Memória: O morro das madressilvas, na Júlio, em 1947 - Cidades - Pioneiro

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Caxias antiga27/11/2018 | 07h30Atualizada em 27/11/2018 | 07h30

Memória: O morro das madressilvas, na Júlio, em 1947

Plantação estava localizada no jardim de um casarão, no trecho da avenida entre as ruas Alfredo Chaves e Guia Lopes

Memória: O morro das madressilvas, na Júlio, em 1947 Reno Mancuso / Acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação/Acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação
Avenida Júlio, 1947: o morro das madressilvas (à esquerda) ficava junto ao jardim de uma das casas da família Rech, entre as ruas Alfredo Chaves e Guia Lopes Foto: Reno Mancuso / Acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação / Acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação

Entre 1959 e 1973, o professor e artista plástico Alexandre Arioli, 66 anos, morou com os pais e irmãos no segundo andar do clássico casarão da esquina da Av. Júlio com a Guia Lopes. Era a residência construída pelo tio-avô Ernesto Argenta em 1936, onde também residiram diversos outros integrantes das famílias Argenta, Chiaradia e Arioli (leia mais abaixo).

Entre tantas memórias da infância no sobrado, uma veio à tona recentemente, a partir da publicação de uma imagem de 1947 do fotógrafo Reno Mancuso nas redes sociais. Trata-se do trecho da Júlio captado a partir da Rua Alfredo Chaves, onde vê-se parte do lendário morro das madressilvas (acima, à esquerda). Era a plantação localizada juntos a um dos casarões pertencentes à família Rech (no terreno próximo onde situa-se o Hotel Piacenza e o extinto Bar Vagão). 

Conforme Arioli, a trepadeira ficava em uma elevada, estendia-se até a calçada da Júlio e costumava exalar um forte perfume, espalhando-se por toda a redondeza.

— Meu quarto ficava bem de frente para a Júlio. Sentíamos o aroma, que costumava ser  bem mais intenso à noite — resume.

A memória afetiva e olfativa de Arioli dialoga com outras tantas daquele trecho. Cada uma das esquinas do cruzamento, por exemplo, traz uma referência histórica do Centro antigo. É lá que estão o clássico Edifício Paraíso — um dos primeiros arranha-céus de Caxias dotado de calefação central e surgido em 1961 —, a casa em estilo colonial de madeira e adornada por lambrequins da família Rech (preservada até hoje); e o sobrado onde funcionou o extinto Conservatório Musical Rossini (atual Laboratório Scalco).   

Nas fotos desta página, os dois flagrantes de 1947 de Reno Mancuso. Na primeira delas (acima), vê-se o morro das madressilvas (à esquerda), junto ao muro e ao conjunto de casarões da família Rech, existentes até hoje. Na segunda imagem (abaixo), os dois casarões da família Argenta (o de alvenaria, na esquina, e o de madeira, ao lado) e o recém-demolido sobrado da família Toni (ainda com as pinhas no alto), hoje um estacionamento.

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Avenida Júlio, 1947: os casarões de madeira e alvenaria da família Argenta (à esquerda) e o sobrado da família Toni (à direita, com as pinhas no alto)Foto: Reno Mancuso / Acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação

Uma esquina, várias famílias

O casarão da esquina da Av. Júlio com a Guia Lopes foi demolido em finais dos anos 1980, mas as memórias das famílias que passaram por lá seguem firmes. Falamos, entre outros, do casal de pioneiros imigrantes italianos Vicente Argenta e Tereza Bregatto Argenta, de Ernesto Argenta, primeiro engenheiro formado de Caxias do Sul, e dos casais Isaura Travi Argenta e Hugo Argenta (diretor do Eberle), e Giselda Argenta Chiaradia e Ulderico Chiaradia, pais de Izídia e Ada Therezinha Chiaradia.

Em 1952, Ada casou com Enio Arioli, por décadas o mais lembrado gerente do Varejo do Eberle. Dessa união nasceram os filhos Alexandre, Adriana e Vicente, todos moradores da esquina na infância. Na foto abaixo, o trecho captado durante um desfile cívico com a participação da empresa de trilhadeiras e balanças de Evaristo de Antoni, por volta de 1940. Nas janelas do casarão, da esquerda para a direita, estão a matriarca Thereza Bregatto Argenta, Giselda Argenta Chiaradia e a menina Ada Therezinha Chiaradia. 

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Thereza Bregatto Argenta, Giselda Argenta Chiaradia e a menina Ada Therezinha Chiaradia nas janelas do casarão (à direita), durante um desfile cívico por volta de 1940Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Dois momentos

Antes da construção de alvenaria projetada por Ernesto Argenta em 1936, a esquina abrigou o casarão de madeira onde funcionou a lendária Fábrica de Carros de Vicente Argenta, na década de 1910. Já na esquina em frente, no casarão de madeira com varanda em metal existente até hoje, teve início a empresa Pigozzi Cipolla. 

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