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Memória07/09/2019 | 07h00Atualizada em 07/09/2019 | 07h00

A família de Sisto Echer em Santa Lúcia do Piaí

Casa de comércio fundada pelo casal Sisto Echer e Carlota Moschen e posteriormente administrada pelo filho Sistoto até hoje é recordada pelos moradores mais antigos do distrito

A família de Sisto Echer em Santa Lúcia do Piaí Acervo de família / divulgação/divulgação
A casa e o comércio dos Echer. em meados dos anos 1930. Ao centro, de chapéu, estão Sisto Echer Filho e Angelina Lazzarotto, com um dos filhos pequenos no colo Foto: Acervo de família / divulgação / divulgação

Dando sequência à trajetória da família de Sisto Echer, abordamos neste sábado o cotidiano e a casa de comércio fundada por ele e pela esposa, Carlota Moschen, na Linha São Maximiliano (Macabúrio), interior de Santa Lúcia do Piaí — para onde o casal se mudou em 1898.

Conforme o historiador Éder Dall’Agnol dos Santos, que vem pesquisando a história das famílias pioneiras do distrito, o estabelecimento dos Echer abrangia desde a compra e venda de produtos coloniais até o comércio de secos e molhados, incluindo tecidos e alguns gêneros alimentícios. Tratava-se de uma construção ampla, incluindo a moradia da família, o comércio em si e um salão onde eram realizados bailes e festas de casamento. 

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Música no sangue

Além de comerciante, Sisto se destacava como músico, tocando violão e animando serenatas, hábito bastante comum entre os descendentes de italianos habitantes daquela região — um legado que passou ao filho Sisto Echer Filho, o Sistoto (o terceiro a receber o nome), e aos netos Marcelino e Alfredo (Fredolino). 

Já dona Carlota Moschen também auxiliava na casa de negócios, cuidando ainda da criação dos filhos, 17 no total. Conforme apurado por Éder, tratava-se de uma mulher bastante rigorosa em família, com um gosto apurado para vestir-se, preferindo tecidos como o linho, a lã e o veludo _ inclusive o selim utilizado para andar a cavalo também era forrado de veludo. 

Carlota Moschen faleceu em 7 de maio de 1939, aos 65 anos. Sisto Echer morreu quatro anos depois, em 23 de abril de 1943. Ele tinha 72 anos. Ambos foram sepultados no cemitério da Linha São Maximiliano de Santa Lúcia do Piaí.

A trajetória do filho Sistoto 

Sisto Echer Filho, o Sistoto, foi quem deu sequência ao negócio da família e, claro, aos tradicionais bailes em sua residência. Conforme o pesquisador Éder Dall’Agnol dos Santos, Sistoto foi um comerciante muito benquisto na região, devido ao estilo carismático e bonachão. Também era bastante envolvido com as demandas locais, sendo conhecido tanto entre os agricultores como junto a autoridades, como o subprefeito e o escrivão distritais. 

Na capela de São Maximiliano, Sistoto tinha grande participação como zelador e cuidador das chaves da igreja, até por sua residência ficar localizada a apenas alguns metros da matriz _ ele, inclusive, tocava os sinos nos horários de missas e falecimentos de algum membro da comunidade. 

Sisto Echer Filho faleceu tragicamente enquanto realizava uma queimada de mato para plantio, juntamente com o senhor Claudio Brisotto, em 21 de setembro de 1955. Ele acabou se asfixiando com a fumaça e, devido ao excesso de peso, não conseguiu sair do local, falecendo ali mesmo, aos 51 anos. 

Abaixo, o casal Sisto Echer Filho e Angelina Lazzarotto no início dos anos 1950. Na sequência, reportagens de jornais destacado aniversário do agricultor em 1945 e sua morte 10 anos depois, em 1955. Detalhe: com a grafias "Sixtoto" (com x) e "Ecker" (com k).

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Angelina Lazzarotto e Sisto Echer Filho no início dos anos 1950Foto: Acervo de família / divulgação
Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

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Casa e comércio 

Na imagem que abre a matéria, de meados dos anos 1930, a casa e o comércio dos Echer. Em primeiro plano, de chapéu, estão Sisto Echer Filho e Angelina Lazzarotto, com um dos filhos pequenos no colo, e outras pessoas da comunidade de São Maximiliano. 

Entre elas o comerciante Egidio Costa e esposa Ana Bertoldi; Judith Echer Dall’Agnol e o esposo Ernesto Dall'Agnol; Maria Echer Dall'Agnol, Vitório Dall Agnol, Belfiore Lazzarotto e a esposa Maria Echer; João Moschen com a esposa Maria Trentin; Rodolfo Cavalli, no telhado, de chapéu de aba larga, sentado; Guerino Echer e Armindo Echer, entre outros.

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Os Echer e outros moradores da localidade durante um jogo de futebol na Linha São MaximilianoFoto: Hugo Theodoro Neumann / Acervo de família, divulgação

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Festa e futebol 

Nos momentos de lazer, os Echer gostavam de jogar futebol. Sisto Echer Filho, o Sistoto, atuava como goleiro, juntamente com o irmão Guerino Echer e outros jovens da comunidade. Na foto acima, registrada pelo fotógrafo Hugo Thedoro Neumann, Sistoto aparece bem à frente, de chapéu segurando a bola, ao lado do irmão Guerino. 

Atrás, com o violão, estão o pai Sisto Echer e outras pessoas da comunidade de São Maximiliano. Entre elas, João Dall'Agnol (Nane Pianelo), Daniel Dall'Agnol (filho de João), Maria Mazzurana Lazzarotto (Nona Queca), Francisca Lazzarotto Dall'Agnol, Valentina Lazzarotto, João Maria Lazzarotto, Veronica Dall'Agnol, Adriano Moschen, Agnesi Tomasi Moschen, João Moschen, Pedro Lazzarotto, Constantina Zanardi Lazzarotto, João Lazzarotto e Rosa Lazzarotto (Rosina), entre outros.

Parceria

Colaborador da coluna Memória, o historiador Éder Dall’Agnol dos Santos vem pesquisando a trajetória de diversas famílias que ajudaram a colonizar o distrito de Santa Lúcia do Piaí desde finais do século 19. O trabalho, segundo ele, deverá ser transformado em livro em breve. 

Moradores do distrito que tenham interesse em colaborar com fotos e dados sobre suas famílias ao longo do século 20 podem entrar em contato pelo e-mail ederdallagnol89@gmail.com ou telefone/whatsapp (54) 98449.9186.

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