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Transporte coletivo11/12/2018 | 19h02Atualizada em 11/12/2018 | 19h32

"50% do faturamento da Visate vai para a folha de pagamento", diz diretor da concessionária

Empresa justifica pedido de reajuste de 13% na passagem em Caxias com base em aumento de custos de operação e queda de passageiros

"50% do faturamento da Visate vai para a folha de pagamento", diz diretor da concessionária Antonio Valiente/Agencia RBS
Foto: Antonio Valiente / Agencia RBS

A sugestão da Visate para que a tarifa do transporte coletivo de Caxias passe a custar R$ 4,4675 em 2019 é um salto em relação aos R$ 3,95 atuais. No ano passado, porém, a concessionária já havia sugerido o valor de R$ 4,41 para a passagem deste ano.

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— O que a gente vem alertando desde os últimos anos, inclusive em reunião do Conselho (Municipal de Trânsito e Transportes) é que não basta só discutir a tarifa nesse momento. A gente apresentou proposta de revisão das gratuidades, flexibilização de cobradores fora de horário de pico, subsídio. Só que não houve movimentação para isso — defende Gustavo Marques dos Santos, diretor Geral da Visate. 

A empresa justifica o valor proposto com base no aumento do custo do serviço, principalmente de insumos como o combustível e peças de reposição. O dissídio dos funcionários, com data-base em 1º de janeiro, também preocupa, conforme o diretor.

— Hoje, cerca de 50% do faturamento da Visate é para pagar a folha de pagamento. Ao mesmo tempo, nesse ano, houve uma queda de 3,22% no número de passageiros. São 1,033 milhão a menos que em 2017 — argumenta. 

A prefeitura teria se recusado a discutir as alternativas que contribuiriam para baixar o preço da passagem.

— O transporte coletivo tem um custo. Se esse custo excede um pouco a condição da população para pagar, as prefeituras têm subsidiado, tornando uma tarifa mais módica. E aqui em Caxias é o contrário, a gente é taxado, pagamos ISS (Imposto Sobre Serviços) e taxa de gerenciamento. Os dois são tirados do usuário e repassados para a prefeitura. E deveria ser o inverso — aponta. 

Quando sugeriu os R$ 4,41 no fim de 2017, a Visate também ofereceu valor alternativo de R$ 4,02 caso as medidas sugeridas fossem tomadas pelo município. Uma delas virou realidade: no acordo que firmou a passagem em R$ 3,95, em junho, as partes concordaram em racionalizar o serviço em 8%, diminuindo a frequência de voltas em itinerários e horários onde não havia mais passageiros. Hoje, conforme Santos, não há espaço para repetir a medida. 

O cálculo atual da concessionária também prevê a compra de novos ônibus para manter a idade média da frota, que estaria defasada. 

— Quando começa a ampliar muito a idade média, se começa a ter problema de qualidade, mais quebra de ônibus na rua, e a prejudicar mais o usuário. Nós vemos uma idade média de cinco anos como ideal.  

A frota da concessionária está com idade média de seis anos. A prevista em contrato é de quatro anos, mas em 2010 a prefeitura e a Visate concordaram informalmente no aumento para cinco. A renovação de veículos também funciona como retorno do investimento da empresa: é o maior ativo da Visate, que já afirmou anteriormente que espera terminar o contrato de concessão, em 2020, como iniciou o contrato, com uma frota com quatro anos de idade média. 

A prefeitura de Caxias já informou que não se manifestará sobre a tarifa do ano que vem até que o reajuste seja calculado pela equipe técnica da Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade. O diretor da concessionária diz que o município solicitou, nesta terça-feira (11) a entrega, dos dados necessários para que o trabalho seja realizado. 

— O valor vai ser idêntico, porque o dado que a gente apresenta para eles é o mesmo que usamos para o nosso cálculo — antecipa Santos. 

Após o cálculo, um relatório será encaminhado ao Conselho Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT), que votará o reajuste. O valor tem que ser aprovado pelo prefeito para entrar em vigor.

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