O Grande Baratilho de Luiz Mazzarotto em 1910 - Cidades - Pioneiro

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Memória18/07/2019 | 09h49Atualizada em 18/07/2019 | 10h02

O Grande Baratilho de Luiz Mazzarotto em 1910

Casa de comércio situava-se na esquina das ruas Sinimbu e Dr. Montaury e antecedeu o Magnabosco

O Grande Baratilho de Luiz Mazzarotto em 1910 Acervo de família / divulgação/divulgação
O baratilho de Luiz Mazzaroto por volta de 1910, colado à casa de Luiz Curtolo e à Matriz de Santa Tereza (Catedral) Foto: Acervo de família / divulgação / divulgação

Casa Magnabosco, prédio da antiga agência do Banco do Brasil, sobrado dos irmãos Serafini. Ao longo do século 20, o cruzamento das ruas Sinimbu e Dr. Montaury eternizou as três edificações citadas, porém, nem sempre é lembrado o comércio de secos & molhados responsável por abastecer a região central da cidade nos primórdios do século 20. Falamos do Baratilho de Luiz Mazzarotto (Marzzarotto), estabelecimento que antecedeu a centenária Casa Magnabosco.

Origens da família Mazzarotto em Otávio Rocha
O grande baratilho de Antonio De Lazzer

O local está diretamente associado ao estilo de vida do imigrante italiano Luiz Mazzarotto, filho caçula do casal de pioneiros Giovanni Battista Mazzarotto e Margarida Panizzon. Parte dessa trajetória foi abordada pelo padre Leonir João Dall’Alba no livro Os Dall'Alba, 100 anos de Brasil (1984), cujo trecho original reproduzimos abaixo:

"O Luiz Marzarotto tem uma história por demais linda. Rapaz vindo da Itália com a família, não gostava da colônia de Nova Pádua. Queria fugir da roça e ir para a cidade. Gostava de caçar. Caçou no inverno inteiro para vender a caça. Conseguindo dinheiro para iniciar sua vida de mascate, comprou um cavalo, por sinal desdentado, tanto que precisava carregar farelo para tratá-lo pois não podia comer capim e milho. Ccmprou também duas arcas, encheu-as de quinquilharias e tocou-se pelas colônias. Arranjou uma corneta para ir avisando os clientes de sua aproximação. Corriam eles para casa em busca de dinheirinho amarrado no canto do lenço, para comprar agulhas, botões, tecidos... Mas, de início, a corneta foi tomada como sinal de aproximação de algum piquete revolucionário... Mas o Luiz mascateou com uma ideia fixa: uma casa de comércio no centro de Caxias. E conseguiu. Amealhou dinheiro bastante para comprar, no início do século (1900), terreno no local mais cobiçado da cidade: ao lado da Igreja Matriz Santa Tereza, no canto da Praça Dante, em Caxias, onde hoje se localiza a Casa Magnabosco". 

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O casarão do baratilho (à direita) por volta de 1908, durante um exercício do Tiro de Guerra na praçaFoto: Domingos Mancuso / Acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação

Sal, açúcar, feijão, vinho...

A personalidade do dono e as ofertas do comércio também foram detalhadas no livro escrito pelo padre João Leonir Dall'Alba:

"Cabeça boa, tino de negociante, a cidade crescendo e o Baratilho de secos & molhados de Luiz Marzzarotto cresceu também, rapidamente. Tinha tropas de carretas que iam até o Caí para buscar mercadorias encomendadas em Porto Alegre. Mais tarde veio a estrada de ferro, em 1910. Então as mercadorias chegavam-lhe aos vagões: sal, açúcar, cerveja... E vendia os produtos da agricultura com que negociava: trigo, milho, feijão, vinho..." 

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A esquina por volta de 1920, já com a casa de comércio "A Economia do Povo", da família MagnaboscoFoto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

Gigio Trombeta

Não foi citado no livro o ano exato em que Luiz Mazzarotto vendeu o ponto à família Magnabosco, oriunda de Antônio Prado. O negócio de Raymundo Magnabosco surgiu oficialmente em 1915, sob a denominação "A Economia do Povo", conforme vemos na imagem acima, datada de 1925 e captada durante uma cerimônia religiosa. À época, a Matriz de Santa Tereza ainda mantinha as escadarias frontais. Entre a esquina e a igreja localizava-se também a residência da família Curtolo.

Luiz Curtolo e a esposa aparecem na foto abaixo, de meados de 1915, época em que parte do barranco em frente à casa foi suprimida. Com as obras, o andar térreo fez vizinhança com o espaço onde Luiz Mazzarotto mantinha sua casa de negócios. Era em frente à casa que ele também chamava a atenção do povo com uma trombeta, daí o apelido "Gigio Trombeta".

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Luiz Curtolo e a esposa defronte à casa da família, durante as reformas, em 1915. Ao lado, no térreo, o antigo baratilho de Luiz Mazzarotto Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

Parceria

Informações desta coluna são uma colaboração do escritor e pesquisador Floriano Molon, que também disponibiliza em seu perfil no Facebook diversas informações históricas sobre as antigas famílias de Otávio Rocha. A última abordada por ele foi a família Fracasso, cujo encontro ocorre no próximo dia 20 de outubro, em Veranópolis.  

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