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Memória18/10/2019 | 07h00Atualizada em 18/10/2019 | 07h00

Eberle: o jubileu de prata de Orevil Bellini em 1967

Desenhista e artista plástico iniciou na metalúrgica em 1942

Eberle: o jubileu de prata de Orevil Bellini em 1967 Lydio Provin / Acervo pessoal, divulgação/Acervo pessoal, divulgação
Orevil Bellini (sentado ao centro, de terno claro) no Salão Nobre do Eberle, em 22 de setembro de 1967 Foto: Lydio Provin / Acervo pessoal, divulgação / Acervo pessoal, divulgação

Ele foi desenhista, escultor, pintor, projetista de carros alegóricos da Festa da Uva e designer gráfico, numa época em que esse termo ainda engatinhava em Caxias. Falamos de seu Orevil Bellini, um dos tantos profissionais que tiveram sua trajetória atrelada à Metalúrgica Abramo Eberle e tudo o que ela produziu ao longo do século 20. 

Em 22 de setembro de 1967, 25 anos após iniciar na fábrica da Rua Sinimbu, seu Orevil foi homenageado pela direção e colegas do setor de gravação no Salão Nobre. Foi quando recebeu também o famoso relógio banhado a ouro, oferecido aos colaboradores que completavam o jubileu de prata. Além de Orevil (sentado ao centro), aparecem na foto colegas como Bruno Segalla e diretores como Júlio João Eberle, Agostinho Fochesato e Honório Marotto, entre vários outros.

É dessa mesma época a imagem menor abaixo, uma das poucas em que seu Orevil Bellini aparece desenhando. Ele trabalha na medalha alusiva ao jubileu de ouro de Oscar Martini, outro dos antigos diretores da metalúrgica, homenageado em julho de 1967 – Oscar Martini foi o terceiro a completar 50 anos de atuação na Eberle, compondo o trio com os senhores Antonio Rasia e Angelo Torresini.

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O desenhista trabalhando na medalha em homenagem a Oscar MartiniFoto: Lydio Provin / Acervo pessoal, divulgação
Verso da foto trazia a mensagem da direção da metalúrgica por ocasião do jubileu de prata, em setembro de 1967Foto: Rodrigo Lopes / Especial

Obras e premiações

As criações de Orevil Bellini ganharam amplo reconhecimento, dentro e fora do Eberle. Na edição de 1954 da Festa da Uva coube a ele o primeiro lugar no concurso de criadores para o carro em que desfilaram a rainha Maria Elisa Eberle e as princesas Jacy Lucchese, Beatriz Corsetti, Lorita Sanvitto e Ruth Spinatto. 

Cinco anos depois, em 1959, Bellini recebeu do pintor Aldo Locatelli o prêmio de primeiro lugar em escultura no 1º Salão Popular de Belas Artes. Na sequência, finalizou o "Magnífico Bronze Artístico", exposto na vitrine do varejo e capa do Boletim Eberle de janeiro de 1960 (foto abaixo). O texto original destacava a produção da peça:

"Trata-se de um finíssimo trabalho executado pela Maesa, sob a orientação de Tito Bettini, em bronze estatuária, representando uma mãe de família, acompanhada de seus dois filhos, em visita à necrópole da família. Os desenhos e o trabalho de escultura devem-se ao jovem artífice da Maesa Orevil Bellini, destinando-se a obra de arte para o túmulo da família Raabe, de nossa cidade. O conjunto pesa 170 quilos, e uma particularidade é que a figura maior foi fundida em uma única peça".

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Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

Trajetória iniciada em 1942

Natural de Garibaldi, Orevil Bellini nasceu em 4 de setembro de 1925 e migrou para Caxias do Sul com apenas quatro anos. Filho único de Umberto Bellini e Malvina Aguiar Bellini, iniciou no Eberle aos 17 anos, em 1942, como aprendiz do setor de limagem de artigos fundidos. Passou pela mecânica, mas após quatro primeiros lugares nos concursos da escola de desenho da empresa, viu que seu negócio eram mesmos os lápis e pincéis.

Trabalhando em uma sala do segundo andar do prédio da Sinimbu – ou circulando esporadicamente pelos outros setores da empresa –, viu suas criações chegarem a todos os consumidores que adquiriam as peças do varejo. Entram aí os desenhos das baixelas, facas de churrasco, sopeiras, bandejas, estátuas, artigos sacros e litúrgicos e várias outras utilidades que fizeram a fama da loja localizada no térreo da Sinimbu.

O jovem Orevil retocando uma estátua de Fátima, nos anos 1950Foto: Acervo pessoal / divulgação

A família

Orevil Bellini casou com Vergínia Natalina Bellini, nascendo dessa união cinco filhos: Umberto, Jesiel, Lélia, Augusto e Rafael. 

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O falecimento

Orevil Bellini faleceu em 16 de junho de 2016, aos 90 anos. Três anos antes, em 2013, ele foi um dos personagens do documentário A Honra do Trabalho, desenvolvido pelos alunos Ramon Osmainschi, Aline Marques de Freitas, Ana Lia Dal Pont Branchi, Elisabete Souza, Fabíola Probst Rancan e Orlando Michelli, do Programa de Pós-Graduação em Bens Culturais da Faculdade Inovação (FAI). 

O filme de 26 minutos mostra vários momentos da metalúrgica e detalha, por meio de depoimentos de ex-funcionários, a experiência do trabalho lá dentro.

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