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Memória30/07/2019 | 07h00Atualizada em 30/07/2019 | 07h00

Armazém Onzi, um clássico do bairro Rio Branco

Estabelecimento fundado por Balduino Onzi em 1954, na Rua Euclides da Cunha, funcionou durante 49 anos

Armazém Onzi, um clássico do bairro Rio Branco Acervo de família / divulgação/divulgação
Seu Onzi e o funcionário Daniel Martini em 1969, junto ao balcão e às paredes forradas de produtos Foto: Acervo de família / divulgação / divulgação

Rua Euclides da Cunha, 253, esquina com a Sarmento Leite. Moradores dos bairros Rio Branco, São Leopoldo e Lusitano, alunos, professores e funcionário do Grupo Escolar Clemente Pinto, trabalhadores da antiga Triches, gente do Centro e arredores, não teve quem não passou pelo lendário Armazém Onzi, estabelecimento que encerrou as atividades em 2003, mas até hoje mexe com a memória afetiva de gerações e gerações de consumidores. 

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Toda essa história começou após o jovem Balduino Onzi, nascido em 22 de dezembro de 1925, deixar a seção de montagem de motores da Metalúrgica Abramo Eberle, onde trabalhou por sete anos, até 1953. O armazém abriu as portas poucos meses depois, em 1954, no melhor estilo secos & molhados. Oferecia uma grande variedade de  produtos alimentícios, frutas, verduras e grãos,  além de itens de higiene pessoal e bazar, remédios e armarinhos em geral. Por um breve período, até eletrodomésticos chegaram a ser vendidos.

Segundo antigos consumidores – este colunista, inclusive –, o que também atraía a clientela eram o carisma e a simpatia de seu Onzi, dono de um “marketing” próprio: as mercadorias oferecidas no armazém, segundo ele, eram "tutte le cose dall’ Italia". 

Conforme as lembranças da filha caçula Maristela Onzi Flores, os produtos que mais faziam sucesso, conquistando até moradores do Centro da cidade, eram as iguarias coloniais típicas: queijos, salame, torresmo, murcilha, linguiça, banha, manteiga, nata e doce de cana. 

– O pai ainda vendia e levava semanalmente nata doce em baldes plásticos para o Noviciado São Carlos, onde comprava os ovos de granja lá produzidos Era hábito as famílias fazerem o rancho mensal, que ele também entregava na casa do freguês – completa Maristela.

Outro destaque do lugar era um aperitivo licoroso – criado por ele, lógico –, com graspa, açúcar e vinho tinto, oferecido à clientela masculina no balcão. Lembranças que validam uma certeza: não foram 49 anos de trabalho, foram 49 anos de paixão – por servir e compartilhar.

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Seu Onzi (à esquerda), a filha Inês (C) e Daniel (à direita) em 1970Foto: Acervo de família / divulgação
O casarão da família em 1965, antes do calçamentoFoto: Acervo de família / divulgação
O Aero Willys de seu Onzi em 1968, na Rua Euclides da CunhaFoto: Acervo de família / divulgação

O cotidiano

O leite chegava de manhã cedo em tarros transportados em carroças – e a clientela trazia seu póprio vasilhame para adquiri-lo. Galinhas vivas também eram ofertadas, um hábito bastante comum da época, além das tradicionais rifas de Natal e Páscoa. 

– Os alunos e professores do Clemente Pinto, em seus três turnos, também eram frequentadores assíduos do armazém. Compravam lanches, guloseimas e material escolar – lembra Maristela.

Ah, sim: não havia "tempo ruim" para a família. Seu Onzi abria até no domingo, algo bastante incomum entre os estabelecimentos comerciais na época. 

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O casamento de Balduino Onzi e Luiza Radaelli Onzi, em 27 de setembro de 1947Foto: Studio Geremia / Acervo de família, divulgação

A família

Balduino Onzi casou com Luiza Radaelli em 27 de setembro de 1947, na Capela Santos Anjos, em Farroupilha. Dessa união nasceram os filhos Maria Bernardete Onzi Vigo, Vera Angelina Onzi Gremelmaier, Inês Justina Onzi Ciotta, Renan Roque Onzi e Maristela Onzi Flores, que lhes deram 10 netos e nove bisnetos.

Conforme Maristela, a família sempre morou na parte de cima do armazém. Havia uma escada de madeira interna que, além de servir de acesso, era usada como "alerta" pelo pai.

– Ele batia nela como sinal sonoro para pedir ajuda aos filhos quando o movimento aumentava – recorda.

Além dos filhos, vários funcionários passaram pelo estabelecimento em quase quatro décadas de funcionamento. Os que por mais tempo ficaram foram Daniel Martini e Salete Mohr. 

Seu Onzi faleceu em 1998, aos 72 anos. Dona Luiza, em 2006, aos 81. 

O jovem Balduino Onzi por volta de 1950, na Praça Dante AlighieriFoto: Acervo de família / divulgação

Homenagem

Em dezembro de 1953, o jovem Balduino Onzi recebeu uma espécie de carta de reconhecimento da Metalúrgica Abramo Eberle, onde trabalhava (foto abaixo). Em um dos trechos, era evidenciada sua assiduidade ao trabalho:

"No decurso deste ano de 1953, é bastante elevado o número de nossos prezados colaboradores que não tiveram nenhuma falta ao serviço e que também não incorreram em nenhuma falta disciplinar. A esses desejamos apresentar o nosso agradecimento e as nossas congratulações, na certeza de que saberão manter o mesmo comportamento no futuro e, através do seu salutar exemplo, induzir outros a seguirem o mesmo bom caminho. Como sinal do nosso apreço aos que assim se destacaram no corrente ano, resolveu a diretoria conceder-lhes um prêmio correspondente a 100 horas de salário, o que fazemos com a maior satisfação".

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Foto: Acervo de família / divulgação

Reconhecimento

Balduino Onzi nomeia uma rua no Loteamento Jardim Planalto, no bairro Planalto.

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