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Memória14/01/2019 | 07h30Atualizada em 14/01/2019 | 19h46

Banco do Brasil e uma caricatura em 1957

Desenho mantido por seu José Angeli traz a recordação da antiga agência e do início da trajetória do artista plástico e amigo Lielzo Azambuja

Banco do Brasil e uma caricatura em 1957 Rodrigo Lopes / Especial/Especial
Desenho feito pelo artista Lielzo Azambuja em 2 de janeiro de 1957 traz funcionários como Romeu Rossi, Plínio Caprara e Delio Nabinger Foto: Rodrigo Lopes / Especial / Especial

Duas recentes colunas sobre as antigas agências do Banco do Brasil em Caxias do Sul despertaram as lembranças de vários de seus ex-funcionários. O empresário e membro do conselho de administração da Agrale José Fiorindo Angeli, 91 anos, foi um deles — e disponibilizou não apenas o desenho acima, mas uma história pra lá de curiosa dos tempos em que a sede ainda não havia sido transferida para o prédio da Rua Dr. Montaury esquina com a Sinimbu.

"No ano de 1957, a agência de Caxias do Sul situava-se na Av. Júlio de Castilhos esquina Marquês do Herval, frontal ao Clube Juvenil, num prédio de propriedade de Álvaro Scotti, comerciante local. A área física disponibilizada, apesar do mezanino constituído, não era suficiente para abrigar o corpo de funcionários, composto na época por 28 pessoas, tornando o ambiente com características bastante peculiares. O jovem talentoso Lielzo Azambuja, artista plástico e publicitário gaúcho, materializou o ambiente através da belíssima obra, exposta nesta caricatura de 1957. A figura do cliente debruçado no balcão é do senhor Ari Zatti Oliva, expoente da indústria madeireira da região."

A lembrança e o relato de seu Angeli surgiram logo após a publicação da foto do grupo de funcionários nas escadarias do Clube Juvenil, em 1955, por ocasião de um encontro de trabalho. Atuante no BB por 20 anos, de 1954 a 1974, o empresário passou pelas três agências fronteiriças à praça: a localizada junto à Farmácia Central, a da esquina da Montaury com a Sinimbu e a da Marquês do Herval. 

Sobre a primeira, onde começou, recorda do espaço bastante reduzido e apertado — e que o amigo Lielzo retratou à perfeição:

— Para um cliente passar e chegar no fundo do mezanino, os funcionários precisavam levantar das cadeiras — diverte-se. 

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Quadro é mantido por seu José Angeli, funcionário do banco do Brasil entre 1954 e 1974Foto: Rodrigo Lopes / Especial

Os funcionários   

Guardado com carinho por seu José Angeli, o desenho original, assinado por Lielzo Azambuja em 2 de janeiro de 1957, traz a caricatura do cliente Ari Zatti Oliva junto ao balcão e os 28 funcionários do Banco do Brasil, devidamente identificados por números, conforme vemos nas imagens desta página. 

Estão lá, pela ordem, Soly Genésio Branchi, Raymundo Rotta Vasques, Romolo Segalla, Nadyr Chiarello, Paulo Guedes, Mazini Marchan Santos, Silvio Lopes Pinto, Elton Adão da Silva, Romeu Victorio Rossi, José Armindo Py, Vicente Correa de Oliveira, Antoninho da Silva, Luiz Anísio Portela, Silmar Haubrich, Ruben Bergmann, Olindo Sonda, Joinville Luiz Branchi, Celso Ribas Guimarães, Romero José Gollo, Helio Ferreira Soledade, Delio Nabinger, Domingos Gomes Oliveira, Décio da Rosa Vianna, Ernesto Lottermann, Plínio Caprara, Astor Torres, José Fiorindo Angeli e Ramiro Corso.

A caricatura traz ainda um personagem extra, bastante famoso daqueles tempos: Vaguinho, uma espécie de pedinte do Centro, "assíduo" do BB (no canto inferior à direita).  No detalhe abaixo, a lista completa e o funcionário de número 27, nada menos que seu José Fiorindo Angeli.

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Quadro traz a identificação de todos os funcionários desenhados, entre eles seu José AngeliFoto: Rodrigo Lopes / Especial
Empresário Ari Zatti Oliva também foi retratado, junto ao balcão, por Lielzo Azambuja em 1957Foto: Rodrigo Lopes / especial
Vaguinho (à direita, mais ao fundo) também foi retratadoFoto: Rodrigo Lopes / especial

Lielzo Azambuja, o autor

Nascido em Vacaria e criado em Caxias, Azambuja mudou-se para o Rio de Janeiro no início da década de 1960, a convite do poeta Thiago de Mello, que participava de um congresso de poesia na Serra. Antes de transferir residência, fazia caricaturas de pessoas, logo ficando conhecido pelo talento ao desenhar com ambas as mãos. 

– O meu desafio era fazer caricaturas de memória, sem olhar para o papel. Mais tarde, quando estava no Rio de Janeiro e bateu saudades de Caxias, desenhei meus amigos e, especialmente, as amigas — recordou em 2012, quando realizou uma individual na galeria Municipal de Arte da Casa da Cultura.

Azambuja não estudou artes e recorda com carinho da primeira exposição, no final da década de 1950, na antiga Escola de Belas Artes de Caxias, exatamente no lugar onde hoje funciona a galeria. Lembra ele que "era só um desenhozinho", mas foi a primeira mostra como artista.

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Lielzo Azambuja em 2012, quando abriu mostra na Galeria de Arte da Casa da CulturaFoto: Roni Rigon / Agência RBS
Um dos trabalhos de Lielzo Azambuja integrantes da mostra na Casa da Cultura em 2012 Foto: Roni Rigon / Agência RBS

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