Campanário de Flores da Cunha, um símbolo de 70 anos - Cidades - Pioneiro

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Memória30/10/2019 | 07h00Atualizada em 31/10/2019 | 16h32

Campanário de Flores da Cunha, um símbolo de 70 anos

Estrutura em basalto inaugurada em 30 de outubro de 1949 será tombada pelo patrimônio histórico do município

Campanário de Flores da Cunha, um símbolo de 70 anos Gabriela Fiorio / divulgação/divulgação
Edificado em pedra basalto, o campanário de 55 metros de altura foi inaugurado em 1949 Foto: Gabriela Fiorio / divulgação / divulgação

Um dos símbolos mais tradicionais de Flores da Cunha ganha programação festiva hoje, exatos 70 anos após sua inauguração, em 30 de outubro de 1949. Falamos do campanário da Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, ponto turístico e de referência do município. 

A partir das 18h, no pátio da igreja, ocorre a cerimônia de tombamento da mítica estrutura, uma iniciativa da prefeitura municipal, do Conselho Municipal da Cultura e da Associação dos Amigos do Museu e Arquivo Histórico Pedro Rossi. Durante a solenidade também será assinado o decreto para o início do projeto de restauração. 

Serafina Corrêa: mudança na cobertura do campanário surgido em 1953

Toda essa história remete a 6 de outubro de 1946, data da bênção da pedra fundamental e de início da construção do campanário, idealizado e concretizado pelo Frei Eugênio Brugalli. Projetada pelo arquiteto Vitorino Zani e tendo como engenheiro responsável Luis Lesseigner de Farias, a torre de 55 metros soma 11.122 pedras de basalto  – vindas da antiga pedreira de José Golin e cortadas pelos irmãos Luiz e Antonio Coloda, da Capela Monte Bérico.

Excepcional trabalho em cantaria, a obra envolveu a colaboração de diversos moradores da cidade e da região. A execução ficou a cargo de João De Bastiani, de Nova Pádua. Já na construção atuaram, além dele, os senhores Benjamim Vezzaro, Fausto Vezzaro, José Marin e Umberto Menegat.

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O início da construção, em finais de 1946Foto: Livro Heitor Curra, um Cidadão Florense, de Lourdes Curra / reprodução

A inauguração em 1949

Depois de três anos de trabalho, o campanário foi inaugurado com uma grande festa em 30 de outubro de 1949. Reportagem do Pioneiro de 5 novembro de 1949 destacou a programação (fotos abaixo). 

Após uma missa especial celebrada pelo Bispo Diocesano Dom José Baréa, ocorreu o corte simbólico da fita pelo major Nicomedes de Freitas Beccon, representando o então governador do Estado,  Walter Jobim. Na sequência, foram descerradas as placas em homenagem ao Frei Eugênio Brugalli e aos construtores, na presença do prefeito Pedro Rossi e do vereador Alexandre Aurélio Pedron. 

A programação findou, óbvio, ao redor da mesa, com um lauto almoço servido às autoridades. Conforme reportagem da época, cerca de 20 mil pessoas compareceram à festa, vindas também de várias cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

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Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

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Os relógios

Um dos destaques do campanário são os quatros relógios, fabricados em 1948 e instalados em 1950, com mostradores de três metros de diâmetro. Um martelo de 22 quilos bate as horas do sino maior – atualmente, o toque é programado e executado eletronicamente. 

No alto da torre também estão os alto-falantes, utilizados para estimular a participação nas missas. Uma peculiaridade ainda preservada pela Paróquia Nossa Senhora de Lourdes é o anúncio de falecimentos, com informações sobre velórios e celebrações de encomendação.

As cores e as horas do relógio do Eberle

Foto: Luizinho Bebber / divulgação

Os sinos em versos

Reproduzimos abaixo o poema em italiano contando a história dos cinco sinos do campanário, denominados Pierina, Claudia, Dom Finotti, Antonieta e Imaculata. 

Publicado pelo jornal Pioneiro em 1949, o poema foi escrito pelo agricultor e poeta autodidata Angelo Giusti à epoca da chegada dos sinos a então Nova Trento, no início do século 20. Eles foram trazidos da França pelo padre Augusto Finitti. 

A saber: é atribuído a Angelo Giusti o tradicional Mérica Mérica, hino da imigração italiana na região. Nascido na Itália em 1848, ele integrou as primeiras gerações de imigrantes da Colônia Caxias, da qual a antiga Nova Trento (atual Flores da Cunha) pertencia até 1924. 

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Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

A igreja

A construção da Matriz de Flores da Cunha durou 10 anos — iniciou-se em 1904 e foi concluída em 1914. É uma das igrejas mais antigas do Estado no estilo gótico. 

Conforme informações da prefeitura municipal, o altar-mor é procedente da Itália e é composto por três nichos: no vão central, abriga a estátua de Nossa Senhora de Lourdes. Nos espaços laterais estão as imagens de São Pedro e São José, que deram origem às duas primeiras comunidades estabelecidas na atual cidade. 

Na nave ao lado esquerdo da Igreja Matriz repousam os restos mortais do Frei Salvador Pinzetta.

Foto: Airton Nery / divulgação

O terceiro bem tombado 

O campanário será o terceiro bem cultural a ser tombado pelo patrimônio histórico de Flores da Cunha. O primeiro ocorreu no mês de agosto de 2018, quando o antigo cemitério da Capela São Martinho, no Travessão Martins, passou a ser denominado Campo Santo dos Imigrantes. 

Já o segundo ato ocorreu em novembro de 2018, mês em que foi assinado o tombamento do prédio do Museu e Arquivo Histórico Pedro Rossi. O local já está recebendo o projeto de restauração, para, posteriormente, serem captados os recursos.

Com informações da prefeitura municipal de Flores da Cunha

Foto: Ernani Viana / divulgação

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