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Coleções29/11/2018 | 07h30Atualizada em 29/11/2018 | 07h30

Memória: As clássicas estampas do sabonete Eucalol

Séries como "História do Brasil" e "Lendas do Brasil" foram usadas em escolas pelo país afora como material didático

Memória: As clássicas estampas do sabonete Eucalol Acervo pessoal / divulgação/divulgação
As estampas sobre curiosidades e animais pré-históricos Foto: Acervo pessoal / divulgação / divulgação

Peças de colecionador volta e meia dão as caras na coluna Memória. Hoje, recordamos das lendárias estampas do sabonete Eucalol, graças ao acervo disponibilizado pelo leitor Paulo Sérgio Lontra, 80 anos, que guarda com carinho 85 amostras que colecionou quando garoto. Lontra é apenas um dos inúmeros brasileiros que foram atingidos por uma vitoriosa ação de marketing promovida por uma fábrica de produtos de toilette — responsável por industrializar, também, talco e pasta de dentes. 

Tudo teve início na segunda metade da década de 1910. Foi quando, em 1917, o imigrante judeu alemão Paulo Stern fundou, no Rio de Janeiro a empresa Correa da Silva & Cia Ltda. para vender essências. Findada a Primeira Guerra Munidal, seu irmão Ricardo Stern chegou ao Brasil e ingressou na sociedade. Juntos, ampliaram as atividades e construíram uma nova fábrica, inaugurada por volta de 1924. A Paulo Stern & Cia Ltda. incrementou a linha dos produtos, lançando inicialmente o sabonete Eucalol. 

Naquela época, os sabonetes disponíveis no mercado eram brancos ou rosa, mas o Eucalol, que tinha eucalipto como base, era verde. A novidade causou certa rejeição e, como reflexo, poucas vendas. Em 1928, a empresa tentou seduzir o público com um concurso de poemas. Não funcionou como era esperado. Os irmãos Stern, então, lembraram-se das estampas Liebig, que tanto sucesso faziam na Europa e resolveram lançar as estampas Eucalol, convidando os consumidores a colecioná-las. Estimularam isso publicando anúncios na imprensa, em 1930.

O sucesso foi imediato. Crianças e adultos passaram a colecionar as figurinhas de cartolina, impulsionando as vendas e fazendo a empresa crescer. Em 1932, ingressou na sociedade o terceiro irmão, Erich Stern, e a empresa alterou a razão social para Perfumaria Myrta S/A. Foram emitidas diversas séries sobre variados temas. 

De 1930 a 1957, ano em que foram impressas as últimas estampas, foram abordados 54 temas, distribuídos em 2,4 mil estampas. Com informações no verso de cada figura, séries como História do Brasil e Lendas do Brasil foram usadas em escolas pelo Brasil  afora como material didático. Outro tema que proporcionou belas estampas foi o das histórias infantis, como João e Maria, Branca de Neve e os Sete Anões, O Gato de Botas, A Gata Borralheira, Chapeuzinho Vermelho e A Bela Adormecida

Em 1957, para reduzir custos e enfrentar a concorrência das multinacionais que se estabeleceram no Brasil, a Perfumaria Myrta encerrou a promoção. O último tema divulgado foi Escotismo, cujos aficionados até hoje procuram pelas estampas. 

As estampas sobre História do BrasilFoto: Acervo pessoal / divulgação

Fim em 1978

A empresa acabou não suportando a concorrência e, em 1978, foi vendida, tendo sua falência requerida em 1980. São essas as mais importantes estampas da América Latina, encontrando-se colecionadores em vários países. Fizeram parte da vida brasileira durante quase 30 anos, deixando marcada sua presença em gerações de consumidores.

A clássica caixa do sabonete EucalolFoto: Acervo pessoal / divulgação

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Parceria

Informações desta página foram publicadas originalmente na coluna Almanaque Gaúcho, do colega Ricardo Chaves, de Zero Hora, na edição de 20 de julho de 2018.

Leia mais:
Almanaques de farmácia, um clássico
Um bebedouro para animais em São Pelegrino
O Morro das Madressilvas, na Júlio, em 1947

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