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Caxias antiga17/12/2018 | 07h30Atualizada em 18/12/2018 | 19h58

Memória: Brazex iluminada para o Natal de 1954

Prédio que abrigou escritórios e antigo varejo da Metalúrgica Gazola é a residência de dona Celina Vieira da Silva desde 1966

Memória: Brazex iluminada para o Natal de 1954 Studio Tomazoni Caxias / Acervo Museu da Indústria Metalúrgica - Memorial Gazola, divulgação/Acervo Museu da Indústria Metalúrgica - Memorial Gazola, divulgação
Av. Júlio com Alfredo chaves em 1954: o Edifício Brazex com apenas três andares e o varejo da Gazola, com suas famosas vitrines Foto: Studio Tomazoni Caxias / Acervo Museu da Indústria Metalúrgica - Memorial Gazola, divulgação / Acervo Museu da Indústria Metalúrgica - Memorial Gazola, divulgação

Centenas de pessoas circulam pelo Edifício Brazex diariamente. E provavelmente todas conhecem bem dona Celina Vieira da Silva, 76 anos. Não é pra menos. Zeladora, recepcionista e moradora do apartamento localizado no último andar desde 1966, dona Celina é uma espécie de guardiã da história do prédio e do Centro. São mais de 50 anos ali, na esquina da Av. Júlio com a Rua Alfredo Chaves.

Tudo começou em meados de 1960, quando a mineira de Montes Claros e o marido, José Vieira de Queiroz, chegaram a Caxias. Após breves passagens por São Paulo e Paraná, o casal viu na Indústria Metalúrgica Gazola e na moderna Caxias a chance de se estabelecer em definitivo no Sul.

— Ouvíamos falar de Caxias, naquela época, pelas propagandas da Festa da Uva — recorda a simpática senhora.

Inicialmente, seu José atuou como construtor, nas obras da empresa – a expansão da fábrica e a mudança para o moderno complexo da BR-116 deram-se em 1966. Posteriormente, como morador do prédio, seu José assumiu o cargo de zelador. Tarefa que dona Celina deu continuidade oficialmente há cerca de 15 anos, após a morte do marido, em 2002.

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A dona da história: dona Celina mora no prédio desde 1966Foto: Rodrigo Lopes / Especial

Mudanças 

A família chegou ao Brazex quando a filha Joceli Queiroz, nascida em 1965, tinha apenas um ano. De lá pra cá, não houve acontecimento do cotidiano – dentro ou no entorno do prédio – que não tenha sido testemunhado por dona Celina. Dos primeiros tempos vem a recordação da loja, no térreo, com suas vitrines enormes, recheadas de faqueiros e baixelas – destino de milhares de turistas durante a Festa da Uva, assim como o Varejo do Eberle.

Dos andares superiores, a lembrança recai sobre os escritórias da empresa, a famosa armadura na recepção (o Elmo) e o apartamento do primeiro andar — que serviu de moradia, em períodos distintos, para as famílias dos irmãos Lívio e Júlio Gazola, filhos do fundador José Gazola (1900-1972), e do ex-diretor José Ariodante Mattana.  

Dona Celina só lamenta alguns episódios quem vem tirando a originalidade do prédio. Um deles foi o furto de um dos quatro símbolos da metalurgia afixados na grade da porta de acesso.

— Agora só sobraram três. Estamos até pensando em retirar os outros para preservar — resigna-se, apontando para os desenhos do elmo e da bigorna (fotos abaixo).

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Dona Celina junto à porta original com os símbolos da metalurgia, como a bigorna e o elmoFoto: Rodrigo Lopes / Especial
Um dos símbolos da porta foi furtado recentemente, comprometendo o conjunto histórico original do prédioFoto: Rodrigo Lopes / Especial
O elmo e a bigorna, símbolos de um ícone arquitetônico da Avenida Júlio de CastilhosFoto: Rodrigo Lopes / Especial

Acervo 

Boa parte da história da Indústria Metalúrgica Gazola e do Edifício Brazex pode ser conferida no Museu da Indústria Metalúrgica (MIM), mantido junto ao terreno da antiga fábrica, na BR-116. É desse vasto acervo que saiu a imagem que abre a matéria, doada recentemente pela família. Trata-se do novíssimo prédio iluminado para o Natal de 1954, com direito a Papai Noel, trenó e renas na marquise...

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Brazex, agosto de 1970: Ivo Gazola, Teonila Alessi (Miss Caxias), Lívio Gazola, Maria Bernadete Heemann (Miss RS) e José Ariodante MattanaFoto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Ícone modernista 

O Edifício Brazex foi inaugurado em 10 de janeiro de 1953, concentrando a direção e os setores de contabilidade, mostruários e expedição da Gazola. Traduziu-se em um marco da arquitetura modernista da época, por suas linhas retas e funcionais e pelo aproveitamento da luz natural. Também foi o primeiro prédio da cidade a dispor de aparelhos de calefação e uma fachada totalmente envidraçada, permitindo uma ampla visão dos artigos expostos na loja do térreo.

Os três pavimentos originais receberam outros quatro a partir dos anos 1960, com as crescentes demandas da empresa. Por todos esses andares passaram ainda entidades e nomes de relevância na história da cidade — entram aí o escritório da ex-apresentadora da TV Caxias Carmem Tomasi, a escola de ballet da professora Dora Resende Fabião e uma das sedes da Câmara da Indústria e Comércio.

Sediada no quinto andar também está até hoje a Dinâmica Comunicação, fundada pela jornalista Juçara Tonet Dini em 1984 – e por anos também a responsável pela assessoria de imprensa e os informativos internos da Gazola.

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Visita a Brazex em 1970: Livio Cesar Gazola, a Miss RS Maria Bernadete Heemann, a Miss Caxias Teonila Alessi, José Ariodante Mattana e Ivo Gazola (com o canudo)Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Na imprensa

Matérias no jornal Pioneiro de 10 e 17 de janeiro de 1953 destacaram a inauguração do prédio, "o mais suntuoso edifício de Caxias, pelas suas linhas e instalações ultramodernas, acabamento fino e delicado, constituindo motivo de orgulho para a nossa progressista cidade".

O texto ainda era um convite:

"... com aprimoradas instalações, se tornou chique visitar as Lojas Brazex".

Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

Elevador e nome 

Atribui-se ao Brazex o título de primeiro prédio comercial com elevador da cidade – entre os residenciais, essa alcunha seria do Edifício Pompéia (Pizzamiglio), surgido na mesma época na esquina em frente. 

A origem do nome? Não é consenso, mas cogita-se uma espécie de abreviação do termo "Brazil Exportação".

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