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Memória26/10/2019 | 07h30Atualizada em 26/10/2019 | 07h30

Armazém Zatti, um clássico do bairro São Pelegrino

Estabelecimento localizado na Avenida Júlio de Castilhos abasteceu e fidelizou milhares de clientes entre os anos 1920 e 1980

Armazém Zatti, um clássico do bairro São Pelegrino Roberto Scola / banco de dados, Agência RBS/banco de dados, Agência RBS
Seu Vasco Zatti atendendo a clientela junto à balança do antigo armazém, onde encontrava-se de tudo Foto: Roberto Scola / banco de dados, Agência RBS / banco de dados, Agência RBS

Não há morador do bairro São Pelegrino com mais de 40 anos que não tenha passado por lá – ou pelo menos ouvido falar dele. Falamos do clássico Armazém Zatti, situado na Avenida Júlio de Castilhos, entre as ruas Coronel Flores e Feijó Jr., quase ao lado do antigo Cine Real. Uma das principais referências de comércio do bairro, o estabelecimento foi destacado no livro São Pelegrino – Quem te viu, quem te vê..., lançado em 2015 pelos autores Tânia Tonet, Charles Tonet e Ana Seerig. 

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Conforme a publicação, o Armazém Zatti foi fundado pelo senhor Ricardo Zatti no início da década de 1920, quando São Pelegrino não passava de um arrabalde. Posteriormente, o negócio foi tocado pelos filhos Vasco, Laura e Aldo, que o mantiveram até meados dos anos 1980.

Como todo bom armazém de antigamente, o lugar era uma festa para os olhos e oferecia de "um tudo": gêneros alimentícios, itens de limpeza e ferragem, roupas, guloseimas, tecidos, artigos de armarinho, secos e molhados, produtos a granel, enfim, o que os consumidores de Caxias e da região necessitassem. 

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A fachada do estabelecimento e o movimento da Avenida Júlio nos anos 1980Foto: Acervo de Kátia Regina Zatti Stimamiglio / Editora Belas Letras, reprodução

Dona Laura

Trecho do livro destacava a atuação de dona Laura Zatti, uma das comerciantes mais lembradas do bairro:

"Laura, que permaneceu solteira, era a responsável por viajar em busca de mercadorias. Um de seus destinos mais frequentes era a Argentina, onde adquiria muitos tipos de queijos para serem vendidos no armazém. Ela e os irmãos, que eram casados e tinham filhos, moravam atrás da loja. Aldo tinha cinco filhos e Vasco, sete".

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Sandra Beatriz Rosa Zatti, filha de Vasco Zatti, e dona Laura Zatti no balcão do lendário armazémFoto: Acervo de Kátia Regina Zatti Stimamiglio / Editora Belas Letras, reprodução

De pai para filho

Após a morte de Aldo, no início da década de 1970, assumiu lugar na sociedade o senhor Júlio Zatti, filho de Vasco, que trabalhou no armazém até o fechamento, em 1984.  No livro,  ele reforçou o valor do comércio da família:

"O armazém beneficiou muito Caxias. Era a referência para as pessoas da cidade e do interior, que sabiam que podiam encontrar tudo que procuravam ali".

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Dona Laura Zatti junto à vitrine do armazém da família, em São PelegrinoFoto: Acervo de Kátia Regina Zatti Stimamiglio / Editora Belas Letras, reprodução

Lista de compras

Conforme lembrado por Júlio no livro, entre suas funções estava a organização das compras dos clientes: 

"As pessoas iam levar suas listas de compras e no outro dia vinham buscar as mercadorias. Naquela época, a venda era a granel e demorava-se até separar tudo. Eu pegava as listas, separava os produtos e deixava em caixas para quando os clientes fossem buscar".

Júlio também destacou dois outros importantes comércios do bairro: a Importadora Comercial e o Armazém Lain, este último funcionando até hoje, na esquina da Pinheiro com a Coronel Flores: 

"Enquanto o primeiro fornecia muitos dos produtos que os Zatti vendiam, o segundo tinha um comércio parecido, mas não eram concorrentes, trabalhavam juntos. Quando faltava um produto, os Lain vinham buscar e mais tarde repunham. Eles tinham os clientes deles e nós, os nossos".

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A vizinhança

Falar no Armazém Zatti é recordar de outros estabelecimentos emblemáticos daquela quadra e do entorno. Entram aí comércios que ficaram eternizadas na memória, como a Casa Maggioni, o Pastifício Caxiense, o Supermercado Fadanelli, o Bazar Nair, etc, e outros que seguem firmes, como o já citado Armazém Lain, o Mariani Artefatos de Couro, a Alfaiataria Rossi, a Deon Aviamentos, a Casa Londres e a Ferragem Andreazza, que neste 2019, está completando 100 anos de funcionamento ininterrupto. Viva São Pelegrino...

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Colaboração

Parte das informações desta coluna foi reproduzida do livro São Pelegrino - Quem te viu, quem te vê, lançado pela Editora  Belas Letras. 

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