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Memória13/05/2019 | 10h08Atualizada em 13/05/2019 | 10h08

Por que temos fascínio por cápsulas do tempo?

Na última semana, enquanto uma era aberta em Pelotas, outra era depositada em Caxias, no futuro Memorial Randon

Por que temos fascínio por cápsulas do tempo? Ramão Barros, Almanaque de Pelotas 1932 / Reprodução/Reprodução
Inauguração do monumento a Yolanda Pereira, em 8 de novembro de 1931. À direita da coluna, Yolanda. No lado oposto, a pianista Guiomar Novaes Foto: Ramão Barros, Almanaque de Pelotas 1932 / Reprodução / Reprodução

Em julho de 2018, a abertura, cercada de expectativa, deu-se no pátio do 3º Grupo de Artilharia Antiaérea, em Caxias do Sul. Na semana passada, o depósito ocorreu no espaço que vai abrigar o futuro Memorial Randon. Falamos das cápsulas do tempo, recipientes especialmente preparados para armazenar objetos, documentos e informações da época em questão, para que eles possam ser encontrados por gerações futuras.

Não há como ficar indiferente a esses rituais, que costumam despertar um misto de fascínio e curiosidade. Foi o que aconteceu na última semana, em Pelotas. Tudo começou em abril de 2018. O pesquisador Guilherme Pinto de Almeida produziu um documento propondo a abertura de uma cápsula do tempo que, por pesquisas dele, afirmava estar enterrada sob o monumento erigido em homenagem à modelo pelotense Yolanda Pereira (1910-2001), Miss Universo de 1930, e inaugurado em 8 de novembro de 1931. 

Algum tempo atrás, esse dossiê foi entregue à Secretaria de Cultura do município, pedindo que fosse feita a escavação, aproveitando as obras de revitalização que estão em andamento na Praça Cel. Pedro Osório. Na última terça-feira, dia 7, 88 anos depois, finalmente a caixa de metal foi encontrada embaixo da coluna que celebra a conquista da bela gaúcha. 

Conforme orientação da conservadora e restauradora Fabiane Rodrigues Moraes, chamada pela prefeitura para acompanhar o processo,  a cápsula passará por uma higienização cautelosa, para que possa ser aberta sem sofrer danos. A expectativa é de que contenha moedas e jornais da época, mas o restante é uma incógnita.

A urna, que, segundo a imprensa da época, deveria ser resgatada dali a 50 anos, em 1981, acabou sendo esquecida – e só deverá ser aberta no decorrer desta semana. Aí sim, saberemos em detalhes o legado deixado aos pósteros. 

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Depois de 88 anos, caixas foi encontrada sob o monumento a Yolanda Pereira, Miss Universo em 1930Foto: Gustavo Vara / Prefeitura de Pelotas, divulgação
Cápsula passará por higienização cautelosa para que possa ser aberta sem sofrer danosFoto: Gustavo Vara / Assessoria da Prefeitura de Pelotas, divulgação
Postais com o rosto da Miss Universo de 1930, Yolanda PereiraFoto: Acervo de Eduardo Arriada / reprodução

Uma solenidade em 1931 

A colocação da pedra fundamental do monumento foi realizada em 16 de outubro de 1931, data do aniversário de 21 anos da beldade homenageada,  quando reuniram-se na praça autoridades e populares em torno de Yolanda. 

O Almanaque de Pelotas registrou o seguinte relato: 

"Lida a ata, que recebeu inúmeras assinaturas, foi ela encerrada numa artística caixinha de ferro, esmaltada de azul e ouro, presa à chave uma fita com as cores gaúchas — oferta da Fundição e Mecânica, de Santos, Sica & Cia., urna em que também ficaram depositados: um excelente retrato do Stadium Inches, da Miss, com autógrafos, clichês das moedas de prata que o Ministro da Fazenda, Dr. José Maria Whitaker, mandou cunhar, com a efígie de Miss Universo 1930, representando a Segunda República; números do 'O Libertador', 'Diário Popular', 'Correio Mercantil', 'Opinião Pública', 'A Luz', 'Diário de Notícias', 'A Noite', que se ocupam de Yolanda Pereira, em sua campanha de Miss, e um exemplar do Almanaque de Pelotas', que traz um magnífico resumo dessa campanha". 

Yolanda Pereira, a primeira gaúcha a conquista o título de Miss Brasil e Miss Universo, em 1930Foto: Acervo de família / reprodução
Yolanda Pereira , primeira Miss Universo brasileira, em um registro de 2000Foto: Adriana Franciosi / Agência RBS

No quartel em 1922

O restauro dos documentos históricos descobertos em julho do ano passado, no quartel do do 3°GAAAé, em Caxias, foram entregues em dezembro ao Exército pelo Instituto Memória Histórica e Cultural da UCS. A universidade foi  responsável pela higienização, restauro e acondicionamento do material. 

A cápsula foi enterrada durante a solenidade de 3 de abril de 1922, quando foi lançada a pedra fundamental de construção do quartel, no bairro Rio Branco. Na urna de metal, lacrada havia 96 anos, repousavam exemplares dos antigos jornais O Brasil e A Federação, datados de 1º de abril de 1922. Além disso, havia quatro moedas de réis, um relatório da construtora contratada para executar os trabalhos e a ata de início da obra.

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Na Randon em 2049

Um dia após a cápsula do tempo de Pelotas ser descoberta, outra era enterrada, desta vez em Caxias. Foi na última quarta, dia 8, durante o lançamento da pedra fundamental da construção do Memorial Randon.

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Nela estão as previsões de dona Dona Nilva, dos herdeiros David, Roseli, Alexandre, Maurien e Daniel, e de executivos do grupo sobre a evolução do transporte cargas no Brasil nas próximas três décadas. A cápsula deverá ser aberta daqui a 30 anos, em 2049, data do centenário de fundação da empresa, em 1949. 

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Parceria

Parte das informações desta página foi publicada originalmente na coluna Almanaque Gaúcho, do colega Ricardo Chaves, de Zero Hora.

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