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Memória23/01/2019 | 11h16Atualizada em 23/01/2019 | 11h16

O funcionalismo público e as brizoletas

Uma das saídas para contornar as finanças do RS em 1959, quando Leonel Brizola assumiu o governo, foi emitir Letras do Estado

O funcionalismo público e as brizoletas Acervo Ultima Hora / Agência RBS/Agência RBS
Leonel Brizola, governador do RS entre 1959 e 1963, lendo o jornal Última Hora, antes de a publicação retornar como Zero Hora, em maio de 1964 Foto: Acervo Ultima Hora / Agência RBS / Agência RBS

Em tempos de atraso de pagamento do funcionalismo público estadual, os administradores atuais procuram soluções que lhes pareçam as mais adequadas para fugir da escassez de recursos nas finanças públicas. Voltando no tempo, a realidade não era tão diferente assim.

Há 60 anos, pouco depois de assumir o cargo como 23º governador do Rio Grande do Sul, em janeiro de 1959, Leonel de Moura Brizola se viu frente a um dilema. Suas promessas de campanha no ano anterior incluíam temas como a encampação (estatização) de importantes empresas estrangeiras que operavam aqui. 

Entre elas a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), filial da American & Foreign Power Company, e a Companhia Telefônica Rio-Grandense (CRT), subsidiária da International Telephone and Telegraph (ITT); a desapropriação de terras para efeitos de reforma agrária, que veio a ser o assentamento do banhado, na região de Camaquã; e a abertura de centenas de novas escolas por todo o Rio Grande. 

Mas, ao assumir, logo deparou com os cofres vazios. O Tesouro do Estado oferecia parcos recursos para a implantação de seu plano de governo. E, pior, o funcionalismo estava há meses sem receber salários e vários credores batiam à porta do Palácio Piratini em busca do que o governo lhes devia.

Na largada, Brizola e sua equipe econômica buscaram saída numa estratégia financeira utilizada por países em guerra, inclusive o Brasil em 1942: a emissão de bônus para resgate futuro. Com aprovação da Assembleia Legislativa, foi promulgada, em julho de 1959, a Lei 3.785, que permitia a emissão de Letras do Tesouro do Estado com resgate até 1964. 

As letras logo ganharam um apelido: brizoletas, e a população passou a usá-las da mesma forma que as cédulas de cruzeiro: para pagar as compras, abastecer o carro e tudo o mais. Tanto que elas acabaram se transformando em peças históricas, até hoje disputadas entre colecionadores e aficionados por numismática.

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Foto: Banco de dados, Agência RBS / reprodução
Foto: Banco de dados, Agência RBS / reprodução
Foto: Banco de dados, Agência RBS / reprodução

Retorno na Campanha da Legalidade

Até o fim do mandato,  em 1963, Brizola cumpriu várias das promessas de campanha. Encampou as duas empresas citadas ao lado, desapropriou sete fazendas para criar o assentamento e abriu 5.902 escolas primárias (também conhecidas como brizoletas), 278 escolas técnicas e 131 ginásios e escolas normais, admitindo 42.153 novos professores. 

Em 1961, em meio à Campanha da Legalidade, Brizola voltou a emitir as brizoletas. Desta vez com o objetivo de subsidiar os custos da mobilização que comandou em defesa da posse do então vice João Goulart como presidente da República no lugar de Jânio Quadros – que renunciara ao cargo em 25 de agosto de 1961.

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Jango e Brizola no período da Campanha da Legalidade, em 1961Foto: Acervo Ultima Hora / Agência RBS

O jornal Última Hora

O jornal Última Hora, lido por Brizola na foto que abre a matéria, foi fundado pelo empresário Samuel Wainer em 1951,  no Rio de Janeiro, e chegou a Porto Alegre em 6 de maio de 1960. Durou até 2 de abril de 1964, um dia após o golpe militar que depôs Jango. Retornou em 4 de maio de 1964, agora sob a denominação Zero Hora.

Parceria

Informações desta página foram publicadas originalmente na coluna Almanaque Gaúcho, do colega Ricardo Chaves, de Zero Hora.

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