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Caxias antiga07/09/2018 | 07h30Atualizada em 07/09/2018 | 07h30

Memória: uma esquina, um cinema, dois bancos

Cinema América, Banco Pelotense e Banrisul ocuparam o antigo palacete da esquina da Av. Júlio com a Marquês do Herval 

Memória: uma esquina, um cinema, dois bancos Giacomo Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação/Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Av. Júlio com Marquês em 1916: a antiga sede do Banco Pelotense, onde hoje situa-se o Banrisul. Ao fundo, o bairro Lourdes Foto: Giacomo Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Para a maioria dos passantes, o prédio do Banrisul é referência quando se fala na esquina da Av. Júlio com a Rua Marquês do Herval, assim como a sede do Juvenil e a Farmácia Central. Mas a edificação como conhecemos hoje, datada do início dos anos 1950, surgiu depois de outras duas ocupações que marcaram as primeiras décadas do século passado.

O chamado Palacete Buffardi, de propriedade de Francisco Buffardi, teve sua construção iniciada em 1910 e abrigou, naqueles primórdios do século 20, o segundo cinema surgido na cidade. Trata-se do Cinema América, cujo funcionamento englobou o breve período de 17 de junho de 1911 a 9 de julho de 1912, segundo a ordem dos cinemas proposta pelo pesquisador João Spadari Adami no livro História de Caxias do Sul - 4º Tomo, de 1966.

Conforme apurado pelo historiador Mário Tomazoni, do Arquivo Histórico Municipal, a ocupação seguinte decorreu da expansão do Banco Pelotense pelo interior. Fundado em 1906, o Pelotense deu início à abertura de suas luxuosas filiais na antiga Zona Colonial Italiana em julho de 1912. A agência de Caxias, surgida no mesmo ano das de Bento Gonçalves e Alfredo Chaves, foi inaugurada no dia 20 de setembro, no andar térreo do Palacete Buffardi – por meio de um aluguel  intermediado pelo ex-prefeito Miguel Muratore, não por acaso o primeiro gerente da instituição.

Cinco anos depois, em 1917, o palacete foi comprado pelo Banco Pelotense, uma transação também intermediada por Muratore. Porém, pouco antes de completar seu jubileu de prata, em 1931, o banco foi liquidado – em função, principalmente, da decadência da indústria do charque e do consequente abalo nos depósitos e financiamentos dos pecuaristas. Entrava em cena a partir daí o Banco do Estado do Rio Grande do Sul... 

Nas fotos desta página, três momentos da emblemática esquina. Na imagem que abre a matéria, o prédio (à direita) e a movimentação urbana por volta de 1916, pelas lentes de Giacomo Geremia. Abaixo, um clássico registro em negativo de vidro de Domingos Mancuso, datado de 1915. Por fim, um curioso cartão-postal editado pela lendária Livraria Saldanha, original de 1925, em que aparece ainda o antigo Hotel Veiga (na Marquês, entre as casas de madeira).

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O prédio do Banco Pelotense e o antigo Café América (casarão à esquerda) em 1915Foto: Domingos Mancuso / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Cartão-postal de 1928 destaca o prédio, os casarões de madeira vizinhos e o antigo Hotel Veiga (à direita)Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

Ocupações do prédio

Até ser comprado pelo Banco Pelotense, em 1917, o Palacete Buffardi sediou, além do cinema, a Pharmacia Guimarães e o Clube do Comércio. Parte de suas dependências também serviu como a residência do intendente José Pena de Moraes – ao lado do palacete, em um casarão de madeira na Júlio, funcionou ainda o Café América. 

Já em 1930 o prédio passou por uma série de modificações, que culminaram, por volta de 1950, com a demolição e e o surgimento do moderno edifício existente até hoje.

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Informações desta coluna são uma colaboração do historiador Mário Tomazoni e do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

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