José Zugno e o início da Feira do Agricultor em 1979 - Cidades - Pioneiro

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Memória22/11/2019 | 07h00Atualizada em 22/11/2019 | 15h33

José Zugno e o início da Feira do Agricultor em 1979

Primeira edição ocorreu em 23 de novembro de 40 anos atrás, na Rua Hércules Galló. Neste sábado haverá programação especial na Rua Plácido de Castro

José Zugno e o início da Feira do Agricultor em 1979 Acervo pessoal / divulgação/divulgação
José Zugno (a esquerda de óculos) nos primeiros anos da Feira do Agricultor,em 2 de dezembro de 1981 Foto: Acervo pessoal / divulgação / divulgação

Ela teve início há exatos 40 anos, em um breve trecho da Rua Hércules Galló, próximo ao Estádio Alfredo Jaconi. E neste sábado pela manhã ganha festa de aniversário especial, na Rua Plácido de Castro, entre 6h e 12h – com direito a sorteio de cestas coloniais, bolo e várias atrações culturais. Falamos da Feira do Agricultor, uma das tantas iniciativas que tiveram como mentor o engenheiro agrônomo José Zugno – cuja trajetória será recordada na próxima quarta, 27, durante o lançamento de um livro e de uma exposição (leia abaixo).

Primórdios da Feira do Agricultor em 1979

A primeira edição ocorreu na manhã de 23 de novembro de 1979, com pequeno público e não mais do que nove feirantes – dos 50 que haviam se inscrito. O início não parecia muito promissor. Eram apenas duas feiras, uma na Hércules e outra na então Vila Kayser, ambas com os mesmos objetivos: beneficiar os pequenos produtores rurais, fomentar a agricultura familiar e levar hortifrútis a preços mais em conta ao consumidor.

Responsável pela feira, o engenheiro agrônomo José Zugno (1924-2008) profetizou em seu discurso: "A feira começa pequena como convém às coisas que pretendem crescer e se tornar permanentes". Dito e feito. Em poucos meses, eram cinco feiras, uma por dia em locais diferentes, funcionando das 6h às 9h e oferecendo produtos frescos e até 150% mais baratos do que os preços praticados no comércio em geral – aumentando os ganhos dos agricultores com a venda direta e à vista.

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No final dos anos 1970, José Zugno foi o maior articulador das feiras, que mobilizavam agricultores e beneficiavam as comunidades dos bairrosFoto: Acervo pessoal / divulgação

Números

Crescia o número de feiras, crescia também o número de consumidores. Um ano depois, em 1980, já eram 70 produtores participantes, inclusive de municípios vizinhos. Conforme jornais da época, no primeiro ano foram realizadas 310 feiras e movimentados 1,7 milhão de quilos de hortifrutis. O segundo ano contabilizou mais de 5 milhões de quilos e 557 edições.

A grande diversidade de produtos comercializados, também era fruto do trabalho da Diretoria de Fomento e Assistência Rural (DFAR) – iniciada por Zugno no final dos anos 1940 de forma pioneira no país, numa época em que ainda não existiam órgãos de governo focados nessa área.

A inauguração das Feiras Livres em 1948 

A saber: além dos 40 anos da Feira do Agricultor, 2019 marca duas outras datas emblemáticas do setor: a criação da DFAR, que deu origem a atual Secretaria Municipal da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Smapa) e os 40 anos da Associação dos Engenheiros da Encosta Superior do Nordeste, da qual José Zugno foi entusiasta e membro-fundador.  

José Zugno nos primórdios da feira, em 1981, época em que os produtos eram dispostos em cestas e caixas no chão Foto: Acervo pessoal / divulgação

Implantação

A criação das feiras do agricultor constava no programa do prefeito eleito Mansueto Serafini Filho quando candidato, em 1976. Ao reassumir a Secretaria Municipal da Agricultura, o agrônomo José Zugno foi incumbido da implantação do formato – e a melhor forma foi fazê-las exclusivamente com produtos diretos. 

Com estas feiras, o agricultor caxiense, que já se consolidava como policultor, passou a ter espaço para comercializar sua produção, eliminando o "atravessador" – que, em geral, ficava com a maior fatia de lucro nas vendas.  

O prefeito Mansueto de Castro Serafini Filho confere as ofertas da feira em seus primórdiosFoto: Acervo de família / reprodução

As feiras hoje

Atualmente, a feira ocorre de terça a sábado em 34 pontos de Caxias, envolvendo 130 produtores. Nas imagens abaixo, matérias dos jornais Pioneiro e Correio Riograndense de 1979 e 1980, destacando as primeiras edições.

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Foto: Acervo pessoal / divulgação
Foto: Acervo pessoal / divulgação
Foto: Acervo pessoal / divulgação

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Foto: Agência RBS / reprodução

História em livro e exposição

O livro A Palmeira Humana - Memórias do Naturalista e Escritor José Zugno" apresenta a biografia do ambientalista, escritor e engenheiro agrônomo José Zugno (foto acima). 

A obra foi escrita  pelo filho Ricardo Zugno, que, nos últimos anos de vida do pai, acompanhou-o de perto em sua produção literária e debruçou-se sobre seu diversificado acervo de textos, fotos e objetos. Já a exposição "Memórias e Coleções do Naturalista José Zugno" é resultado de mais de 10 anos de resgate, organização e catalogação desse material. 

Livro e mostra têm lançamento no próximo dia 27, às 18h30min, no Museu dos Capuchinhos (Rua General Mallet, 33A, bairro Rio Branco).

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