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Saúde16/09/2018 | 15h16Atualizada em 16/09/2018 | 15h18

Postão de Caxias está sem pediatras neste domingo

Prefeitura diz que os dois plantonistas faltaram sem aviso e recomenda que usuários procurem a UPA

Postão de Caxias está sem pediatras neste domingo Lucas Demeda/Agência RBS
Na ala adulta, pacientes relatam espera de mais de quatro horas para atendimento Foto: Lucas Demeda / Agência RBS

Quem procurou atendimento pediátrico no Pronto-Atendimento 24 Horas (Postão) de Caxias do Sul neste domingo teve uma surpresa desagradável: desde o início da manhã, não há plantonistas atendendo no local. 

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De acordo com o secretário municipal da Saúde, Geraldo da Rocha Freitas Júnior, os dois pediatras escalados para o plantão das 8h às 20h faltaram sem aviso, o que impediu a substituição dos profissionais. Os usuários são orientados a buscar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Zona Norte de Caxias. 

— Temos o plano de contingência através da UPA, com três profissionais, que já está orientada a acolher as crianças — aponta. 

O problema da falta de pediatras no Postão se repetiu durante diversos fins de semana entre os meses de maio e julho, até que a Secretaria da Saúde conseguisse recompor a escala dos profissionais. A nova falha terá que ser justificada pelos servidores, segundo Freitas Júnior.

— Se tivéssemos sido informados há tempo, teríamos providenciado uma substituição. A gente organizou as escalas, mas faltando os dois plantonistas sem aviso prévio é bem difícil de solucionar. Eles vão ter que justificar, vamos aguardar a manifestação deles. 

Problemas teriam começado no sábado

Postão de Caxias está sem pediatras neste domingo. Prefeitura diz que plantonistas faltaram sem avisar.
Por volta das 11h30min desde domingo, sala de espera para atendimento pediátrico já estava vaziaFoto: Lucas Demeda / Agência RBS

Quando o Pioneiro esteve no Postão, por volta das 11h30min deste domingo, a maioria dos pacientes que aguardava consultas com pediatras já havia sido encaminhada para a UPA ou atendida no setor adulto, mas novos usuários continuavam buscando o serviço.

Uma das recém chegadas era Keili dos Santos, 22. A auxiliar de nutrição buscava atendimento para o filho Davi, dois, que tinha febre e estava vomitando, mas foi orientada a aguardar.

— Estão mandando para a UPA, mas me mandaram vir para cá (no setor adulto). Era para ter dois pediatras, mas não vieram, dizem que talvez chegassem às 11h — declarou. 

Apesar de a prefeitura ter informado da falta de pediatras neste domingo, após reclamações de pacientes, alguns usuários dizem que o problema começou ainda antes. A atendente Chayane Alves, 29, relata que levou o filho João, três, ao Postão por volta do meio-dia de sábado e acabou atendida três horas depois, por um clínico geral. 

— Passei pela triagem no setor de adultos porque não havia nem médicos e nem enfermeiras na parte da pediatria. Nesse meio tempo, implorei por examinarem meu filho novamente, porque ele estava com febre. Mediram e já estava com 39,2 ºC. Quando entramos para a medicação, não havia ninguém mesmo para atendimento do lado da pediatria. Descaso total, nos sentimos um lixo por não poder fazer nada pelas nossas crianças — lamenta a mãe. 

De acordo com o secretário municipal da Saúde, um dos pediatras faltou apenas no plantão noturno do sábado, que vai das 20h às 8h do domingo. 

 Na ala adulta, demora e indignação

Se a sala de espera pediátrica acabou vazia por falta de atendimento, no setor adulto o cenário era oposto neste domingo. Todas as cadeiras estavam ocupadas e a revolta dos pacientes era geral. A aposentada Denise da Rosa, 60, disse estar aguardando há quatro horas para tratar uma fratura no pé.

— Caí na rua e quebrei o dedão do pé, ontem, Passei a noite com dor e vim para cá. Só me dizem que tenho que esperar — lamenta.  

Pelo menos outros quatro usuários relataram situações semelhantes. Para a costureira Sandra Bavaresco, 40, parte da indignação vem da falta de informações passadas aos pacientes.

— Eu estou aqui desde às 8h, com a garganta inflamada. Pedimos alguma perspectiva aqui (na triagem), ninguém sabe. Na recepção, ninguém sabe. Até parece que não trabalham aqui — reclama.

O secretário municipal da Saúde, Geraldo da Rocha Freitas Júnior, garante que o atendimento está sendo prestado, mas diz que a adaptação ao sistema de prontuário eletrônico, implantado nesta semana, pode estar prejudicando o fluxo. 

— A gente implantou um sistema informatizado. Nesse início, até se familiarizarem com os processos, é um pouco demorado, mas depois só vai ter benefício, pela integração entre todas as unidades. É um avanço importante e vai se normalizar em seguida — projeta.

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