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Memória13/08/2019 | 07h00Atualizada em 13/08/2019 | 07h00

Caxias pelo olhar da professora Irmgard Bornheim

Falecida em 2013, aos 82 anos, ela registrou o cotidiano, a arquitetura e o centro de Caxias no final dos anos 1970

Caxias pelo olhar da professora Irmgard Bornheim Irmgard Bornheim / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação/Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Irmgard fotografa a mãe, Amélia Cecília, nas escadarias do Museu Municipal, em 1979 Foto: Irmgard Bornheim / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A recente doação do acervo fotográfico da família Bornheim ao Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami disponibilizou centenas de retratos à consulta pública. Entre tantos registros, chama a atenção uma série de imagens captadas pela professora Irmgard Cecília Bornheim. 

Tratam-se de flagrantes curiosos da área central e do bairro Lourdes entre 1979 e 1980, capturados durante seus passeios e afazeres profissionais. Aparentemente banais, os registros ganham outras nuances com a mudança verificada no cenário urbano nas últimas quatro décadas – principalmente em relação ao que não existe mais. É o caso da antiga residência de número 730 da Avenida Júlio de Castilhos, em Lourdes (abaixo).

Conforme depoimento de Neda Ungaretti Triches ao Banco de Memória Oral do Arquivo Histórico, a casa foi construída pelo imigrante italiano Tarquínio Zambelli para o filho Michelangelo Zambelli – do lendário Atelier Zambelli – e teve também a família do médico Romulo Carbone como moradora. 

Ainda segundo dona Neda, atualmente com 97 anos, a residência foi vendida para o pai, o empresário Júlio Ungaretti, após a Revolução de 1923, quando serviu de quartel general – demolido em meados dos anos 1980, o casarão, lógico, acabou cedendo espaço a um prédio. 

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Construído por Tarquínio Zambelli, casarão da Avenida Júlio, próximo ao Santo Sepulcro, também foi residência da família de Júlio UngarettiFoto: Irmgard Bornheim / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

No apartamento

Na sequência baixo, outros flagrantes de "Emy", como era carinhosamente chamada por familiares e amigos, para a Caxias de 40 anos atrás. 

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A esquina da Sinimbu com a Dr. Montaury em 1979Foto: Irmgard Bornheim / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
O Largo da Catedral Diocesana e o prédio do Bispado em 1979Foto: Irmgard Bornheim / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
O chafariz e a antiga Praça Ruy Barbosa, em 1979Foto: Irmgard Bornheim / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Grupo de alunos do Colégio Nossa Senhora do Carmo defronte ao monumento erguido em homenagem a Duque de Caxias, na Praça Ruy Barbosa, em 1979Foto: Irmgard Bornheim / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Grupo de alunos do Colégio Nossa Senhora do Carmo defronte ao monumento erguido em homenagem a Duque de Caxias, na Praça Ruy Barbosa, em 1979Foto: Irmgard Bornheim / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Trajetória

Nascida em 22 de outubro de 1930,  Irmgard era filha de Helmut e Amélia Bornheim e irmã do meio do filósofo Gerd e da professora e poetisa Amália Marie (Gerda). Conforme informações repassadas pelo Arquivo Histórico Municipal, a jovem estudou na Escola Complementar Duque de Caxias e completou o ginasial no Colégio São Carlos em 1948. Foi lá também que, em 1951, graduou-se na Escola de Comércio.

Irmgard teve sua vida dedicada à cultura e à educação. Antes de formar-se em História, trabalhou como professora nos colégios São José e Santa Catarina, além de auxiliar no atendimento aos alunos do Ginásio Noturno para Trabalhadores.

A partir de 1965, começou a lecionar no Cristóvão de Mendoza, onde, de 1969 a 1972 foi assistente do diretor Romano Lunardi. No ano seguinte, 1973, assumiu o cargo ao lado de Nilton Scotti, um de seus grandes amigos – com quem costumava frequentar o Atelier de Teatro da Aliança Francesa nos anos 1960. 

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O quadro com os antigos professores e diretores do Cristóvão de MendozaFoto: Roni Rigon / Agência RBS
Irmgard dirigiu o Cristóvão entre 1972 e 1973Foto: Roni Rigon / Agência RBS

Os passeios

Em vários registros pela cidade, Irmgard eternizou a mãe, dona Amélia Cecília Brentano Bornheim (1908-1994). Na foto que abre a matéria, Amélia aparece nas escadarias do Museu Municipal. Abaixo, defronte ao antigo Hospital Carbone, atual sede do Arquivo Histórico Municipal.

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O antigo Hospital Carbone e o prédio da Brasdiesel em 1979Foto: Irmgard Bornheim / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
O antigo Hospital Carbone e, ao fundo, o extinto casarão de madeira onde viveu a família do empresário e comerciante Vicente RoveaFoto: Irmgard Bornheim / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
A Igreja do Santo Sepulcro em 1979Foto: Irmgard Bornheim / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Curiosidade

O acervo doado ao Arquivo Histórico Municipal traz ainda uma curiosa sequência, registrada com temporizador pela própria Irmgard na cozinha de seu apartamento, na esquina das ruas Dr. Montaury e Hércules Galló (abaixo). Detalhe: numa das fotos, ela captou o cão de estimação Eros sobre a cadeira.

Irmgard Bornheim na cozinha de seu apartamento em 1979Foto: Irmgard Bornheim / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Irmgard e o cão ErosFoto: Irmgard Bornheim / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Irmgard Bornheim na cozinha de seu apartamento em 1979Foto: Irmgard Bornheim / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Irmgard Bornheim na cozinha de seu apartamento em 1979Foto: Irmgard Bornheim / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
A cozinha do apartamento em 1979Foto: Irmgard Bornheim / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Homenagem na UCS

A partir dos anos 1970, Irmgard atuou como diretora do Centro de Humanidades e Artes da UCS, órgão que congregava quatro departamentos: Artes, Letras, História e Geografia, e Filosofia, Psicologia e Sociologia. Também atuou junto ao lendário Atelier Livre, um dos celeiros da produção artística caxiense nos anos 1970 e 1980, e coordenou as promoções culturais alusivas ao 10º aniversário da instituição, em 1977.  

Toda essa dedicação foi reconhecida. Em 1984, Irmgard recebeu da UCS a "Medalha do Mérito Universitário" e, em dezembro de 2003, a distinção acadêmica de "Professora Emérita". Já em 2010, pouco antes de morrer, "Emy" foi laureada com a medalha "Homenagem à Docência Acadêmica" por parte da Associação dos Docentes da Universidade de Caxias do Sul (Aducs).

Irmgard Cecília Bornheim faleceu em 22 de julho de 2013. Ela tinha 82 anos.

Irmgard em 2009, ao lado da irmã Amália Marie (Gerda)Foto: Daniela Xu / Agência RBS

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