Criatividade sustentável: escola pública de Farroupilha faz concurso de fantasias com materiais reciclados - Cidades - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

Educação15/11/2019 | 15h02Atualizada em 15/11/2019 | 15h14

Criatividade sustentável: escola pública de Farroupilha faz concurso de fantasias com materiais reciclados

Desfile "Recicriar", da Escola Estadual Farroupilha, chegou à 10ª edição na última terça-feira

Criatividade sustentável: escola pública de Farroupilha faz concurso de fantasias com materiais reciclados marcelo Casagrande/Agencia RBS
Além das fantasias, alunos tiveram de caprichar na performance para ganhar pontos com os jurados Foto: marcelo Casagrande / Agencia RBS

Com sua criatividade posta à prova, dezenas de adolescentes viveram noite de tensão e ansiedade no Clube do Comércio de Farroupilha, na última terça-feira. Nos bastidores da 10ª edição do Recicriar, concurso de fantasias da Escola Estadual Farroupilha, estudantes do Ensino Médio dividiam-se entre os que vestiam as criações para serem exibidas no desfile, e outros que faziam as vezes de maquiadores e produtores, ajustando o look de anjos e demônios, criaturas mitológicas, bruxas e personagens de games e filmes. Como num bom Carnaval, teve agitação para cumprir com o prazo, teve choro com a fantasia que desandou, mas também teve muita diversão e o alívio do dever cumprido.

O grande barato do Recicriar está na regra que o próprio nome sugere: para a confecção das fantasias deve predominar o uso de materiais reciclados. Ao invés de limitar, contudo, a peculiaridade torna o resultado ainda mais impressionante: o paletó do Máskara feito em espuma; o vestido da Dorothy, d' Mundo Mágico de Oz, elaborado com caixas de leite; o samurai com tiras de papelão unidas por cadarços; a sereia com anéis de latinha; o corpete de bailarina feito de cartas de baralho foram só algumas entre mais de 50 peças que encantaram jurados e o público de 300 pessoas, entre pais, alunos e professores. 

_ Por ser uma escola pública, esse projeto dá uma visibilidade que muitas vezes as instituições não tem. Isso faz com que os alunos levem ainda mais a sério. Tanto é que o projeto conta para a matéria de Ciências da Natureza e as notas já estão fechadas, mas para eles o momento do desfile é mais importante do que a avaliação _ destaca a professora Joice de Almeida, coordenadora do concurso criado em 2003. 

Confira galeria de fotos do desfile:

Além de aprender a sustentabilidade na prática e soltar seu lado mais criativo, os cerca de 700 alunos da escola aprendem a trabalhar em grupo e a socializar para além do grupo mais restrito de colegas e amigos. Mais de 100 peças foram confeccionadas para a primeira seletiva, sendo que 51 foram levadas ao desfile. Estudante do segundo ano, Eduarda Peretti, 16, comenta que a integração é a parte mais legal do Recicriar:

_ O concurso tem esse mérito de reaproximar pessoas. A gente se envolve com outras turmas, com os alunos dos outros turnos, com os professores. Toda a escola se une para fazer o melhor possível. É claro que acaba rolando uma rivalidade também, mas isso é natural. 

O grupo da jovem, que dividiu o prêmio de grande campeão da noite com o que apresentou o personagem Pegasus, dos Cavaleiros do Zodíaco, chamou a atenção pela originalidade. A roupa dos personagens _ soldados do game Rainbow Six _ foi tricotada em fios de papel higiênico enrolado. Para trançar os fios, os estudantes chegaram a criar um equipamento de tear, com pregos em uma ripa de madeira.  

Vale nota e vale pizza

Novato no concurso, Victor Mattos, 16, encarnou um samurai, como eram conhecidos os guerreiros militares do Japão feudal. Com a ajuda do restante do grupo, construiu sua armadura em tiras de papelão pintadas com tinta spray e ligadas por cadarços. O tamanco foi a parte mais difícil de forjar, uma vez que foi feito a partir de madeira bruta. 

_ Dei a ideia por gostar muito da cultura japonesa. Procuramos algumas referências na internet, mas tivemos de improvisar bastante pra não fugir às regras. Cada um ficou responsável por fazer uma das peças. Foi uma experiência colaborativa nova pra mim, que cheguei na escola esse ano _ conta o jovem.

Além das fantasias, os grupos precisam caprichar na hora de apresentar o trabalho aos jurados, que contou com um tatuador, uma ex-aluna vencedora de duas edições, a secretária municipal da Cultura e um representante da Casa da Cultura. Cada grupo escolhe a sua trilha sonora e prepara uma apresentação de acordo com o tema escolhido, o que pode incluir dança ou uma performance teatral.

_ Os alunos se sentem desafiados a fazer melhor a cada ano. No começo era tudo muito rudimentar, mas hoje a gente se surpreende a cada ano com a qualidade dos trabalhos, principalmente os detalhes e os acabamentos. Quando acaba essa edição, eles já começam a pensar o que vão aprontar para a próxima _ elogia a professora Joice. 

Além de troféus para o primeiro, segundo e terceiro lugares em cada uma das categorias (Luxo, História, Cinema Disney, Mangá/Jogo), o evento distribui um prêmio Master, que vai para  a melhor fantasia de todas. O grupo campeão ganha um rodízio numa pizzaria. Mas o sucesso desta edição foi tanto que, durante o evento, os proprietários de uma papelaria anunciaram o patrocínio para um segundo rodízio, contemplando dois vencedores. 

Leia também
Sorteio e solidariedade na campanha da CDL de Caxias do Sul
Neobus faz maior venda do ano para grupo do Rio de Janeiro
Gaúchos gastarão R$ 512,70, em média, no Natal 

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros