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Caxias antiga26/11/2018 | 07h30Atualizada em 26/11/2018 | 07h30

Memória: Um bebedouro para animais em São Pelegrino

Estrutura na esquina da Av. Júlio com a Feijó Jr. foi instalada em 1929 e removida nos anos 1940 

Memória: Um bebedouro para animais em São Pelegrino Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação/divulgação
O bebedouro durante as obras de calçamento da Av. Júlio, esquina com a Feijó Jr., em 1944 Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação / divulgação

O entroncamento da Av. Júlio de Castilhos com a Rua Feijó Jr. é famoso por abrigar símbolos de diversas épocas. O mais lembrado é o mapa da Itália, inaugurado há 60 anos, em 1958, e que segue quebrado —aguardando restauro —, após um acidente de trânsito em 2017. Bem antes dele, porém, o trecho era adornado por outro ícone: o bebedouro público para animais, instalado em 1929 e destinado às mulas e cavalos usados pelos habitantes e para o transporte de  mercadorias. 

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— O bebedouro se fazia necessário porque havia montarias de colonos, caixeiros viajantes, pequenas tropas e carroças que trafegavam por ali. A Rio Branco e a Feijó Junior se conectavam com a saída de Caxias e mostravam, certamente, muito movimento. Da mesma forma, havia próximo dali a Estação Férrea, que atraía os interesses comerciais onde os animais eram utilizados — explicou recentemente o arquiteto e urbanista Roberto Fillipini.

Edital publicado no jornal "O Popular", edição de 7 de março de 1929, especificava como ele deveria ser construído:

"O bebedouro é de pequenas dimensões e de estilo clássico. Deverá ser construído todo em cimento armado, exceptuando-se a cimalha, que será de alvenaria de tijolos. O revestimento será com argamassa de cimento, pasta de cal e areia fina. Faz parte também da construção a instalação hidráulica, excluindo dos materiais apenas a canalização, que será fornecida pela Intendência Municipal. Ao contratante também cabe a instalação elétrica para um bico novo de luz no alto da cúpula."

Meses depois, o bebedouro foi inaugurado, conforme publicado no mesmo jornal "O Popular", edição de 31 de outubro de 1929.

"Está entregue à serventia pública o bebedouro para animais, mandado construir pela municipalidade, no entroncamento das ruas Júlio de Castilhos e Feijó Junior. É uma obra de elegante e sólida construção, tendo ficado pronta por menos de três contos de réis."

O intendente da época era Thomaz Beltrão de Queiroz, mas foi seu vice, Miguel Muratore, quem inaugurou o bebedouro. O escultor Bruno Segalla, em entrevista concedida ao Arquivo Histórico Municipal no ano de 1991, relatou o hilário episódio:

"O Miguel Muratore, para melhor simbolizar foi o primeiro a tomar água. Descendo com a boca até a água, bebeu e disse: Está inaugurado o bebedouro para animais."

Na imagem abaixo,  a família de Miguel Muratore em frente ao bebedouro  Ao fundo, o antigo Baratilho São Pelegrino, cujo prédio histórico ainda encontra-se na esquina da Av. Júlio de Castilhos com a Rua Feijó Júnior.

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A família de Miguel Muratore em frente ao recém-inaugurado bebedouro para animais, em 1929Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

Retirada nos anos 1940 

O bebedouro foi retirado do trecho entre 1943 e 1944, quando as obras de calçamento por paralelepípedos começaram a ser executadas naquela região da cidade. Conforme informações disponibilizadas pelo Arquivo Histórico Municipal, o calçamento das ruas centrais de Caxias foi iniciado na administração do prefeito Dante Marcucci (1935-1947). 

A primeira via calçada por paralelepípedos foi a então Rua Júlio de Castilhos, junto à Praça Dante Alighieri, entre a Dr. Montaury e a Marquês do Herval, para a realização da Festa da Uva de 1937. As obras avançaram pelas ruas centrais da cidade nos anos subsequentes, até chegar ao bairro São Pelegrino, onde estava o bebedouro.

Curiosidade: no jornal "A Época", edição de 6 de junho de 1943, consta um aviso da prefeitura de Caxias sobre o serviço de tráfego: 

"De ordem do dr. Prefeito Municipal, torno público, mais uma vez, que é expressamente proibido o trânsito de carretas com mais de dois animais, na parte da cidade já pavimentada por paralelepípedos.

Na sequência abaixo, dois momentos do trecho, antes e depois do calçamento. Na segunda foto, vemos o trecho já sem o bebedouro, totalmente modernizado. À direita, a casa comercial de Heitor Cantergiani —  futura residência e consultório do dentista Aparício Postali e sua família —, o Mercadinho Vista Alegre e, com fachada de alvenaria, o antigo Colégio La Salle. À esquerda o prédio do Colégio São Carlos e antiga Igreja São Pelegrino, em madeira. 

Todo o conjunto fazia vizinhança com a antiga Praça Onze de Março, atual Praça João Pessoa, compondo o Largo de São Pelegrino.

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Caxias, 1944: o bebedouro (à direita) durante as obras e calçamento do trecho da Av. Júlio de Castilhos, no entroncamento com as ruas Feijó Júnior e SinimbuFoto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Caxias, 1944: conclusão das obras e calçamento do trecho da Av. Júlio, no entroncamento com as ruas Feijó Júnior e Sinimbu, já sem o bebedouro. Ao fundo, a Avenida Rio Branco Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Parceria com o Arquivo

Informações desta coluna são uma colaboração do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami e foram publicadas originalmente na página da instituição no Facebook. Acessando o perfil "Arquivo Histórico Municipal", o público pode conferir dezenas de histórias e fotografias antigas pertencentes ao acervo. As postagens são atualizadas semanalmente.

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