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Memória18/09/2019 | 07h30Atualizada em 18/09/2019 | 07h30

A Legalidade e uma ponte quase derrubada em 1961

Se forças do centro do Brasil tentassem entrar no Rio Grande do Sul, soldados do 3º Batalhão Rodoviário de Vacaria deveriam destruir a ferrovia em Marcelino Ramos

A Legalidade e uma ponte quase derrubada em 1961 Acervo de família / divulgação/divulgação
Danilo Antônio Molon (com o violão) e Dorvalino Bernardi (com a gaita) na ponte, em 1961 Foto: Acervo de família / divulgação / divulgação

Na carona da sessão especial do filme Legalidade, às 19h30min desta quarta (18), no Centro de Cultura Ordovás, reproduzimos uma história de família compartilhada pelo historiador e colaborador da coluna Memória Floriano Molon. O episódio ocorreu em 1961, na cidade de Marcelino Ramos, durante o movimento encabeçado pelo então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola — o objetivo era assegurar o cumprimento da Constituição, que previa a posse do vice-presidente João Goulart (Jango, cunhado de Brizola), na época fora do país, em viagem à China. 

Após alguns dias de muita tensão, o general José Machado Lopes, comandante do III Exército, aderiu à causa da Legalidade, prestando seu apoio a Brizola. Pouco antes, porém, logo após a renúncia de Jânio Quadros, setores da sociedade – notadamente militares e conservadores – defendiam o rompimento da ordem institucional, na tentativa de impedir a posse do vice. 

Naquele momento, soldados do 3º Batalhão Rodoviário de Vacaria foram deslocados no sentido de vigiar a ponte ferroviária de Marcelino Ramos, na região do Alto Uruguai. Sendo a única ligação por estrada de ferro com o sul do Brasil, a ordem era: se forças vindas do centro do país tentassem ingressar no Rio Grande do Sul, a ponte de ferro deveria ser derrubada.

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João Goulart e Brizola em 1961Foto: Banco de dados / Agência RBS

Violão e acordeon

Entre os soldados enviados para o local estavam Danilo Antônio Molon (na foto que abre a matéria, com o violão), irmão de Floriano Molon, e o conterrâneo Dorvalino Bernardi (com a gaita). Eles ficaram várias semanas no município, de prontidão, numa época de escassas comunicações, aguardando os acontecimentos que selariam o destino da ponte — devido à precária alimentação regular, os recrutas revelaram, anos depois, que a solução era comer muita banana. Já para passar o tempo, muita música...

Com a posse de João Goulart, a vigília em Marcelino Ramos foi suspensa e a belíssima ponte sobre o Rio Uruguai, preservada. Danilo Antônio Molon faleceu em 1974, vítima de um acidente rodoviário. 

Parceria

Informações desta coluna são uma colaboração do historiador e pesquisador Floriano Molon

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A ponte ferroviária de Marcelino RamosFoto: Foto Iris / divulgação

Na Festa da Uva de 1961

Meses antes de Jânio Quadros renunciar — e a campanha pela legalidade da posse de Jango tomar forma —, Brizola passou pela Festa da Uva, em Caxias do Sul.  Acompanhou o presidente Jânio Quadros visitando vários estandes e conferindo a produção vitivinícola.

Na foto abaixo, Bertilo Wiltgen (presidente da Festa de 1961), Jânio e Brizola conferem a homenagem ao enólogo Guido D’Andrea no antigo Pavilhão de Exposições, na Rua Alfredo Chaves. Mais ao fundo, o filho Auro D’Andrea (de bigode, à esquerda) e o neto Guido (de mesmo nome do avô, ao centro). Na sequência, Jânio Quadros, a primeira-dama Eloá Quadros e Brizola (ao fundo) conferem a exposição de uvas.

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Bertilo Wiltgen, Janio Quadros e Leonel Brizola conferem a homenagem a Guido D’Andrea no antigo Pavilhão de Exposições da Festa da Uva, na Rua Alfredo Chaves, em 1961Foto: Foto Aldemor / Acervo de família, divulgação
Brizola, Jânio e Eloá Quadros visitam Caxias em 1961Foto: Hildo Boff / acervo de família

O filme

O que: Legalidade, filme de Zeca Britto
Quando: nesta quarta (18), às 19h30min
Onde: Sala de Cinema Ulysses Geremia, junto ao Centro de Cultura Ordovás (Rua Luiz Antunes, 312 — Caxias)
Quanto: R$ 10 e R$ 5 (estudantes e idosos) 

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