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Caxias antiga01/10/2018 | 07h30Atualizada em 01/10/2018 | 07h30

Memória: Dilva Conte e um legado para a cidade

Artista plástica e escritora, que lutava contra um câncer desde 2014, faleceu sábado, aos 87 anos

Memória: Dilva Conte e um legado para a cidade Antônio Ribeiro da Silva / divulgação/divulgação
Dilva Conte em 2015, quando moldava a musa Beatrice Portinari, escultura que hoje faz companhia à Dante Alighieri na praça Foto: Antônio Ribeiro da Silva / divulgação / divulgação

Ela faleceu sábado, aos 87 anos, após quatro anos de luta contra um câncer no intestino. Mas sua presença já está eternizada por onde quer se olhe ou ande em Caxias do Sul: na obra "Acolhida", no acesso ao Hospital Pompéia; na praça defronte ao Cemitério Público Municipal, onde "mora" o Anjo Samuel; no distrito de Criúva, onde Honeyde e Adelar estão imortalizados; no altar da Igreja São Pelegrino, onde a obra "Anjos" consola os aflitos; no coração da cidade, onde a musa Beatrice faz companhia ao poeta Dante Alighieri. 

Dona Dilva Conte foi profética em vários momentos. E suas obras, tão particulares e ao mesmo tempo tão próximas de um diálogo coletivo com o sagrado, parecem ecoar um pensamento explicitado ao jornalista Carlinhos Santos, à época da inauguração do Anjo Samuel, em junho.

— É dever do artista se doar totalmente à arte para que ela seja desfrutada pela comunidade, que seja mais abrangente.... Fico feliz com isso, pois realizo meu sonho. Se ganhei esta habilidade de ser uma escultora, é uma obrigação compartilhar. O tempo é meu amigo, ele me inspira a fazer coisas para repartir com os outros — revelou, poucos meses antes de falecer. 

Se desde sábado dona Dilva não está mais entre nós, sua obra, em exposição "ad aeternum" por vários cantos da cidade, ecoa a força de uma vida. E garante a sua perenidade. 

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Beatrice, obra de Dilva Conte, e o busto de Dante na praçaFoto: Felipe Nyland / Agência RBS

Pátina do Tempo

O falecimento de dona Dilva ocorreu exatas duas semanas após o lançamento do livro autobiográfico Pátina do Tempo - Lembranças da Filha de uma Imigrante no Sul do Brasil, dia 15, no Museu Municipal (confira trecho abaixo). 

Foi quando a família promoveu uma exposição de objetos e fotografias, além de oficializar a doação de peças importantes de seu acervo têxtil — entre elas os corpetes dos vestidos de casamento de Dilva e da mãe, Vergínia, usados respectivamente em 1906 e 1956, e os lençóis de linho do enxoval de ambas.

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Família de Joaquim e Virginia Slomp. Em pé, as filhas Égide, Virginia, Dilva, Rosa e Serafina. Sentados, ao centro, o patriarca Joaquim, a matriarca Virginia e os filhos homens Joaquim Slomp Filho e Primo SlompFoto: Studio Tomazoni Caxias / acervo de família, divulgação
O casamento de Dilva e Joel Conte em 15 de setembro de 1956Foto: Studio Geremia / Acervo de família, divulgação

Finalizando a trama

"Escrevi estas linhas inicialmente para exercitar minha memória e, a partir delas, constatar que valeu a pena revivê-las. Cabe ressaltar que as memórias trazem consigo e a imaginação e as emoções que acompanham as vivências, compondo a história familiar com um toque particular. Ao longo do processo, vivi muitas sensações, pois reviver é viver duas vezes - tanto os momentos alegres como os sofridos. Acredito ter conseguido alinhavar a colorida colcha de retalhos da memória, que permanece inacabada para que meus descendentes continuem a obra."

                                                                       Dilva Slomp Conte (1931-2018)

A escultora Dilva Conte em seu ateliê em 2008Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Banco da dados, Agência RBS
Dilva Conte em junho de 2018, quando recebeu a reportagem para comentar a obra Anjo SamuelFoto: Marcelo Casagrande / Agência RBS
Dilva Conte em junho de 2018, quando recebeu a reportagem para comentar a obra Anjo SamuelFoto: Marcelo Casagrande / Agência RBS

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