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Caxias antiga07/12/2018 | 07h30Atualizada em 07/12/2018 | 10h38

Memória: um casarão de 1973 que deu "Samba"

Croqui original da residência projetada pelos arquitetos Paulo Bertussi e João Alberto Marchioro é mantido pela arquiteta Jessica De Carli, neta dos antigos moradores e idealizadora do Instituto Samba

Memória: um casarão de 1973 que deu "Samba" Rodrigo Lopes / Reprodução/Reprodução
O croqui original, de 1973 Foto: Rodrigo Lopes / Reprodução / Reprodução

Caxias do Sul, 1973: o arquiteto Paulo Bertussi morava no sétimo andar do Edifício Nancy, na Av. Júlio de Castilhos, entre a Borges de Medeiros e a Alfredo Chaves. Tinha o costume de tomar café no recém-inaugurado Bar Treze, de Sady De Carli, quase em frente. Já eram conhecidos, tanto de lanche quanto de trabalho — Bertussi e o colega João Alberto Marchioro, do escritório Arquitetos Associados, chegaram a projetar o balcão e o layout interno do estabelecimento. Foi quando Sady formalizou o convite: queria que Bertussi e Marchioro construíssem a nova casa da família, a ser erguida na esquina das ruas Visconde de Pelotas e Hércules Galló.

Caxias do Sul, 2018: Paulo Bertussi retorna novamente ao casarão modernista projeto por ele e Marchioro, agora sede do Instituto SAMbA, idealizado pela arquiteta Jessica De Carli, neta de Sady, e pela mãe, a artista plástica Mara De Carli Santos. Foi na última quarta-feira, quando a aquarela original que serviu como croqui de apresentação para o cliente, 45 anos atrás, teve parte de sua história resgatada.

— Lembro que fizemos o quadro para impressionar o Sady e ele disse: "Isso aqui tá muito bom pra mim. Não vai ficar muito acintoso?" — recordou Bertussi.

A estratégia funcionou, e a dupla teve liberdade total para seguir com o projeto da residência. Dialogando, lógico, com algumas exigências do dono: uma ampla cozinha e que a dupla "não esquecesse do banheiro privativo do casal", uma novidade para a época. Assim foi, com Bertussi e Marchioro adicionando à casa outros supra-sumos dos anos 70: tijolos à vista, armários embutidos, uma "cortina" de madeira delimitando as janelas externas e muita fórmica. 

Toda essa modernidade recebeu a família em 1975, quando o casarão foi entregue pela incorporadora da dupla Giovenardi & Barrero. Para lá mudaram Sady, a esposa Zola Guidali De Carli, os filhos Sadi e Jezebel e a vó Angelina Venzon Guidali  — a filha Mara casou em 1974 e não chegou a residir na casa. 

Cenário de dezenas de encontros e confraternizações com filhos e netos, a esquina foi o lar doce lar de Sady e Zola até o casal falecer. Ele, em 2010. Ela, em 2013. Ambos com 83 anos. 

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A arquiteta Jessica De Carli com Paulo Bertussi, um dos responsáveis pelo projeto do casarão, juntamente com João Alberto Marchioro, em 1973 Foto: Rodrigo Lopes / Especial

História em família

Recuperado pela arquiteta Jessica De Carli, que instalou ali também seu escritório, o casarão é recheado de memórias afetivas, que dialogam com a proposta artística do Instituto SAMbA, focado na identidade brasileira, no pertencimento e no valor cultural agregado. 

Exemplos não faltam: Jessica passou os Natais da infância na casa e ganhou o antigo croqui da avó, Zola Guidali De Carli, "presente para a neta arquiteta". Foi aluna de Bertussi durante a graduação, trabalhou com ele nos primeiros tempos e chamou-o quando decidiu interferir na construção.

Todas os cômodos e "repartições" exigidas por Sady e criadas há 45 anos hoje abrigam salas de trabalho e cursos, galeria de arte, um futuro auditório, cozinha e áreas de convivência. Na fachada, a platibanda projetada originalmente para proteger do excesso de sol acaba de receber uma belíssima interferência do artista plástico recifense Derlon, mesclando grafite, xilo, spray e figuras do cordel nordestino. 

Tem como não se apaixonar pelo lugar? 

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O grafiteiro Derlon em ação na fachada do casarão Foto: Felipe Nyland / Agência RBS
Grafiteiro Derlon estará no bate-papo deste sábadoFoto: Felipe Nyland / Agência RBS

Atividade neste sábado

Neste sábado (8), o casarão que abriga o Instituto SAMbA estará de portas abertas para receber o público. Será das 14h às 18h, com diversas atividades, entre elas o lançamento do “livreto de cordel” SAMbA e um bate-papo com o grafiteiro Derlon, que também é o entrevistado da revista Almanaque deste final de semana, no Pioneiro. 

Tudo com entrada franca, na Rua Hércules Galló, 620, esquina com Visconde de Pelotas.

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