Memória: Um jogo de futebol e três locutores no telhado em 1948 - Cidades - Pioneiro

Versão mobile

 

Caxias antiga04/10/2018 | 07h30Atualizada em 04/10/2018 | 07h30

Memória: Um jogo de futebol e três locutores no telhado em 1948

Transmissão esportiva da Rádio Caxias levou Nestor Gollo, Jimmy Rodrigues e Osvaldo de Assis ao topo de um casarão na Rua Dom José Barea, próximo à antiga Colina Fantasma

Memória: Um jogo de futebol e três locutores no telhado em 1948 Acervo Rádio Caxias / divulgação/divulgação
Rua Dom José Barea: Nestor Gollo (à frente), Osvaldo de Assis e Jimmy Rodrigues durante a lendária transmissão das alturas em 1948 Foto: Acervo Rádio Caxias / divulgação / divulgação

O episódio ocorreu há 70 anos, em 19 de setembro de 1948, e até hoje é um dos mais curiosos da trajetória da Rádio Caxias, surgida apenas dois anos antes, em 1946. Trata-se da transmissão, a partir do telhado de uma casa vizinha, da partida de futebol entre o Grêmio Esportivo Fluminense (antigo Grêmio Esportivo Eberle) e o Esporte Clube Juventude, ocorrida na lendária Colina Fantasma — o campo que viria abrigar o antigo Pavilhão da Festa da Uva e, posteriormente, a prefeitura, na Rua Alfredo Chaves.

Seria mais uma disputa esportiva narrada pelos locutores Nestor Gollo, Jimmy Rodrigues e Osvaldo de Assis, não fosse a direção do Fluminense ter proibido o trio de entrar em campo. A justificativa for recordada por Nestor Gollo em depoimento à historiadora Tania Tonet em 2003, época da organização do Memorial da Rádio Caxias. O trecho também foi reproduzido no livro Rádio Caxias - 70 Anos - Voz e Identidade, lançado pelo autor Marcos Fernando Kirst em 2017.

"Proibiram-nos de entrar no estádio porque os diretores do Fluminense achavam que nos programas de esporte que fazíamos durante a semana, enaltecíamos mais o Flamengo e o Juventude, deixando o Fluminense mais ou menos na lanterna. Irritaram-se e reclamaram  para o Nestor Rizzo, mas os programas continuaram. Então, eles acharam que aquilo era um desaforo e disseram: 'No nosso estádio, vocês não entram'!."

A estratégia não intimidou a equipe. Conforme recordado por Gollo no depoimento, o trio decidiu subir no telhado do casarão de madeira do senhor João Empinotti, na Rua Dom José Barea, local escolhido por permitir uma visão privilegiada do campo:

"Na véspera do jogo, já tínhamos visitado a casa, subido ao sótão para ver se dali era possível. De sua janela não dava, porque era muito baixa, tinha de ser no telhado. O sótão encontrava-se desocupado, e nele havia colchões velhos, ratos e aranhas. Tivemos de limpá-lo para poder retirar as telhas e subir". 

Leia mais:
Em livro sobre os 70 anos da Rádio Caxias, Marcos Fernando Kirst registra as muitas histórias da emissora
Rádio Caxias: Angela Maria em dose dupla em Caxias em 1957
Rádio Caxias 70 anos: Vem para Cancha, Amigo
Rádio Caxias: para recordar de Jimmy Rodrigues
Luiz Napolitano: um ícone da Rádio Caxias
TV Caxias e Rádio Caxias nos tempos de Nestor Rizzo
Auditório da Rádio Caxias: um palco de estrelas nos anos 1950 e 1960 

Rua Dom José Barea em 1948: Nestor Gollo (à frente), Osvaldo de Assis e Jimmy Rodrigues durante a lendária transmissão das alturasFoto: Acervo Rádio Caxias / divulgação

Percalços e sabotagem

A ideia esbarrou, óbvio, em alguns percalços, conforme recordou Gollo:

"Naquela época não havia equipamento móvel e precisávamos de fios de linha de telefone, de eletricidade. Fizemos tudo de manhã, e eles (a direção do Fluminense) viram. Aí eles tentaram cortar a linha telefônica no meio do mato e, como não conseguiram, fincaram uns eucaliptos e hastearam uns lençois emendados para tirar a nossa visão. Acontece que, por mais altos que fossem os eucaliptos, dali de cima eu ainda conseguia enxergar. Aí, eles colocaram uns quatro ou cinco rapazes com espelhos grandes para pegar o sol e jogar na nossa cara e nos impedir de transmitir o jogo. Imaginem o que foi, era um dia maravilhoso de sol! E não adiantou. Saiu o jogo, e o Fluminense ainda perdeu (2x1). Foi assim uma coisa gloriosa, um acontecimento histórico para a única emissora que existia, que era a Rádio Caxias". 

Binóculos

O radialista Dante Andreis, que também participou daquela cobertura, recordou ainda que o trio de narradores conseguiu binóculos emprestados com o comandante do 3º Grupo de Canhões Automáticos Antiaéreos 35mm, para narrar melhor os lances da partida.

Participe da coluna

 Você possui fotos antigas do ano de 1948, quando o Pioneiro foi fundado? Podem ser registros da cidade, famílias, esportes, trabalho, educação, lazer e cenas do cotidiano. As imagens devem ser enviadas em alta resolução, com nome e fone de contato, para o e-mail rodrigolopes33@gmail.com

Formaturas dos contadores do Carmo em 1948
Pioneiro 70 anos: anúncios na estreia do jornal em 4 de novembro de 1948
Pioneiro 70 anos: de volta a 1952  
Pioneiro 70 anos: expressões em desuso, mas com o charme da época

Leia mais:
Juventus: os 60 anos do tricampeonato varzeano
Carrinhos de lomba “fervem” a Rua Os Dezoito do Forte em 1950
Uma gincana de lambretas em 1959
Restaurante da Exposição, na Rua Alfredo Chaves, em 1954
Restaurante da Exposição: um churrasco para Martha Rocha em 1955
Mirante do Parque dos Macaquinhos em 1965
Lembranças da Rua Alfredo Chaves
Rua Alfredo Chaves em 1965
Esporte Clube Floriano em 1956
Baile no Esporte Clube Juventus nos anos 1950
Veteranos do Esporte Clube Floriano em 1972
Uma olimpíada agita Caxias do Sul em 1952
Vídeo: Oscar Boz e o filme original das Olimpíadas Caxienses de 1952 

Confira outras publicações da coluna Memória
Leia antigos conteúdos do blog Memória  

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros