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Memória05/08/2019 | 07h00Atualizada em 05/08/2019 | 14h38

Cooperativa Vinícola Caxiense e o lendário Vinho Casto

Marca é uma das mais lembradas pelos consumidores da Serra Gaúcha e abasteceu também o mercado paulista e do centro do país

Cooperativa Vinícola Caxiense e o lendário Vinho Casto Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação/Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
A passagem do carro do Vinho Casto pela Sinimbu durante a Festa da Uva de 1958 Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A revitalização de parte da antiga Cooperativa Vinícola Caxiense e o surgimento do Pátio da Estação, abordados na edição de sábado, resgatam também a história dos produtos fabricados na sede da Rua Olavo Bilac. Um deles, lembrado até hoje por gerações e gerações de consumidores, é o Vinho Casto. 

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Divulgado à exaustão em anúncios do jornal Pioneiro entre os anos 1940 e 1970 — e obrigatório às mesas daqueles tempos —, o Casto tinha como slogans "símbolo de pureza" e "famoso pela qualidade, primeiro na preferência". A marca, aliás, era uma das preferidas dos consumidores do centro do país, visto que a empresa mantinha um escritório em São Paulo, gerenciado pelo empresário Arthur Matarazzo. 

Já naquela época, Matarazzo demonstrava preocupação com os vinhos finos. Matéria do Pioneiro de 25 de agosto de 1956 trazia uma entrevista com o diretor do entreposto paulista, em Caxias do Sul por ocasião da assembleia geral da cooperativa. Ele afirmava:

"O Rio Grande precisa produzir maior quantidade de vinhos de castas nobres, pois que, em virtude da sábia medida do governo brasileiro de impedir a entrada de vinhos estrangeiros, os consumidores acostumados com vinhos de castas finas exigem vinhos semelhantes aos europeus. Por isto, entre outras, devemos cultivar em maior quantidade os tipos de uvas Merlot, Cabernet, Barbera e Bonarda".

Matarazzo também avaliava o possível aumento do consumo:

"O povo paulista nos honra com sua preferência. É pena que não o possamos servir melhor, pois o dia em que lhe fornecermos um produto que efetivamente agrade ao seu fino paladar, podemos contar com um consumo muito superior ao dobro do atual. Devo ressaltar que, em muito boa hora, também nossa cooperativa teve a feliz ideia de fornecer aos paulistas a oportunidade de tomar um produto engarrafado em estabelecimento próprio, equipado com o mais moderno maquinário".

Abaixo, a reprodução do jornal da época, com a entrevista completa.

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Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

Acervo fotográfico

Nas imagens desta página diversos flagrantes do carro alegórico da Cooperativa, destacando o Vinho Casto, na Festa Nacional da Uva de 1958, durante sua passagem pela Sinimbu. O veículo pertencia à Transportadora Galiotto, conforme vê-se na porta do caminhão.

O slogan ia direto ao ponto: "Orgulho de ser Caxiense".

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A passagem do carro do Vinho Casto pela Sinimbu durante a Festa da Uva de 1958Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
A passagem do carro do Vinho Casto pelo Largo da Catedral Diocesana durante a Festa da Uva de 1958Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
A passagem do carro do Vinho Casto pela Sinimbu durante a Festa da Uva de 1958Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

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Nova diretoria em 1964

Em 5 de setembro de 1964, reportagem do Pioneiro destacou a assembleia anual da empresa, quando participaram o antigo líder cooperativista Isidoro Moretto, o padre Angelo Tronca e o técnico químico Edgar Pezzi. Na ocasião também foi eleita a nova diretoria: o presidente Camilo Formolo, o diretor comercial Domingos Tronca e o gerente Américo Boff. 

À época, a Cooperativa, só em sua matriz caxiense, contava com capacidade de armazenamento de três milhões e meio de litros, conforme destacado na matéria reproduzida abaixo. Na sequência, diversos anúncios do Vinho Casto garimpados em jornais dos anos 1950, 1960 e 1970.

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Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

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Festa da Uva de 1937

Na rara imagem abaixo, o carro da cooperativa e seus figurantes na Festa da Uva de 1937, com os nomes dos vinhos "Defesa" e "Casto" destacados nos chapéus.  

O carro da cooperativa na Festa da Uva de 1937Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Outras marcas

Além do Vinho Casto, a Cooperativa eternizou as marcas Defesa e Capelinha, famoso pelo slogan "Preferido do Norte ao Sul" (abaixo). Para quem lembra, duas enormes garrafas do Capelinha decoraram o jardim do Parque de Exposições da Festa da Uva de 1969, no largo da Rua Alfredo Chaves.

Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação
Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

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