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Memória26/07/2019 | 07h00Atualizada em 26/07/2019 | 13h12

Dona Anory e as "Páginas de uma Vida"

Moradora do bairro Bela Vista celebra 92 anos neste domingo

Dona Anory e as "Páginas de uma Vida" Rodrigo Lopes / Especial/Especial
Dona Anory, a filha Maria Ivone e o genro Adi Giordani em frente ao casarão rosa do bairro Bela Vista Foto: Rodrigo Lopes / Especial / Especial

A casa rosa de número 1.139, na esquina das ruas Bortolo Zeni e Antonio De Gasperi, no bairro Bela Vista, ainda não está tomada de rosas, orquídeas e diversas outras flores cultivadas com esmero por sua simpática moradora. Elas devem demorar mais alguns meses até começarem a desabrochar e colorir o jardim, a partir da chegada da primavera, em setembro.

Coincidência ou não, no dia da entrevista, vestia rosa também sua zelosa habitante, cujas raízes ali remetem ao dia 9 de novembro de 1965. Foi a data em que dona Anory Maria Zago de Andrade, o esposo Darcy de Andrade e a filha Maria Ivone começaram a residir no endereço. 

Passados 54 anos, não há morador próximo, vizinho, aluno do Colégio Imigrante ou passante que não conheça dona Anory, a casa rosa, as flores, o jardim, um pouco de seu cotidiano. Tanto que, às vésperas de celebrar 92 anos neste domingo, nossa personagem tem disposição, vitalidade e histórias suficientes para rechear não apenas um livro, mas vários, conforme veremos a seguir. 

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Dona Anory celebra 92 anos neste domingoFoto: Rodrigo Lopes / Especial

O início 

Filha de Américo João Zago e Ermínia Tonolli, dona Anory nasceu em  São Marcos em 28 de julho de 1927. Irmã de Anery, Aleny, Nelcy, Neide e Nery, a jovem permaneceu no antigo distrito de Caxias até 1942, quando a família mudou-se para Cazuza Ferreira — onde o pai atuou como alfaiate e, posteriormente, montou uma olaria. Foi naquele ano também que a adolescente de 15 anos conheceu o jovem Darcy Andrade.

— Ele foi à nossa casa com a desculpa de mandar fazer um terno, fatiota como era chamada. Hoje tenho certeza que ele queria me ver, mas eu não me fiz presente, era muita tímida — conta.

Após dois anos em Cazuza Ferreira, a família retornou a São Marcos — e Darcy, lógico, foi atrás da moçoila. O noivado, firmado em 6 de outubro de 1945, resultou em casamento, ocorrido dois anos depois, em 5 de abril de 1947. A filha única do casal, Maria Ivone, chegou em 1951 — casada com Adi Antonio Giordani, ela lhe deu os netos Guilherme e Humberto. Foram eles, aliás, que estimularam a avó a escrever suas memórias:

"Hoje é dia 5 de abril de 2006. Estou realizando o desejo de meus netos Humberto e Guilherme de resgatar meu passado. Devo descrever momentos alegres e tristes, pois são relatos de minha vida. Estas palavras que irei registrar significam muito para mim…". 

Começava a nascer ali Páginas de uma Vida.

Entre malhas e calças 

A partir do final dos anos 1940, enquanto o marido atuava em diversas frentes — teve um armazém de secos & molhados e passou por empresas como a Vulcanizadora Motorista e a Instaladora Caxiense —, dona Anory auxiliava no orçamento doméstico bordando malhas e costurando calças masculinas para alfaiatarias da cidade — ofício herdado da mãe, Ermínia. A atividade, atrelada principalmente à Malharia Caxiense e antiga confecção de Luiz Pieruccini, acompanhou-a até o final da década de 1970. 

—  Lembro que de uma vez só foram enviadas 80 calças masculinas para costurar. Como morávamos em duas peças, não havia lugar para guardar tanto serviço. A solução foi um espaço na casa da minha mãe — recordou dona Anory no livro de lembranças "Páginas de uma Vida", concluído em 6 de outubro de 2007, quando ela celebrou 80 anos.

Dona Anory com o genro Adi e a filha Maria Ivone no jardim da casa, onde cultiva frutas e floresFoto: Rodrigo Lopes / Especial

O novo livro 

O falecimento do marido Darcy, ao lado de quem celebrou bodas de prata, ouro e diamante, impactou o cotidiano de dona Anory, tamanha a relação de proximidade e cumplicidade entre ambos. Foi em 23 de abril de 2014, após um período de sofrimento marcado pelo avanço de um câncer.

Momentos de solidão, com o que ela tem de bom e de ruim, no entanto, deram o impulso para o início de um novo projeto. O livro Solidão, atualmente em fase de produção e "coleta de dados", mesclará impressões da autora com relatos de conhecidos sobre o tema. 

Porém, às vésperas de completar mais um ano de vida, solidão, definitivamente, é a última coisa que dona Anory terá neste final de semana… 

Parabéns!

As bodas de ouro de Anory e darcy em 1997, na Igreja de LourdesFoto: Acervo de família / divulgação

Encontro 

Dona Anory Maria Zago de Andrade também é a neta mais velha da família Tonolli. Filha de Ermínia Tonolli e Américo Zago, ela participou, no dia 16 de junho, do encontro de descendentes dos pioneiros imigrantes italianos Domenico Giuseppe Tonolli (José) e Corina Maria Luigia Mazzoti Tonolli, chegados ao Brasil em 1878. 

Leia mais:
Imigração italiana: o encontro da família Tonolli
O álbum de recordações da família Tonolli
Encontro da família Conte em Mato Perso
Família de João Communello em Santa Lúcia do Piaí
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