Rua Marquês do Herval no Boletim Eberle em 1959 - Cidades - Pioneiro

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Memória21/03/2019 | 10h52Atualizada em 21/03/2019 | 10h53

Rua Marquês do Herval no Boletim Eberle em 1959

Há 60 anos, colunista Christiano Carpes Antunes comentava a evolução das vias centrais

Rua Marquês do Herval no Boletim Eberle em 1959 Studio Geremia / Divulgação/Divulgação
A Marquês e seus ícones nos anos 1950: Clube Juvenil, Banrisul, Cine Guarany e Hotel Menegotto Foto: Studio Geremia / Divulgação / Divulgação

Pouco antes de se consagrar como o primeiro colunista social do jornal Pioneiro, no início dos anos 1960, o jornalista e escritor Christiano Carpes Antunes (1934-1967) teve uma breve passagem pelo Boletim Eberle, informativo interno editado pela metalúrgica entre 1956 e 1965.

Christian, como ficou conhecido posteriormente, era responsável pela seção "Ruas de Caxias do Sul". Tratava-se de um delicioso relato com observações do que o colunista enxergava durante seus passeios pela área central, a evolução da cidade, o comércio, as casas e os modernos edifícios que iam surgindo a partir dos anos 1950 e 1960 — além, claro, de uma minibiografia da personalidade que nomeava a via.

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Há exatos 60 anos, na edição de março de 1959 do boletim, a "escolhida" foi a Rua Marquês do Herval , cujo texto original reproduzimos abaixo.  A descrição, tomada de superlativos e expressões da época, tem início a partir dos altos do Juvenil.

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A Marquês captada a partir dos belos jardins da antiga Praça Rui Barbosa nos anos 1950Foto: Studio Geremia / Acervo pessoal de Jacyra Mattana, divulgação
As pedras portuguesas, o chafariz e os prédios da Marquês ao fundoFoto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
A Marquês do Herval (ao fundo) e a Estátua da Liberdade, captadas a partir das alamedas da Praça Rui Barbosa nos anos 1950Foto: Hildo Boff / Acervo pessoal, divulgação

O Morro da Caixa D'Água

"Qualquer um dos pontos da ci­dade caxiense apresenta, atualmen­te, notável surto de progresso. Comprova-o a Rua Marquês do Her­val, que ora visitamos. Antiga­mente, era pequena e tinha seu término no local onde se encontra o atual prédio do Abrigo de Me­nores São José. De uns anos para cá, em colossal trabalho da Prefei­tura Municipal, foi grandemente ampliada. Assim, iniciamos nosso passeio lá do alto do morro, que costuma­mos chamar "Morro da Caixa D'Água."

Do ponto onde nos encontramos, podemos divisar o magnífi­co Hospital Nossa Senhora de Fátima, que, atualmente, no gênero é um dos melhores do país. Um pouco mais abaixo, em local aprazível e pito­resco, encontramos as instalações das piscinas do Clube Juvenil. A­pós percorrermos quatro ou cin­co quadras, chegamos ao alteroso edifício onde se acha instalado o A­brigo de Menores São José _ uma das obras meritórias de nossa cidade. Ao atingirmos a quadra onde er­guem-se os pavilhões da Coopera­tiva Madeireira Caxiense, inicia-se o calçamento da Rua Marquês do Herval. Ambos os lados dessa quadra são ocupados pelos pavilhões da referida cooperativa.

Prosseguindo, formando esquina com a Vinte de Setembro, encon­tramos um posto de gasolina A­tlantic, No mais, esta quadra nos apresenta apenas residências par­ticulares. Ao encontrarmos a Rua Bento Gonçalves, na esquina à di­reita, deparamos com o Edifício Fonseca e, mais adiante, em ambos os lados, diversos e imponentes e­ edifícios, como o Real Hotel, que forma esquina com a Rua Pinheiro Machado.

Formando esquina com a Avenida Júlio de Castilhos, depara­mos com o antigo, mas aristocráti­co, prédio do Clube Juvenil, uma das principais sociedades recreati­vas caxienses e, na esquina à direi­ta, o prédio onde funciona o Banco Agrícola-Mercantil  S.A. Nesse ponto, atingimos o coração da cidade e com ele, à nossa direita, o doce panorama da Praça Rui Barbosa, com suas rosas mul­ticoloridas.

À esquerda da qua­dra central da Marquês do Her­val, majestosos e imponentes edi­fícios. Primeiramente, com seus sete andares, o prédio próprio do Banco do Rio Grande do Sul. A seguir, o Cinema Guarany, tradicional casa cinematográfica de Ca­xias do Sul. Logo após, o Hotel Menegotto, o mais antigo e central da cidade, e, formando esquina com a Sinimbu, o grandioso Edifício Minghelli.

Mais outra quadra se apre­senta e, numa das esquinas, en­contramos o edifício onde se acham instaladas as Rádios Emissoras do Nordeste. Na esquina fron­teira, o local onde será erguido, den­tro em breve, um edifício com  cer­ca de 14 andares (o Dona Ercília). O resto da quadra é composto por residências, oficinas mecânicas e casas comerciais.

Formando esquina com a Os Dezoito do Forte, temos o Colégio Nossa Senhora do Carmo, tradicional estabe­lecimento de ensino de nossa cidade, com suas cômodas e completas instalações. A Rua Marquês do Herval tem seu término após esse quarteirão, precisamente no local onde se a­cha funcionando, em moderno edifício, o Foro local. Desse mesmo local, apresentam-se ante nossos o­lhos, os pavilhões e parques da Fes­ta da Uva de Caxias do Sul."

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A Marquês e seu estacionamento oblíquo nos anos 1950Foto: Studio Geremia / Acervo pessoal, divulgação
Anos 1960: a Marquês ainda sem o prédio do novo Banco do Brasil e prestes a receber o Edifício Dona Ercília (D)Foto: Acervo de família / divulgação
A Marquês do Herval em 1970, com o novíssimo Edifício Dona Ercília e o movimento defronte ao Cine GuaranyFoto: Mauro De Blanco / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
A Marquês do Herval à época da construção do Banco do Brasil, em 1973Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

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O nome

O patrono da rua é o gaúcho Marquês do Herval, ou melhor, Manuel Luiz Osório (1808-1879). Marechal, político e monarquista, participou dos principais eventos militares do final do Século 19 e é considerado herói da Guerra da Tríplice Aliança.

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