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Memória13/09/2018 | 07h30Atualizada em 13/09/2018 | 07h30

Monumento à Itália: os 60 anos de um símbolo à espera de restauro

Inaugurada em 13 de setembro de 1958 e quebrada desde 8 de junho de 2017, a tradicional "bota" de São Pelegrino deve ter obras iniciadas em 40 dias

Monumento à Itália: os 60 anos de um símbolo à espera de restauro Acervo pessoal de Beatriz Soldatelli Gollo / divulgação/divulgação
O empresário e aviador Arno Viero ao lado da "bota" recém inaugurada , em finais de 1958 Foto: Acervo pessoal de Beatriz Soldatelli Gollo / divulgação / divulgação

Danificado por um acidente de trânsito em 8 de junho de 2017, o Monumento à Itália segue aguardando por uma restauração anunciada pela Secretaria Municipal da Cultura ainda no ano passado. A tradicional “bota” de São Pelegrino, porém, ganha visibilidade extra nesta quinta, quando se completam exatos 60 anos de sua badalada inauguração, em 13 de setembro de 1958 (leia mais abaixo). 

Inicialmente, o escultor João Bez Batti, de Bento Gonçalves, faria a recuperação. Mas, conforme a secretaria, houve uma mudança no planejamento e, após indicações de profissionais da área, foi feito um contato com o restaurador Luiz Henrique Fitarelli, da Vila Fitarelli, em Garibaldi. 

— Esse trabalho de restauro tem algumas especificidades, em razão do material do qual se constitui o monumento. Elas dificultaram encontrar o profissional com técnica e expertise que possibilitassem manter a peça com o máximo de características originais — explica o secretário Municipal da Cultura, Joelmir da Silva Neto.

Segundo Joelmir, nesta semana será finalizada a remessa documental faltante para efetivar a contratação. 

— A obra deve iniciar em pelo menos 40 dias. A previsão é de que o restauro dure cerca de dois meses — conclui o secretário.

Atualmente, o bloco de basalto atingido pelo acidente encontra-se depositado na Secretaria Municipal da Cultura, junto à Estação Férrea.

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Estrutura quebrada desde 8 de junho de 2017 também teve as placas de bronze retiradas em agosto deste anoFoto: Porthus Junior / Agência RBS
Placas retiradas enalteciam o presidente italiano Giovanni Gronchi e os soldados Rafael Zambelli e Angelo Bracagioli, heróis da Primeira Guerra MunidalFoto: Porthus Junior / Agência RBS
Em abril deste ano, parte da estrutura de pedra encontrava-se nos fundos da Secretaria da Cultura, na Estação FérreaFoto: Diogo Sallaberry / Agência RBS

Sem as placas 

À parte quebrada somam-se outras duas subtrações da estrutura original. Recentemente, o monumento teve as duas placas de bronze retiradas pela Divisão de Proteção ao Patrimônio Histórico Cultural (Dippahc), uma espécie de medida de prevenção contra a sequência de furtos verificada no último mês — Marco Zero, Gigia Bandera e o busto de Candido Calcagnotto, este último na Praça da Bandeira.

A decisão contemplou também a guarda provisória, na sede da Dippahc, junto à Maesa, das placas removidas dos bustos de Dante Alighieri e Júlio de Castilhos, na praça central. Conforme a direção da Dippahc, já foi encaminhada uma licitação e, em breve, os monumentos devem receber exemplares de acrílico ou vidro, possivelmente com a foto da original e os mesmos dizeres das respectivas épocas.

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Inauguração: Giovanni Gronchi (à direita), o prefeito Rubem Bento Alves (de óculos) e a famosa “bota” em 13 de setembro de 1958Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Inauguração em 1958 

A tradicional "bota", esculpida em basalto pelo mestre canteiro José Zambon, foi inaugurada por ocasião da visita do presidente italiano Giovanni Gronchi a Caxias, em 13 de setembro de 1958.

Gronchi circulou pela cidade na companhia do presidente Juscelino Kubitschek, que naquele ano quebrou o protocolo de governo e não compareceu na abertura oficial da Festa da Uva – a justificativa foi de que, exatamente no período da festa, em fevereiro/março, JK aguardava pelo político italiano no Rio de Janeiro, o que acabou não se concretizando. Para compensar, Juscelino, o vice João Goulart e Gronchi chegaram a Caxias seis meses depois.

A placa oficial traz os dizeres: "Giovanni Gronchi, presidente da Itália, aqui esteve hoje, em visita à nova pátria dos artífices que transformaram o Campo dos Bugres na moderna Caxias do Sul. Homenagem do município – 13.09.1958". 

Placa extra

Vinte anos depois, em 1978, o "mapa" recebeu uma placa extra oferecida pelo Legislativo, a partir de um projeto encaminhado pelos então veradores Mário Gardelin, Dino Périco e Remo Marcucci. Eles buscavam homenagear dois caxienses que haviam se inscrito como voluntários para defender a Itália na Primeira Guerra Mundial: o sargento Rafaelle Zambelli e o soldado Angelo Bracagioli, mortos há 100 anos, em 1918.

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Duas imagens

Na foto acima, o momento da inauguração do monumento, em 13 de setembro de 1958. Vê-se o presidente italiano Giovanni Gronchi, o prefeito Rubem Bento Alves, o bispo Dom Benedito Zorzi, o padre Giordani (encoberto), autoridades e centenas de moradores e curiosos do bairro. Ao fundo, com as varandas e janelas tomadas de gente, o antigo casarão onde funcionou o consultório e a casa do dentista Aparício Postali e sua família — preservado em suas linhas originais e hoje sede de uma loja de roupas.

Na imagem que abre a matéria, captada a partir da Praça João Pessoa, vemos o monumento em finais de 1958, com as já movimentadas Av. Júlio de Castillhos e Rua Feijó Júnior, além do Edifício Irmãos Pasqual, erguido em 1950, ao fundo. Ao lado da escultura, o aviador Arno Viero, amigo do radialista Nestor Gollo, um dos idealizadores do projeto (croqui abaixo).

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O projeto original do monumentoFoto: Acervo pessoal de Beatriz Soldatelli Gollo / divulgação
O Monumento à Itália em 2014, antes do acidenteFoto: Jonas Ramos / Agência RBS

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