A trajetória de Hugo Grazziotin, autor de alguns dos prédios mais famosos de Caxias do Sul - Cidades - Pioneiro

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Memória17/07/2019 | 14h59Atualizada em 17/07/2019 | 15h05

A trajetória de Hugo Grazziotin, autor de alguns dos prédios mais famosos de Caxias do Sul

O engenheiro faleceu nesta quarta, aos 93 anos

A trajetória de Hugo Grazziotin, autor de alguns dos prédios mais famosos de Caxias do Sul Mauro De Blanco / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação/Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Em 1973: os edifícios Dona Ercília (E), Guadalupe (D) e Parque do Sol (subindo, ao fundo), projetados por Hugo Grazziotin Foto: Mauro De Blanco / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Filho do comerciante Domingos Grazziotin e de dona Ercília Pezzi, Hugo Grazziotin, falecido nesta quarta, nasceu em Antônio Prado em 1º de julho de 1926 e ainda jovem migrou para Caxias do Sul. Formado pela Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 17 de dezembro de 1950, Grazziotin foi responsável por alguns dos mais emblemáticos prédios de Caxias, como o Parque do Sol, a Garagem Alfa, a antiga sede da Brasdiesel e o lendário Edifício Dona Ercília, primeiro do país a dispor de um elevador para veículos.  

Encontro da família Grazziotin em Nova Prata

Em matéria publicada pelo Pioneiro em 14 e 15 de julho de 2018, Grazziotin detalhou toda aquela modernidade, inédita no Brasil. Impossibilitado de avançar no subsolo, devido ao terreno rochoso e a uma nascente, o engenheiro resolveu inverter o processo.

– Não dava para fazer um prédio daquele padrão sem vagas de garagem. Então, em vez de descer, nós fizemos os carros subirem — revelou à época. 

Outro prédio assinado por ele e que desperta curiosidade até hoje é o Antares, o clássico "redondinho", na esquina das ruas Borges de Medeiros e Vinte de Setembro, também abordado na matéria. Entre os "truques" do prédio, Grazziotin entregou um: o revestimento em madeira no entorno das janelas:

– Foi para disfarçar a parte das esquadrias, que ficavam um pouco para fora da parede por causa do formato redondo. 

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Em 1970> os edifícios Dona Ercília e Guadalupe, dois clássicos projetados por Hugo GrazziotinFoto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Os nomes dos prédios

A atuação de Grazziotin nas obras não se restringia apenas aos projetos e à construção. O engenheiro também batizou boa parte dos prédios, cuja história dos nomes também é repleta de curiosidades. Confira as lembranças dele, publicadas na matéria de 2018:

Garagem Alfa: "Dei esse nome porque tinha a intenção de fazer outra, de nome Beta (referências às letras do alfabeto grego). Seria onde era o Cine Ópera, mas não aconteceu. Depois, subiu outra lá naquele lugar".

Edifícios Antares e Orion (atual Edifício Angelo Pieruccini): "Eram nomes de constelações e estrelas, que quis homenagear". 

Edifícios Guadalupe e Medianeira: "Uma homenagem a Nossa Senhora". Grazziotin morava no último andar do Guadalupe.

Parque do Sol: "Depois de tanta dar nomes de Nossa Senhora nos prédios, o padre Fábio Piazza sugeriu que eu homenageasse Jesus. Ele disse: Jesus é a luz, o sol, que ilumina todos. Daí saiu Parque do Sol". 

Jotacê: "São as iniciais do dono do antigo dono do terreno, João Chiaradia. Queriam botar o nome inteiro, mas aceitaram minha sugestão e ficaram só as iniciais". 

Edifício Marina: "Era o nome da mãe dos dois irmãos proprietários da área, a dona Marina Pezzi". 

Edifício Dona Ercília: "Esse foi em homenagem a minha mãe, Ercília".

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