Crônicas de Natal #17: "O tempo da solidão" - Cidades - Pioneiro

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Especial20/12/2019 | 08h31Atualizada em 20/12/2019 | 08h31

Crônicas de Natal #17: "O tempo da solidão"

Para muitas pessoas, final de ano nem sempre é motivo de alegria, mas é possível fazer da data um momento para renascer

Crônicas de Natal #17: "O tempo da solidão" Arte: Luan Zuchi/Arte: Luan Zuchi
"O tempo da solidão" Foto: Arte: Luan Zuchi / Arte: Luan Zuchi
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Confira no Crônicas de Natal desta sexta-feira a história de José Theodoro.

Para alguns, as festividades de Natal e final do ano remetem para os tempos de outrora. Despertam um sentimento de nostalgia, ansiedade e sensação de que faltou algo e, consequentemente, um vazio enorme. Não há expectativa de um Ano-Novo melhor do que este que está findando. Algumas pessoas sentem, quando se aproxima o Natal, solidão, angústia e uma sensação de frustração. Não é raro que muitos passem as festas de final de ano sozinhos. As razões são diversas, vão desde a perda da referência familiar ao abandono dos próprios, levando-os a um estado de solidão profunda.   

Ouça o áudio da carta: 

 Já passei por experiências em que ouvi pessoas relatando que o Natal e o primeiro dia do ano são as piores datas de suas vidas. Lembram a perda de um familiar ou amigo que ocorreu próximo a esses dias ou em muitas situações no próprio Natal e Ano-Novo. São experiências de dor e de total sensação de desânimo, sem motivação para participar de qualquer celebração. Pelo contrário, sentem vontade de se isolar dentro de casa e deixar que tudo passe. Em outras situações, ouvi a pessoa dizer que está com uma sensação de solidão, que a levou a um estado de depressão. Ela sente a necessidade de conversar e desabafar com alguém, mas não encontra quem possa ouvi-la e não sabe o que fazer. 

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 Alguém já me falou: “Estou sozinha e vou passar o Natal só. Para mim não tem sentido essas festas. No meu tempo, quando era jovem, a gente passava o Natal com a família e amigos, tudo era diferente. Mas, hoje, chega nessa época e eu percebo que as pessoas estão correndo, desesperadas, agitadas, intolerantes e egoístas. Cada um quer garantir o seu bem-estar. Todo mundo desaparece da cidade, vira um deserto”.  

Outro relatou: “Olha meu amigo, o Natal acabou, não é mais como antes, hoje meus filhos estão longe, perdi minha esposa e sou sozinho. Meus irmãos morreram, só tenho cunhadas e cunhados, mas cada um para si. Quando chega essa época eu fico muito mal, me dá uma vontade de sumir, nada me motiva. Eu estou muito mal porque está chegando o Natal e lembro dos meus pais e dos meus irmãos quando a gente se reunia com toda a família para a ceia de Natal. Era um tempo bom, sinto saudade”. 

 Por outro lado, ouvi também dizer que “apesar de ser diferente para mim, hoje o Natal traz uma sensação de esperança e vida nova. Não é só uma ceia com amigos e familiares, isso é uma tradição, mas tem outras coisas boas que são possíveis fazer, como viajar, ir numa celebração de acordo com o credo de cada um, promover um momento de espiritualidade, isso também é importante.”

Às vezes, nós valorizamos muito o que é secundário no Natal, como festas, encontros, comidas, bebidas, compras e esquecemos sua essência. Claro, o encontro com os familiares é importante, as festas também são momentos de alegria, mas se seus parentes estão longe e não é possível mais viver como era antes, vamos valorizar o que podemos fazer hoje. Assim, vamos entender que o Natal é uma data maravilhosa para refletir sobre nós mesmos, é um momento de renascer dentro de nós, começar uma nova etapa da nossa vida, a partir da nossa realidade. 

José Theodoro, jornalista.

*Crônicas de Natal é um projeto assinado por Adriano Duarte, Andressa Paulino, Juliana Rech, Luan Zuchi e Manuela Balzan.

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