Ambrósio Leonardelli, pioneiro da indústria cervejeira em Caxias - Cidades - Pioneiro

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Memória29/07/2019 | 07h00Atualizada em 29/07/2019 | 11h58

Ambrósio Leonardelli, pioneiro da indústria cervejeira em Caxias

Imigrante italiano deu início à produção da bebida em sua própria empresa em 1887

Ambrósio Leonardelli, pioneiro da indústria cervejeira em Caxias Studio Geremia / Acervo pessoal de João Carlos Leonardelli, divulgação/Acervo pessoal de João Carlos Leonardelli, divulgação
O estande da cervejaria na Festa da Uva de 1958, visitado pela rainha Zila Turra e pelo radialista Nestor Rizzo Foto: Studio Geremia / Acervo pessoal de João Carlos Leonardelli, divulgação / Acervo pessoal de João Carlos Leonardelli, divulgação

A coluna da última segunda-feira, destacando o quinzenário Ecos do Mundo, recordou da seção a seção "Semeadores do Progresso". Entre tantos personagens perfilados naquelas minibiografias, mereceu destaque a do imigrante italiano Ambrogio "Ambrósio" Leonardelli, precursor da fabricação de cerveja na região — em especial, da lendária Pérola. Sim, em meio à febre de cervejarias artesanais e casas temáticas espalhadas pela Serra, vale recordar de como tudo isso começou por aqui, ainda em finais do século 19. 

Cervejaria Leonardelli: a trajetória do cervejeiro alemão Carlos Frederico Henn

Abaixo, a reprodução de parte do texto original, publicado na capa do Ecos do Mundo de 30 de março de 1963:

"Façamos parar a roda do tempo e giremo-la em sentido contrário. No caminho palmilhado por gerações e gerações de desconhecidos, voltemos para trás. E se no mundo da fantasia, temos a faculdade de recuar no tempo, andemos, também no espaço, até chegarmos a Munich (Munique), a Munich alegre, dos homens louros do faces rubras, dos canecões transbordantes de cerveja nas tabernas movimentadas. E lá, algum tempo antes do início da colonização do Nordeste do Rio Grande do Sul, vamos encontrar um moço italiano, nascido em Pergine, trabalhando numa fábrica de cimento. Na véspera da data em que completou 30 anos, 18 de maio, pois que nascera em 1847, aquele moço, que se chamava Ambrósio, decidiu transferir-se para a América, para a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, de onde parentes seus escreveram-lhe, dizendo da fertilidade da terra. 

Depois de longa travessia, Ambrósio chegou ao Campo dos Bugres, onde foi apresentado a Felice Laner, que aqui chegara com a primeira leva de imigrantes, ao qual comunicou que sua missão era medir as terras da colônia e, ao mesmo tempo, procurar descobrir jazidas da chamada "pedra-de-cimento", a fim de explorá-la industrialmente. Ambrósio soube, então, que Felice Laner estava tentando fabricar cerveja, e isto despertou sua curiosidade, pois que conhecia bastante as cervejarias de Munich, de onde procedia. 

Encontraram-se, assim, por capricho da delicada tessitura do destino, Rodolfo Felice Laner e Ambrósio Leonardelli. Laner erguera a primeira casa no Campo dos Bugres e estava fazendo as primeiras tentativas para fabricar cerveja, à esquina das atuais ruas Tronca e Visconde de Pelotas. Ambrósio media colônias e procurava a "pedra-de-cimento". A amizade entre os dois foi se estreitando rapidamente e transformou-se, mais tarde, em laços de parentesco, através do casamento de Ambrósio Leonardelli com Maria (Marietta) Laner, em ato realizado na igreja da já então Caxias, oficiado pelo sacerdote que tinha a alcunha, na simplicidade dos homens da colônia, de Dom Cachaça...". 

Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

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Zila Turra e o prefeito Rubem Bento Alves no estande da cervejaria, na Festa da Uva de 1958Foto: Studio Geremia / Acervo pessoal de João Carlos Leonardelli, divulgação

A cerveja "Barbante"

O texto de 1963 também mencionava o nome da primeira cerveja:

"Não tendo encontrado, por mais que buscasse, a "pedra-de-cimento", Ambrósio resolveu estabelecer-se e, para isso, comprou quatro lotes, "pelas bandas do Rio Tega". Lá, lançou os fundamentos de uma nova indústria, que se incorporaria à vida de Caxias do Sul. O primeiro nome que deu a sua cerveja foi "Barbante", sem que o próprio Ambrósio pudesse explicar em que se inspirara para encontrá-lo. 

A cervejaria fundada em 1887 por Ambrósio Leonardelli, com a constante melhoria e renovação do seu maquinário, com a assistência de técnicos especializados, com a orientação experiente e entusiasta de Ambrósio, com o trabalho dedicado de seus filhos — João, Carlos e Mário, foi se desenvolvendo paulatinamente, até conquistar um lugar de grande destaque no variado parque industrial de Caxias do Sul.

Cumprida sua missão, rodeado pelos entes queridos e pela terna companheira de tantos e tantos anos de lutas e de felicidade, Ambrósio Leonardelli, a 23 de janeiro de 1918, deixava este mundo, deixava esta Caxias que ele ajudara a construir. Mas aqui ficavam seus descendentes, seu exemplo, sua obra, seu nome, perenizado através da Cervejaria Leonardelli Ltda., um dos mais legítimos orgulhos do vasto parque industrial caxiense".

Chaminé da Cervejaria Leonardelli e outras sobreviventes das alturas

Anos 1960: de todo o complexo da antiga cervejaria, restam hoje apenas os silos e a chaminéFoto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Auge

O auge da cervejaria Leonardelli deu-se a partir de 1952. Em 14 de fevereiro daquele ano, a empresa fundada pelo pioneiro Ambrogio inaugurava suas modernas novas instalações no bairro Lourdes. Foi quando silos, fábrica, bar, varejo e administração passaram a ocupar todo o quarteirão envolvendo as ruas Vereador Mario Pezzi, Vinte de Setembro, Ernesto Alves e Venâncio Aires. 

Inauguração da nova Cervejaria Leonardelli em 1952
VÍDEO: o filme original da inauguração, em 14 de fevereiro de 1952

Nos primeiros meses no novo endereço, a Cervejaria Leonardelli produzia até 8 mil garrafas diárias. Porém, com a ampliação dos recursos, a produção chegou até 80 mil unidades diárias, 15 anos depois da inauguração, em 1967. 

Na foto acima, o complexo em meados da década de 1960, antes do surgimento da nova Rodoviária de Caxias do Sul, então situada na esquina das ruas Sinimbu e Moreira César, em São Pelegrino. Atualmente, no terreno da antiga cervejaria, restam apenas os silos e a chaminé. 

Homenagem

Ambrósio Leonardelli nomeia uma rua no bairro Cinquentenário.

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