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Memória07/08/2019 | 07h00Atualizada em 07/08/2019 | 07h00

Família de Secondino Bonatto em Santa Lúcia do Piaí

Filho de imigrantes teve atuação marcante no interior do distrito a partir da década de 1920

Família de Secondino Bonatto em Santa Lúcia do Piaí Fiorentino Cavalli / Acervo de Dusolina Bonatto, divulgação/Acervo de Dusolina Bonatto, divulgação
O casal Secondino e Maria (ao centro) com os filhos Vilma, Olga, Ângelo, Lourdes, Honorina, Rosália, Deonilda, José, as gêmeas Vitalina e Dusolina, e Rosa, em 1963, por ocasião do casamento de José (D) com Gedi Geras Foto: Fiorentino Cavalli / Acervo de Dusolina Bonatto, divulgação / Acervo de Dusolina Bonatto, divulgação

Dando sequência à memória das famílias de Santa Lúcia do Piaí, atualmente pesquisadas pelo historiador e parceiro da coluna Memória Éder Dall’Agnol dos Santos, destacamos hoje a trajetória de Secondino Bonatto. 

Filho de Ângelo Bonatto e Ângela Gasperin Bonatto, Secondino nasceu em 30 de março de 1905 – era o segundo de uma prole de nove irmãos, todos moradores de Caravaggio da 6ª Légua. Conforme Éder, o jovem uniu-se a Maria Antonia Córrent em 23 de fevereiro de 1923. Nascida em 25 de outubro de 1903, Antonia era a mais velha dos 14 filhos dos imigrantes João Córrent (francês) e Anastácia Pongoski (polonesa). 

Após o casamento, Secondino e Maria Antonia estabeleceram-se na capela de Nova Camaldoli, em Santa Lúcia do Piaí, onde dedicaram-se à agricultura. Foi lá também que nasceram os 11 filhos: Vilma, Olga, Ângelo, Lourdes, Honorina, Rosália, Deonilda, José, as gêmeas Vitalina e Dusolina, e Rosa — todos na foto acima, de meados da década de 1950.

Caça para o sustento

Como não tinha renda fixa e precisava sustentar a família, o jovem vendia queijo, ovos e, principalmente, animais abatidos em caçadas, uma de suas paixões. Tanto que, no período em que serviu o quartel, de 6 de maio de 1928 a 2 de maio de 1929, destacou-se como o melhor atirador da tropa.

Já em meados de 1935, vendo que as filhas em idade escolar tinham de se deslocar até a Linha Paese para estudar, Secondino resolveu construir uma escola de ensino primário, junto a outros moradores com necessidade semelhante para seus pequenos. Surgia aí a Escola Rocha Pombo, cuja primeira professora foi a senhora Clélia Scalcon – conforme apurado por Éder, os pais investiam uma pequena quantia por cada filho para pagar a mestra, que ficava hospedada na casa de Secondino. 

O casamento de Secondino e Maria Bonatto em 1923Foto: Julio Calegari / Acervo de Dusolina Bonatto, divulgação

Vínculos comunitários

O envolvimento comunitário do patriarca eu um salto em 1938, quando ele mudou-se para o Posto Piaí – após comprar uma leva de terras com benfeitorias de Agostino Bonatto e irmãos. No local funcionavam uma serraria e um moinho, o que impulsionou Secondo a trabalhar também como carpinteiro, construindo uma casa nova para si e diversos móveis. 

A partir daí, o trabalho não parou. O empreendedor deu início à construção de um moinho para moagem de farinha de milho, aprimorou o engenho para beneficiamento de madeira, ajudou a fundar uma cooperativa vinícola na localidade, auxiliou a abrir a estrada, com pá e picareta, entre o Rio Piaí e Santa Lúcia, e fundou outra escola, a Araribóia, surgida em 1939.

O jovem caçador Secondino, nos anos 1930Foto: Acervo de Dusolina Bonatto / divulgação

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Doença, promessa e cura

Em outubro de 1951, Secondino Bonatto passou por uma delicada intervenção cirúrgica, seguida de hemorragia, que, aos poucos, fatalmente resultaria em óbito. Foi quando os familiares,  liderados pela filha Vilma Ignês Bonatto Vidor, se comprometeram, sob promessa a São Judas Tadeu, a edificar uma capela em Posto Piaí. 

No mesmo dia, Secondino teria sentido uma súbita e milagrosa melhora, sendo sustada a hemorragia. Posteriormente, soube da promessa feita pela filha e familiares e, com a graça alcançada e prontamente restabelecido, deu início à construção da capela.

Detalhe: ele quis ainda que a capela fosse construída em dimensões maiores, para que também abrigasse uma escola para seus netos e os filhos dos demais moradores da comunidade de Posto Piaí (Colônia Vitalina).

Assim, em 12 de outubro de 1958, era inaugurada a Capela de São Judas Tadeu, com missa festiva celebrada pelo vigário Padre Paulo Novaro e com a presença do prefeito de Caxias do Sul à época, Ruben Bento Alves. Já a escola levou o nome de Irmão Maurício, devido aos serviços prestados à educação em todo o Estado.

Os 60 anos de uma capela-escola em Santa Lúcia do Piaí  

Parceria

Informações desta página são uma colaboração do historiador Éder Dall’Agnol dos Santos. Moradores do distrito de Santa Lúcia do Piaí que tenham interesse em colaborar com fotos e dados sobre suas famílias podem entrar em contato com Éder pelo e-mail ederdallagnol89@gmail.com ou fone/whatts (54) 98449.9186.

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