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Memória03/08/2019 | 07h00Atualizada em 04/08/2019 | 16h11

Rua Olavo Bilac e suas antigas vinícolas 

Chegada do Complexo Pátio da Estação joga luzes sobre a história da Sociedade Vinícola Rio Grandense e da Cooperativa Vinícola Caxiense, que mantiveram seus pavilhões na via a partir dos anos 1930

Rua Olavo Bilac e suas antigas vinícolas  Foto Victor / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação/Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
A Rua Olavo Bilac, os pavilhões junto à linha férrea (Praça das Feiras) e a antiga oficina de locomotivas (atual Biblioteca Parque), nos anos 1950 Foto: Foto Victor / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

As reformas na área do futuro complexo Pátio da Estação trazem à tona as lembranças dos estabelecimentos que marcaram a área lindeira à linha férrea, próxima à Rua Olavo Bilac, na divisa entre os bairros São Pelegrino e Rio Branco. 

Falamos da antiga Sociedade Vinícola Rio Grandense Ltda, da Cooperativa Vinícola Caxiense Ltda e, por um breve período, da filial do Frigorífico Rizzo, dos irmãos Alexandre, João Nestor e Guilherme Rizzo, cuja sede surgiu em Porto Alegre e, posteriormente, em 1938, foi inaugurada no bairro Desvio Rizzo.

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Embora boa parte da área tenha sido suprimida com o prolongamento da Rua Feijó Jr., em 1998, e o restante dos pavilhões tenha sofrido um gradativo processo de deterioração e abandono, as lembranças dos prédios e do famoso "beco", ligando os fundos do Colégio Pena de Moraes à Rua Olavo Bilac, seguem mais vivas do que nunca.

Na foto abaixo, o antigo prédio que abrigou, nos anos 1930, a filial do Frigorífico Rizzo, localizado na área onde foi aberto o prolongamento da Rua Feijó Jr. 

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O prédio da filial caxiense do Frigorífico Rizzo, na década de 1930, onde foi aberto o prolongamento da Rua Feijó Jr.Foto: Giacomo Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A cooperativa

Fundada em 14 de abril de 1930, a Cooperativa Vinícola Caxiense eternizou os vinhos Casto, Defesa e Capelinha, turbinando as vendas para o centro do país com um escritório em São Paulo, gerenciado pelo empresário Arthuro Matarazzo. Surgida a partir dos esforços de 50 cooperativados, entre eles Domingos Tronca, Luiz Boff e Isidoro Moretto, foi uma das várias entidades congêneres que buscavam fazer frente ao monopólio do comércio de vinho da época.  

Luiz Boff: a Cooperativa Vinícola Caxiense em 1960

A empresa também foi um dos estabelecimentos destacados no álbum 75º Aniversário da Colonização Italiana no Rio Grande do Sul, lançado em 1950:

"Os bens patrimoniais pertencentes à Cooperativa Vinícola Caxiense são, entre outros, a Casa Central, ótimamente instalada e perfeitamente aparelhada em alteroso prédio próprio à Rua Olavo Bilac, 503, e mais oito postos de vinificação".

Na imagem abaixo, o fundador Luiz Boff (à esquerda) nas dependências da Cooperativa Vinícola Caxiense, nos primeiros anos de funcionamento. Na sequência, um grupo de cavaleiros reunidos por ocasião de uma assembleia geral da Cooperativa, em frente à sede, no início dos anos 1930. Ao fundo vê-se o prédio da empresa  "A. Rizzo Irmãos e Cia - Filial" (Frigorífico Rizzo) — posteriormente integrados à Vinícola Rio Grandense — e a oficina de locomotivas, atual Biblioteca Parque da Estação. Por fim, o mesmo trecho, com a novíssima fachada da cooperativa, em art déco, em meados da década de 1940. 

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Luiz Boff (à esquerda) acompanhado de um sócio no interior da cooperativa, em meados dos anos 1930Foto: Acervo pessoal / divulgação
Integrantes da Cooperativa durante uma assembleia, nos anos 1930Foto: Giacomo Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
O novo prédio da Cooperativa Vinícola Caxiense, em art déco, nos anos 1940Foto: Giacomo Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
O novo prédio da Cooperativa Vinícola Caxiense, nos anos 1940Foto: Giacomo Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A Rio Grandense

A Sociedade Vinícola Rio Grandense Ltda foi fundada em 5 de junho de 1929. Conforme informações do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, o início de suas atividades buscava ajustar interesses historicamente antagônicos: construir novos padrões de qualidade para o vinho e coordenar o recebimento, homogeneização e comercialização da produção de seus fundadores e associados — o que garantiria a aglutinação dos negociantes de vinho da região. 

Três anos depois, em 1932, a Rio Grandense efetuou uma importação de cerca de 130 variedades europeias (italianas e francesas) e iniciou a formação dos famosos vinhedos conhecidos por Granja União, em  Flores da Cunha. O objetivo? Dar os primeiros passos na direção de produzir vinhos varietais finos (uvas viníferas), tudo sob a inspeção de seu diretor técnico, o enólogo Guido D’Andrea. 

Já em 1935, a Sociedade engarrafou e comercializou a primeira produção de vinhos varietais finos, sob o rótulo Granja União, que fizeram sucesso em todo país. 

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O complexo das vinícolas, o Colégio Pena de Moraes, a área da Estação Férrea e o centro de Caxias em 1983Foto: Antonio Galvão / Banco de dados

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A área física

Embora diretamente associada ao prédio central da Rua Os Dezoito do Forte (atual FSG), a Sociedade Vinícola Rio Grandense expandiu sua estrutura física pelas ruas Olavo Bilac e Tronca — o extinto complexo localizado entre entre a Garibaldi e a Luiz Antunes.

Na área contígua à Olavo funcionavam o depósito de vinhos e mosto simples e a tanoaria. Já no terreno em frente, em direção à Tronca, situavam-se o depósito de madeira, a fábrica de pipas e a carpintaria, conforme vemos na área envolta por um fio na foto que abre a matéria — a Sociedade possuía ainda um conjunto de casas próximas ao entorno, onde viviam alguns de seus funcionários. 

 Depois de 68 anos de atividades, a empresa, então já sob a denominação Companhia Vinícola Rio Grandense, encerrou as atividades em 1997.   

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