mesmo que seja apenas para proporcionar um sorriso por uma decoração diferenciada ou até com roupas, comida e muita conversa. Levo sempre ração pra cachorro, alguma cesta básica e alguns currículos de pessoas que estão procurando emprego. Tenho como incentivador o educador social Chiquinho Divilas e o apoio da comunidade do Euzébio Beltrão de Queiróz, por quem tenho muito carinho.

Ouça o áudio da carta: 

Neste Natal, coloquei como meta viabilizar a adoção de cartinhas de crianças com pedidos de presentes. Como faria isso? Com a ajuda dos passageiros que levo para festas, para o trabalho, para passeios. Consegui 50 cartinhas de crianças em situação de vulnerabilidade, de abrigos, de projetos sociais e até mesmo de amigos que estão passando por necessidade. Ao organizar e ler todos os pedidos, separei por categorias de acordo com o valor. Minha ideia era ver realmente o quanto as pessoas estão dispostas a ajudar e se realmente vão conseguir realizar o sonho dessas crianças. 

Alguns pedidos me deixaram surpreso. No momento que você pede para uma criança escrever uma carta para o Papai Noel, ela deposita um sonho. Pode ser a vontade de brincar com videogame ou a chance de poder andar numa bicicleta, mas não. Entre todas cartas, percebi o quanto as crianças são humildes. Quanto menos elas têm, mais realistas são. Elas não pedem nada que seja muito caro, luxuoso, bem pelo contrário, elas pedem coisas como uma mochila para ir para a escola, uma simples amoeba colorida que custa talvez nem R$ 10 e até um par de chinelos. Elas ainda têm a humildade de anotar na carta, que por terem se comportado no ano, talvez merecessem um kit escolar.

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Realmente entendi o quanto é importante ajudar as pessoas. Às vezes, um simples gesto pode tornar um Natal especial pra quem não tem nada. Acredito que no mundo existam muitas pessoas boas e essas pessoas precisam ser vistas na sociedade para que consigam cada vez mais apoiar os outros.

Fiquei muito impressionado com a rapidez que as coisas começaram a andar. No segundo dia, já tinha quase todos os pedidos direcionados a pessoas que aceitaram participar da iniciativa. Não só aceitaram como me passaram seus contatos e se comprometeram a cumprir com o objetivo.

Faz quatro semanas que tudo começou e quase atingi minha meta que, no início, era de 50 cartinhas. Até o Natal, quero dobrar os pedidos. Se até o dia 10 de dezembro, eu já tenha conseguido colocar 100 cartas no caminho de padrinhos, pretendo aumentar ainda mais a quantidade. Acredito que não existe momento melhor para ajudar as pessoas.

Não sou eu que ofereço as cartas, as pessoas simplesmente entram no carro a caminho do trabalho, da festa e conversamos. Primeiro acham diferente a iluminação e a decoração. Logo em seguida, perguntam o que são os envelopes. É aí que conto que trata-se de uma cartinha de uma criança carente, que está precisando de um presente no Natal. 

Na hora, as pessoas abrem os envelopes e assim já ficam surpresas com os pedidos. De uma maneira ou de outra, já querem ajudar e escolhem a carta que cabe no seu orçamento. As pessoas me passam os contatos para fazer a entrega. No fim, três personagens de uma história ficam satisfeitas. Eu, por ter conseguido ajudar uma criança, o padrinho, por saber que vai ajudar alguém, e a criança, que vai receber o presente.

Todos presentes serão entregues no dia 20 de dezembro. Os padrinhos vão ter a opção de conhecer a criança ou simplesmente entregar o presente para que eu faça a entrega. Não tem gratificação maior. Então, todo dia quando as pessoas estão indo para o trabalho ou até para uma festa, elas entram no carro e podem mudar a vida de alguém.

Para ajudar no projeto de Guilherme, basta entrar em contato pelo telefone (54) 99122-0580.

Guilherme da Silva Camello, motorista de aplicativo.

 *Crônicas de Natal é um projeto assinado por Adriano Duarte, Andressa Paulino, Juliana Rech, Luan Zuchi e Manuela Balzan.

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